A mais recente reunião da Convenção sobre Espécies Migratórias de Animais Selvagens (também conhecida como Convenção de Bonn) (COP-14) está ocorrendo no Uzbequistão este mês, e o governo do Brasil propôs proteções para duas espécies de bagre com migrações extraordinárias, o dourado e a piramutaba (manitoa). A jornada migratória do dourado, por exemplo, abrange uma distância de mais de 11.000 quilômetros de ida e volta, dos Andes à foz do rio Amazonas, e ao longo do caminho conecta vários ecossistemas e alimenta comunidades de pesca locais e indígenas, mas está sob crescente ameaça. “Durante a COP-14, o dourado e a piramutaba terão um lugar de destaque graças à proposta do Governo Brasileiro de incluí-los no Apêndice II da CMS… É essencial que os governos presentes na reunião adotem a proposta do Brasil”, argumenta um novo artigo de opinião. Este artigo é um comentário. As opiniões expressas são do autor, não necessariamente da Mongabay. A Amazônia é a maior bacia biologicamente diversa do mundo. Sua floresta tropical, a maior floresta tropical contínua do planeta, desempenha um papel crítico na regulação do clima global. A Bacia Amazônica também representa o maior sistema de rios e áreas úmidas do mundo e abriga mais de 47 milhões de pessoas, incluindo cerca de 1,5 milhão de povos indígenas cujas vidas, cultura e meios de subsistência estão intimamente relacionados às suas águas.
Essas águas fornecem habitat para mais de 2.500 espécies de peixes cientificamente descritas. Algumas delas têm a distinção de completar as maiores migrações de peixes de água doce na Terra. Na 14ª Conferência das Partes da Convenção sobre Espécies Migratórias de Animais Selvagens – ou CMS COP-14 – que ocorre no Uzbequistão este mês, o governo do Brasil propôs conservar duas espécies de bagre com migrações extraordinárias, o dourado e a piramutaba (manitoa). Os movimentos migratórios do bagre dourado (Brachyplatystoma rouseauxii) são amplamente reconhecidos na Bacia Amazônica. Sua jornada migratória abrange uma distância impressionante de mais de 11.000 quilômetros de ida e volta, de áreas de desova nos Andes a áreas de berçário na foz do rio Amazonas no Oceano Atlântico. Acredita-se que a rota migratória do dourado, embora ainda não totalmente desvendada, o leve por pelo menos seis países, incluindo Equador, Peru, Bolívia, Brasil, Colômbia e Venezuela.
Uma combinação de fatores que incluem sua abundância, tamanho e comportamento de cardume tornam as espécies de peixes migratórios as mais importantes capturadas nas pescarias comerciais da Amazônia, mas também uma das mais vulneráveis. As migrações dessas e outras espécies de peixes da Amazônia os marcam como sentinelas da saúde e da grande conectividade dos rios, lagos, florestas inundadas e savanas inundadas da Amazônia. Esses peixes são críticos para a saúde terrestre da região e são embaixadores do bem-estar e dos meios de subsistência dos povos da Amazônia.
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No entanto, muitas das mesmas pressões humanas que agora causam estragos nas florestas da Amazônia também minam seus ecossistemas de água doce – desde o desmatamento e a degradação florestal, estradas e barragens hidrelétricas até a mineração de ouro aluvial, expansão agrícola e pesca excessiva – esses e outros fatores afetam a integridade ecológica e a conectividade de toda a Amazônia. O declínio dessas espécies migratórias de longa distância representaria um ponto de inflexão tanto para as pescarias da Amazônia quanto para a biodiversidade aquática em geral. Para garantir a conservação das grandes espécies de peixes de água doce migratórios como o dourado e a piramutaba, é essencial implementar medidas de gestão sustentável e conservar seus habitats em áreas-chave para seu ciclo de vida, como desova e alimentação.
Ao garantir suas rotas de migração e conservar seus ecossistemas aquáticos na Amazônia, podemos garantir um futuro sustentável tanto para sua biodiversidade quanto para as pessoas que dependem deles. A inclusão do dourado e da piramutaba no Apêndice II da CMS é um passo crítico nesta direção.
Durante a COP-14, o dourado e a piramutaba terão um lugar de destaque graças à proposta do Governo Brasileiro de incluí-los no Apêndice II da CMS, que abrange espécies migratórias cujo status de conservação se beneficiaria consideravelmente da cooperação internacional. As espécies migratórias não conhecem fronteiras e sua conservação só pode ser eficaz com a cooperação transfronteiriça. Os órgãos governamentais em toda a Bacia Amazônica devem reconhecer e conectar iniciativas bem-sucedidas lideradas por povos indígenas, comunidades locais, empresas privadas e organizações da sociedade civil ao mesmo tempo em que redes de colaboração em toda a bacia, como a Aliança das Águas da Amazônia, têm fomentado – e continuam a fomentar – tais colaborações transfronteiriças necessárias.
A Wildlife Conservation Society e nossos parceiros na Aliança das Águas da Amazônia têm esperança de que este esforço, se bem-sucedido, estimulará uma maior cooperação em direção à sua gestão sustentável e à conservação de seus habitats. Um foco chave desta COP da CMS é o conceito de conectividade, e nenhuma espécie epitomiza mais essa ideia do que os incríveis bagres migratórios da Amazônia. É essencial que os governos presentes na reunião adotem a proposta do Brasil.
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