
A qualificação profissional e o acesso à informação têm ajudado pequenos empreendedores de Belém a aprimorar a gestão, valorizar produtos e ampliar oportunidades de vendas. No Complexo do Ver-o-Peso, a Sala do Empreendedor, iniciativa da Prefeitura de Belém em parceria com o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), oferece atendimento gratuito, orientações e capacitações para trabalhadores que desejam fortalecer seus negócios ou iniciar uma atividade comercial.
Neste artigo
Instalado no Solar da Beira, no bairro da Campina, o espaço completou um ano de funcionamento em 2026 e aproxima os serviços de orientação empreendedora de feirantes, comerciantes e trabalhadores do Centro Comercial. Entre as atividades oferecidas estão o apoio à formalização como Microempreendedor Individual (MEI), orientações sobre gestão financeira, precificação, apresentação de produtos e estratégias para melhorar as vendas.
A iniciativa busca atender diferentes necessidades, desde quem está começando a empreender até trabalhadores que já possuem experiência no comércio, mas procuram novas ferramentas para organizar as finanças, divulgar mercadorias e ampliar a clientela.
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Capacitação transforma a apresentação dos produtos

A experiência de Maria do Socorro Melo Gomes demonstra como a busca por conhecimento pode contribuir para o desenvolvimento de um pequeno negócio. Há mais de 35 anos trabalhando com artesanato, ela encontra nas peças produzidas uma forma de expressar a cultura paraense e garantir sua renda. A empreendedora comercializa seus produtos na Feira de Artesanato da Praça da República e também participa da Feira do Empreendedor, no Solar da Beira.
Ao longo de sua trajetória, Maria do Socorro investiu em capacitações sobre empreendedorismo, precificação, apresentação dos produtos e embalagens. Os aprendizados ajudaram a aprimorar o trabalho, especialmente na preparação das peças para atender turistas que visitam a capital paraense.
O aperfeiçoamento da apresentação das mercadorias é uma das estratégias que podem agregar valor ao artesanato e contribuir para a competitividade dos pequenos negócios. Nesse contexto, as capacitações oferecem ferramentas para que os trabalhadores reconheçam possibilidades de melhoria sem perder as características culturais presentes em seus produtos.
Conhecimento familiar aliado à gestão financeira
Outro exemplo é Pedro Zacarias Santos da Silva Júnior, permissionário do Complexo do Ver-o-Peso que trabalha há dez anos com raízes, essências, colônias e peças artesanais produzidas com elementos da Amazônia. O ofício faz parte de uma tradição familiar iniciada pelo avô, transmitida à mãe e posteriormente assumida por ele.
Para preservar essa herança e fortalecer a atividade comercial, Pedro buscou nas capacitações conhecimentos que ajudassem a organizar as finanças e melhorar a divulgação dos produtos. Uma das principais mudanças foi aprender a distinguir faturamento de lucro, identificando os gastos envolvidos na produção e nas vendas.
O empreendedor também passou a utilizar as redes sociais como ferramenta para alcançar novos clientes, incorporando o Facebook e o Instagram à divulgação do negócio.
A experiência mostra como conhecimentos de gestão podem complementar atividades tradicionais e ajudar os empreendedores a compreender melhor os resultados financeiros, planejar despesas e ampliar os canais de comercialização.
Atendimento orienta quem deseja empreender

Coordenada por Maria José Ramos, a Sala do Empreendedor também recebe pessoas que desejam iniciar um negócio, mas ainda têm dúvidas sobre os primeiros passos. O atendimento inclui orientações para formalização como MEI e apoio a trabalhadores já formalizados que enfrentam dificuldades com o pagamento de taxas e outras questões relacionadas à regularização.
A iniciativa é desenvolvida pela Prefeitura de Belém, por meio da Secretaria Municipal de Desenvolvimento Econômico (Sedcon), em parceria com o Sebrae. A localização no Solar da Beira facilita o acesso de trabalhadores que atuam em uma das regiões de maior relevância comercial e cultural da capital.
Para o secretário municipal de Desenvolvimento Econômico, André Cunha, aproximar os serviços públicos dos empreendedores é uma maneira de ampliar o acesso à qualificação e estimular o desenvolvimento dos negócios.
Ao reunir orientação técnica, capacitação e apoio à formalização, a Sala do Empreendedor busca contribuir para o fortalecimento dos pequenos negócios de Belém. No Ver-o-Peso, onde o comércio reúne saberes familiares, produtos regionais e diferentes formas de trabalho, o acesso ao conhecimento oferece ferramentas para aprimorar a gestão e ampliar oportunidades, mantendo a ligação entre a atividade econômica e a identidade cultural da cidade.
Fotos:Paula Lourinho
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