
Último rito da festa reuniu tradição, disputa, música e partilha em Alter do Chão, marcando o encerramento de mais uma edição de uma das maiores manifestações culturais da Amazônia paraense.
Neste artigo
Ao som de cantos, ladainhas e muita celebração, o Sairé 2026 chegou ao fim na manhã desta segunda-feira, 21 de setembro, em Alter do Chão, distrito de Santarém, no oeste do Pará. A tradicional Derrubada dos Mastros reuniu moradores, turistas e brincantes em um momento marcado pela fé, ancestralidade e alegria coletiva.
A cerimônia representa muito mais do que o encerramento da programação. Para a comunidade, o ritual simboliza a renovação dos compromissos com a cultura local e a continuidade de uma manifestação que atravessa gerações, preservando saberes e costumes do povo Borari.
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Derrubada dos Mastros mantém viva a tradição
O ritual começou com uma bênção, seguida pelo cortejo ao redor dos dois mastros que simbolizam o Sairé. Conforme a tradição, os peconheiros escalaram as estruturas para retirar as frutas, a garrafa de cachaça e as bandeiras posicionadas no alto.
A cerimônia também contou com a tradicional disputa entre homens e mulheres. Neste ano, as mulheres foram as primeiras a retirar a bandeira, enquanto os homens conseguiram concluir primeiro a derrubada dos mastros.
A competição, acompanhada com entusiasmo pelo público, é uma das características mais marcantes da celebração e reforça o caráter comunitário da festividade.
Embora os mesmos juízes permaneçam responsáveis pelo rito, a cerimônia de entrega das bandeiras foi mantida, preservando o simbolismo da continuidade.
Varrição, Quebra-Macaxeira e partilha do tarubá
Com os mastros no chão, o barracão, anteriormente dedicado às orações, voltou a receber a celebração festiva.
Durante a tradicional varrição, os foliões percorreram as barracas da praça em busca de doações de mantimentos e bebidas destinadas à confraternização.
A programação também contou com o Quebra-Macaxeira e a partilha do tarubá, bebida indígena fermentada que ocupa lugar especial nas tradições do Sairé.
Esses momentos representam a união entre os participantes e reforçam o sentido coletivo da festa, na qual a partilha e a convivência comunitária são tão importantes quanto as apresentações culturais.
Cultura e turismo movimentam a economia local
Além de preservar a ancestralidade amazônica, o Sairé também contribui para o turismo e a geração de renda em Santarém.
Com o tema “Rêdawa Ancestral”, o Sairé 2026 destacou o Rito Tradicional e as apresentações dos Botos Rosa e Tucuxi, valorizando diferentes expressões da cultura regional. A festividade encerrou mais um ciclo reafirmando a importância da preservação dos saberes do povo Borari.
Entre cantos, fé, folia e tarubá, o Sairé se despediu de 2026 deixando viva a expectativa para o próximo encontro, quando a comunidade voltará a celebrar sua história e ancestralidade.
Foto: Ronaldo Ferreira/ CCOM
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