
Estado registra 10% de jovens com negócio próprio e aparece entre os líderes do país.
Neste artigo
O Pará está entre os estados brasileiros com maior taxa de jovens empreendedores. Uma análise do Sebrae no Pará, baseada em dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua, a PNAD Contínua, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, mostra que 10% dos jovens paraenses têm negócio próprio. Considerando todas as pessoas com 14 anos ou mais, 19 em cada 100 são donas de negócios, índice que coloca o estado no primeiro lugar nacional, empatado com Santa Catarina.
Os dados ajudam a explicar a presença crescente de jovens em atividades como comércio, prestação de serviços, produção cultural e negócios digitais. Em muitos casos, empreender aparece como alternativa de renda, porta de entrada no mercado de trabalho ou caminho para transformar uma habilidade em atividade econômica.
Pará se destaca entre os estados brasileiros
Quando o recorte considera toda a população em idade de trabalhar, o Pará apresenta o maior percentual do país, ao lado de Santa Catarina. O indicador considera pessoas a partir dos 14 anos que são donas de negócios, sem limitar a análise a empresas formalizadas em um determinado regime.
Já na faixa exclusivamente jovem, o estado ocupa a nona posição nacional e a terceira colocação entre os estados da Região Norte. Nesse grupo, de cada 100 jovens paraenses, 10 possuem o próprio negócio. A taxa mostra que o empreendedorismo tem ganhado espaço mesmo entre pessoas que ainda estão no início da trajetória profissional.
Segundo o Sebrae no Pará, os dados foram calculados a partir da PNAD Contínua do IBGE e mostram a dimensão da participação empreendedora no estado. Em 2025, 37% dos jovens donos de negócios eram os principais responsáveis pela família, percentual superior aos 32% registrados em 2012.
Entenda o caso
A análise considera como jovens os empreendedores de até 29 anos. O levantamento também observa a relação entre empreendedorismo, estudo e responsabilidade familiar.
No Brasil, 14,6% dos jovens donos de negócios frequentavam instituições de ensino. O percentual é quatro vezes maior que o registrado entre empreendedores adultos, de 3,6%, e 14 vezes superior ao observado entre empreendedores seniores, de 1%.
Estudo e negócio dividem espaço
Conciliar uma empresa ou atividade autônoma com a formação educacional é um dos principais desafios para quem começa a empreender cedo. A rotina pode envolver aulas, provas, trabalho, atendimento a clientes, divulgação nas redes sociais e controle financeiro.
Apesar das dificuldades, o negócio próprio também pode funcionar como uma forma de adquirir experiência antes da conclusão da graduação ou de um curso técnico. Para parte dos jovens, a atividade começa de maneira informal ou como complemento de renda e, com o tempo, passa a exigir organização, registro e planejamento.
Segundo o Sebrae, 14,6% dos jovens donos de negócios no Brasil frequentavam instituições de ensino, conforme os dados analisados na PNAD Contínua. O número indica que o empreendedorismo jovem não ocorre necessariamente depois da formação, mas muitas vezes ao mesmo tempo em que os estudos continuam.
Produtor de eventos começou aos 19 anos
Em Ananindeua, na Grande Belém, o produtor de eventos Paulo Yuri, de 22 anos, transformou uma iniciativa voltada ao público jovem em atividade profissional. Ele criou a marca HyzeFest aos 19 anos, depois de concluir o Ensino Médio e o curso técnico administrativo, em 2022.
Sem aprovação no Exame Nacional do Ensino Médio na primeira tentativa, Paulo decidiu começar a trabalhar. Em janeiro de 2023, organizou a primeira festa, durante o Carnaval. Depois, vieram eventos de São João e Halloween. A marca se consolidou no circuito de eventos voltados à juventude de Ananindeua.
“Eu não queria tentar mais uma vez, eu já queria começar a graduação ou trabalhar. Foi aí que, em janeiro de 2023, fiz minha primeira festa, no Carnaval. Depois, fiz a de São João e, posteriormente, a de Halloween”, relembra Paulo Yuri.
Além de administrar a produtora, o jovem ingressou no curso de Odontologia e precisou conciliar a faculdade com a gestão dos eventos. Ele também enfrentou a desconfiança de possíveis parceiros, que questionavam a experiência de um empreendedor de apenas 19 anos.
“Não acreditavam no projeto. Achavam que era muito arriscado investir numa produtora em que o dono só tinha 19 anos. E por muito tempo tive que fazer a festa sozinho, sem apoio algum”, afirmou.
A trajetória de Paulo representa uma das características do empreendedorismo jovem: a entrada no mercado costuma ocorrer com poucos recursos, mas também pode ser impulsionada por redes sociais, conhecimento sobre um público específico e capacidade de identificar oportunidades locais.
O que os dados mostram para o Pará
O resultado coloca o empreendedorismo jovem como um tema relevante para políticas de qualificação, acesso a crédito e formalização. No Pará, iniciativas desse tipo podem alcançar estudantes, trabalhadores autônomos e pessoas que começam pequenos negócios em áreas como alimentação, beleza, tecnologia, eventos e comércio.
Para quem deseja abrir uma empresa, o Sebrae oferece conteúdos sobre planejamento, gestão, formalização e mercado. O Portal Sebrae reúne cursos e orientações para empreendedores, incluindo materiais voltados a quem está começando.
O acompanhamento de novas edições da PNAD Contínua permitirá verificar como a participação dos jovens empreendedores evolui no Pará e se o estado mantém a posição entre os líderes nacionais.
Perguntas frequentes
Qual é a taxa de jovens empreendedores no Pará?
De acordo com a análise do Sebrae no Pará, 10% dos jovens paraenses têm negócio próprio, o equivalente a 10 pessoas a cada 100.
Qual é a taxa geral de empreendedorismo no estado?
Considerando pessoas com 14 anos ou mais, 19 em cada 100 paraenses são donos de negócios. O índice é o maior do país, empatado com Santa Catarina.
Como os dados foram obtidos?
Os números foram analisados pelo Sebrae no Pará a partir da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua, do IBGE.
Com informações de Sebrae no Pará.
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