Dez lugares da Terra Firme ganham roteiro de memória em Belém, com Campus do Museu Goeldi e legado de educadora

Dez lugares da Terra Firme ganham roteiro de memória em Belém, com Campus do Museu Goeldi e legado de educadora
Foto: Divulgação

Exposição a céu aberto transforma pontos do bairro em paradas de um percurso sobre história, cultura e conhecimento comunitário.

Neste artigo
  1. Um museu espalhado pelas ruas do bairro
  2. Por que o Museu Goeldi entrou no percurso
  3. Ciência fora dos muros e conhecimento produzido no bairro
  4. Como visitar a abertura em Belém

Quem caminhar pela Terra Firme, em Belém, poderá encontrar a história do bairro marcada em totens instalados em dez locais de referência para a comunidade. A exposição ao ar livre “Percurso em Terra Firme” será lançada nesta sexta-feira, 28 de agosto de 2026, das 14h às 18h, na Paróquia São Domingos de Gusmão. O Campus de Pesquisa do Museu Paraense Emílio Goeldi é uma das paradas do roteiro, que apresenta a memória do território a partir dos vínculos construídos pelos moradores.

A iniciativa foi organizada pelo Ponto de Memória da Terra Firme, reconhecido em 2009 pelo Instituto Brasileiro de Museus, o Ibram, como um museu a céu aberto. Em vez de concentrar os registros em uma sala de exposição, o projeto distribui informações pelo próprio bairro e convida o público a percorrer espaços associados à vida cotidiana, às manifestações culturais, à religiosidade, ao comércio e à relação com o rio Tucunduba.

Um museu espalhado pelas ruas do bairro

Os totens vão contar por que cada endereço é importante para a história local. Foram selecionados o Jardim Comunitário Madalena Pantoja, o Mural Memorial Helena Quadros, a Paróquia São Domingos de Gusmão, o Mercado Luar de Paquetá, a Feira da Terra Firme, o Instituto Cultural Boi da Terra, a Associação Cultural Boi Marronzinho, o Chalé da Paz, o Rio Tucunduba e o Campus de Pesquisa do Museu Goeldi.

A escolha dos pontos resultou de uma pesquisa sobre os sentimentos de pertencimento e cidadania associados a esses lugares. A proposta, portanto, não trata apenas de preservar prédios ou paisagens. O percurso registra relações construídas por quem vive na Terra Firme e reconhece que a memória de uma comunidade também está em seus encontros, festas, mercados, grupos culturais, espaços de fé e iniciativas coletivas.

Para a coordenadora do Ponto de Memória da Terra Firme, Sâmia Queiroz, o roteiro foi pensado para ser informativo, interativo, participativo e educativo, especialmente para os moradores. A ideia é que o percurso possa ser usado por diferentes públicos, mas sem retirar da comunidade o papel central na escolha e na interpretação dos lugares.

Por que o Museu Goeldi entrou no percurso

O Campus de Pesquisa do Museu Goeldi está instalado na Terra Firme há quase 50 anos. Além de abrigar pesquisas e atividades de formação acadêmica, a unidade manteve ações de educação e divulgação científica junto aos moradores. Essa presença prolongada fez do espaço uma referência na relação entre a instituição de pesquisa e o bairro.

A história dessa aproximação passa pela educadora e servidora Helena Quadros, homenageada no percurso. Ela entrou para o quadro do Museu Goeldi poucos anos depois da criação do Campus de Pesquisa, em 1978, e trabalhou na instituição de 1985 a 2021. Ao longo da carreira, dedicou-se à popularização da ciência na Amazônia e coordenou projetos de extensão voltados à comunidade.

Entre as iniciativas ligadas a Helena estiveram “O Museu Goeldi Leva Educação e Ciência à Comunidade” e “Museu Goeldi de Portas Abertas”. Com apoio institucional, ela também participou da implantação de hortas comunitárias, de oficinas de alimentação saudável, da criação de jogos educativos e de ações de arborização nas margens do rio Tucunduba.

Segundo o Museu Paraense Emílio Goeldi, a educadora foi uma das fundadoras do Ponto de Memória da Terra Firme em 2009, fortalecendo a aproximação entre os moradores e a experiência museal no próprio território. A trajetória ajuda a explicar por que o Campus de Pesquisa aparece ao lado de espaços culturais e comunitários na exposição.

Ciência fora dos muros e conhecimento produzido no bairro

A presença do Museu Goeldi no roteiro também amplia o significado de divulgação científica em Belém. O conhecimento não aparece apenas como resultado de pesquisas realizadas dentro de laboratórios. Na experiência descrita pelo Ponto de Memória, ele também se forma no diálogo com escolas, professores, estudantes, lideranças comunitárias e famílias.

Dez lugares da Terra Firme ganham roteiro de memória em Belém, com Campus do Museu Goeldi e legado de educadora
Foto: Divulgação

Essa perspectiva é especialmente relevante para a Terra Firme, onde ações educativas foram associadas a temas práticos, como alimentação, cultivo, arborização e cuidado com as margens do Tucunduba. O percurso transforma essas experiências em parte da narrativa pública do bairro e mostra que a história da ciência na cidade pode ser contada a partir das relações estabelecidas com as comunidades.

O diretor do Museu Goeldi, Nilson Gabas Jr., afirmou que a participação representa uma forma de reconhecer a história compartilhada entre a instituição e a Terra Firme. Para ele, o diálogo desenvolvido por Helena Quadros com moradores e organizações locais tem importância tanto para a trajetória do Museu quanto para o fortalecimento das relações com o entorno.

Sâmia Queiroz destaca que o legado de Helena está na defesa de uma educação construída a partir da base, valorizando os saberes populares e a capacidade dos moradores de produzir conhecimento e cultura. O ponto central do projeto é justamente deslocar o olhar sobre o bairro: a Terra Firme não aparece apenas como cenário, mas como território de memória, participação e criação.

Como visitar a abertura em Belém

A cerimônia de lançamento ocorre na sexta-feira, 28 de agosto, no salão paroquial da Paróquia São Domingos de Gusmão, na Terra Firme. A programação começa às 14h, com acolhida, seguida por uma rodada de carimbó do grupo Belas Firmes, às 14h20, e pela mesa de abertura, às 14h40.

Às 15h, será apresentado o projeto “Percurso em Terra Firme”. Às 15h30, a programação terá uma homenagem aos coletivos culturais do bairro. Depois do coquetel, previsto para 16h30, o público acompanhará, às 17h, o cortejo cultural do percurso. O encerramento está marcado para 18h, na Comunidade São Guido Tucunduba.

O e-book com informações sobre a iniciativa e os dez locais pode ser consultado no documento completo do Percurso em Terra Firme. A partir do lançamento, os totens passam a funcionar como pontos de leitura para quem mora no bairro e para visitantes interessados em conhecer uma parte da história social e cultural de Belém.

O que você precisa saber

  • Quando será a abertura? Na sexta-feira, 28 de agosto de 2026, das 14h às 18h.

  • Onde acontece? No salão paroquial da Paróquia São Domingos de Gusmão, na Terra Firme, em Belém.

  • Quantos locais fazem parte do percurso? Dez pontos escolhidos a partir da relação dos moradores com o bairro.

O roteiro começa a ser apresentado ao público nesta sexta-feira e seguirá como uma forma de acesso permanente às memórias associadas aos locais selecionados na Terra Firme.

Com informações do Museu Paraense Emílio Goeldi.

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