
O Pará poderá avançar na organização e no fortalecimento do turismo ecológico com a criação de uma política pública voltada ao apoio de trilhas e rotas naturais. A Assembleia Legislativa do Estado do Pará aprovou, no dia 15 de setembro de 2026, o Projeto de Lei nº 6/2025, que propõe a criação da Política Estadual de Apoio às Trilhas e Rotas Ecológicas.
Neste artigo
A proposta busca incentivar a criação, a manutenção e a divulgação de percursos turísticos em áreas naturais. A iniciativa prevê a participação de municípios, comunidades locais, proprietários de terras e entidades privadas, com o objetivo de estimular o aproveitamento responsável dos recursos ambientais e culturais do estado.
Conforme o andamento apresentado, o projeto aguarda sanção ou veto. A aprovação pelos parlamentares representa uma etapa do processo de criação da política pública.
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Natureza amazônica como oportunidade de desenvolvimento
Com sua extensa biodiversidade, rios, florestas, ilhas e praias, o Pará reúne características que favorecem diferentes experiências de turismo de natureza. Trilhas ecológicas podem aproximar visitantes da fauna, da flora e das paisagens amazônicas, além de contribuir para a valorização dos conhecimentos e das tradições das comunidades.
A organização de rotas turísticas pode ampliar as possibilidades de visitação em diferentes regiões do estado. Caminhadas em áreas naturais, observação de espécies, atividades educativas e visitas guiadas estão entre as experiências que podem integrar roteiros planejados de acordo com as condições de cada território.
Além de movimentar o setor turístico, a iniciativa pode criar oportunidades para pequenos negócios. Hospedagens familiares, restaurantes, serviços de transporte, produção artesanal e condução de visitantes são atividades que podem se beneficiar do aumento planejado do fluxo turístico.
Para que esse desenvolvimento ocorra de maneira equilibrada, é necessário considerar a infraestrutura disponível, a segurança dos visitantes e as características ambientais dos locais escolhidos.
Comunidades locais podem fortalecer a economia
A participação dos moradores é um dos elementos importantes para o desenvolvimento de um turismo ecológico que gere benefícios nos próprios destinos. Comunidades situadas próximas a áreas de interesse ambiental podem contribuir com conhecimentos sobre os caminhos, os rios, a vegetação e a fauna regional.
Esse conhecimento pode ser incorporado às experiências turísticas, respeitando os direitos, os saberes e as decisões das populações envolvidas. A atuação de guias locais, barqueiros, artesãos e trabalhadores da alimentação também pode abrir novas possibilidades de geração de renda.
Entretanto, a expansão do turismo não garante, por si só, uma distribuição equilibrada dos benefícios econômicos. Para que a atividade contribua efetivamente com as famílias, são necessárias ações de capacitação, planejamento, infraestrutura e participação comunitária.
A valorização dos moradores deve estar associada ao respeito pelos territórios e pelos modos de vida tradicionais. Dessa maneira, o turismo pode ser desenvolvido como uma atividade complementar, sem desconsiderar as necessidades de quem vive nas regiões visitadas.
Potencial turístico alcança diferentes regiões paraenses
A política proposta pode estimular a valorização de municípios e comunidades que ainda possuem pouca participação nos roteiros turísticos convencionais. Regiões como o Marajó, o Baixo Amazonas, o nordeste paraense e o entorno de Belém apresentam paisagens e manifestações culturais que podem integrar experiências de turismo ecológico.
A criação de novos percursos precisa, porém, respeitar as particularidades de cada região. Condições de acesso, capacidade de receber visitantes, proteção ambiental e participação dos moradores devem fazer parte do planejamento.
Quando estruturado de maneira responsável, o turismo de natureza pode favorecer a circulação de recursos na economia local e ampliar o interesse por territórios que preservam importantes patrimônios naturais e culturais.
Próximas etapas dependem da tramitação do projeto
Após a aprovação pela Assembleia Legislativa, o Projeto de Lei nº 6/2025 aguarda a definição sobre sanção ou veto. Caso seja sancionado, a implementação da política dependerá das providências administrativas e da articulação entre os órgãos públicos e os demais participantes previstos na proposta.
O fortalecimento do turismo ecológico no Pará envolve desafios relacionados à preservação ambiental, à infraestrutura e à distribuição dos benefícios econômicos. A criação de trilhas e rotas naturais poderá contribuir para esse processo, desde que acompanhada de planejamento e respeito às comunidades.
A proposta coloca em evidência o potencial da Amazônia paraense como espaço de experiências turísticas que aproximam visitantes da natureza e da cultura regional, conciliando a valorização dos territórios com a necessidade de conservação.
Fonte: Alepa
Fotos: Flavio Contente/ Pará+
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