A I Jornada de Antirracismo e Justiça Climática da Amazônia esteve integrada, na manhã desta segunda-feira, 28, à programação da Faculdade de Letras da Universidade Federal Pará (UFPA) durante a aula inaugural do Curso de Letras – Língua Portuguesa, no auditório setorial Básico 1, do campus Guamá, Belém. Às 19h, vai ocorrer uma nova edição da conferência, desta vez com tradução em Libras.
Convidado especial da jornada, Mamadou Ba, doutorando na Universidade British Columbia (Canadá), mediou a mesa composta pela professora Marilucia Cravo, da UFPA; e Davi Pereira Júnior, da Universidade Estadual do Maranhão (UEMA). Dezenas de estudantes e professores integraram o público.
Davi Junior destacou, entre outras questões, a recente configuração dos espaços acadêmicos como ambientes possíveis de diálogo com a literatura antirracista, a partir das ações afirmativas nas instituições de ensino superior. Uma interlocução, inclusive, “que passa a ser transacional e não apenas antirracista ou periférica, já que ela fala como nós, sangra como nós”.
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Neste sentido, Mamadou ressaltou que essa é uma postura ética de recusa do status quo, de criação de uma teia de possibilidades que resgata sujeitos de sua própria história, fazendo a universidade assumir um caráter de espaço de transgressão, de dissidência.
Já a Marilucia Oliveira apresentou dados empíricos do trabalho de diversidade e variação linguística que desenvolve, especialmente nos estados do Pará e do Amapá. Ela lembrou do decreto federal 7.387, de 9 de dez 2010, que institui o inventário nacional de diversidade linguística brasileira e que foi engessado nos últimos quatro anos. É o campo a que ela se dedica e lhe dá conforto para garantir que não há um preconceito linguístico no tocante às populações negras, afrodescendentes e quilombolas, há, sim, um preconceito social.
Articulação
A jornada, que iniciou dia 17 e se estende até esta terça-feira, 29, está sendo realizada em diversos territórios de Belém, com ampla articulação entre setores públicos, organismos internacionais e entidades dos movimentos sociais. Com públicos específicos a cada atividade, a jornada contempla conferências, rodas de conversa, cines-debate, lançamento de livro e encontro com comunidade quilombola.
A iniciativa é da Prefeitura de Belém, organizada pela Secretaria Municipal de Administração (Semad), por meio da Universidade Livre da Amazônia (Ulam) e da Coordenadoria Antirracista de Belém, com apoio da Coordenadoria de Relações Internacionais (Corint); e pela UFPA, com apoio da Assessoria da Diversidade e Inclusão Social (Adis); além do apoio da Agência da ONU para Refugiados (Acnur).
O corpo docente integrado à organização da jornada conta com Zélia Amador de Deus (UFPA), Rosa Acevedo (UFPA), Jurandir Novaes (UFPA) e Camila do Valle (Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro – UFRRJ), que também compõem o comitê científico na companhia de Regina Cruz (UFPA), Marilucia Cravo (UFPA) e Cynthia Carvalho Martins (Uema).
Próximas atividades:
28/08, às 19h – Auditório Setorial Básico 1 /UFPA
Aula inaugural do curso de Letras da UFPA.
“Antirracismo e Literatura”, com Mamadou Ba (Universidade British Columbia/Canadá) e Davi Pereira Júnior (UEMA).
29/08, 9h30 – auditório do Naea/UFPA
Conferência: “Introdução às tradições e linhagens teóricas do antirracismo”, com Mamadou Ba (Universidade British Columbia/Canadá).
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