
Produzida em Castanhal com fibras de malva amazônica, a corda de 800 metros será utilizada no Círio e na Trasladação, reunindo fé, tradição e valorização da produção paraense.
Neste artigo
A corda que será utilizada no Círio de Nazaré e na Trasladação de 2026 chegou a Belém por volta das 11h20 desta quarta-feira (23), após sair de Castanhal, no nordeste paraense. O material foi recebido na Estação Padre Luciano Brambilla, no estacionamento da Basílica Santuário de Nazaré, marcando mais uma etapa dos preparativos para a maior manifestação religiosa dos paraenses.
Antes de seguir para a capital, a corda foi entregue oficialmente à Diretoria da Festa de Nazaré (DFN), durante uma cerimônia realizada na Companhia Têxtil de Castanhal (CTC). O momento reuniu trabalhadores da empresa, representantes da organização do Círio e integrantes da Guarda de Nazaré.
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Após receber uma bênção, o material foi colocado no veículo responsável pelo transporte e seguiu viagem até Belém, acompanhado por equipes da Guarda de Nazaré. A chegada aconteceu dez minutos antes do horário inicialmente previsto.
Produção paraense valoriza a agricultura familiar
Pelo quarto ano consecutivo, a corda do Círio foi produzida integralmente no Pará. Desde 2023, a Companhia Têxtil de Castanhal é responsável pela fabricação e doação do material à Diretoria da Festa.
A corda é confeccionada com fibras de malva amazônica, cultivadas por agricultores familiares de mais de 20 municípios paraenses. A cadeia produtiva envolve mais de mil famílias, que participam do fornecimento da matéria-prima utilizada na fabricação.
Em 2026, o processo de desenvolvimento durou sete meses, sendo três dedicados ao planejamento e quatro à produção industrial. Mais de 480 trabalhadores participaram das diferentes etapas.
A fabricação local representa uma mudança importante na história do Círio. Até 2022, a corda era produzida em Santa Catarina, utilizando fibras de sisal. Com a transferência da produção para Castanhal, o símbolo religioso passou a carregar também a identidade da agricultura e da indústria amazônicas.
Corda possui 800 metros de comprimento
O material produzido para o Círio 2026 possui 800 metros de extensão e 60 milímetros de diâmetro. A corda será dividida em dois trechos de 400 metros, destinados às duas principais procissões da festividade.
Uma parte será utilizada na Trasladação, marcada para o sábado, 10 de outubro. A outra acompanhará a grande procissão do Círio de Nazaré, no domingo, 11 de outubro.
Durante a fabricação, os pontos que recebem maior esforço foram reforçados, especialmente os nós e as argolas que conectam a corda às estações metálicas.
O material também passou por testes de resistência e tração, procedimentos necessários para verificar suas condições antes de ser utilizado pelos milhares de promesseiros que acompanham as romarias.
Vistoria oficial acontece no sábado
Com a chegada a Belém, a corda ficará armazenada na Estação Padre Luciano Brambilla até a vistoria oficial, programada para sábado (26), às 15h, no Colégio Santa Catarina de Sena, no bairro de Nazaré.
Durante o procedimento, integrantes da Diretoria da Festa e da Guarda de Nazaré verificarão as condições do material, incluindo os nós, as argolas e as estações metálicas.
A inspeção também inclui a conferência dos 800 metros de comprimento e a avaliação dos pontos que recebem maior pressão durante as procissões.
Após a vistoria, a parte destinada à Trasladação permanecerá exposta na Estação Padre Luciano Brambilla. Já o trecho que será utilizado no Círio seguirá para a Estação das Docas.
Os dois materiais ficarão em exposição até 11 de outubro, permitindo que moradores e visitantes conheçam de perto um dos maiores símbolos da devoção nazarena.
Uma tradição que atravessa gerações
A história da corda no Círio começou em 1855, quando uma enchente da Baía do Guajará deixou parte do percurso entre o Ver-o-Peso e as Mercês coberta de lama.
Na ocasião, a berlinda ficou atolada, e uma corda foi utilizada para que os próprios fiéis ajudassem a movimentá-la.
A solução improvisada tornou-se uma tradição e, em 1885, a corda foi incorporada oficialmente à procissão.
Ao longo dos anos, o material passou por mudanças em sua estrutura, mas manteve o significado religioso para os devotos.
Atualmente, a corda representa a ligação física e simbólica entre os promesseiros e a berlinda de Nossa Senhora de Nazaré.
Sua chegada a Belém antecipa a emoção das grandes romarias de outubro e reforça a participação de milhares de paraenses na construção de uma tradição que une fé, trabalho e identidade cultural.
Foto: Rosa Pinto ASCOM/DFN
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