
O Brasil deve ter uma temporada de dengue maior em 2027 do que a deste ano. Uma projeção apresentada em 6 de novembro de 2026 por um consórcio de pesquisadores da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), da Fundação Getulio Vargas (FGV), do Mosqlimate e do InfoDengue estima cerca de 860 mil casos prováveis no país, com pico de cerca de 40 mil casos em abril. O Ministério da Saúde, em nota técnica sobre o El Niño, trabalha com um cenário de cerca de 1 milhão de casos prováveis. Para a Região Norte, a previsão oficial é de notificações iguais ou menores que as de 2025, com possível alta de cerca de 10% em um cenário de super El Niño.
Neste artigo
As duas projeções
| Quem | Projeção para 2027 | Faixa |
|---|---|---|
| Consórcio Fiocruz, FGV, Mosqlimate e InfoDengue | cerca de 860 mil casos prováveis | de 560 mil a 1,6 milhão |
| Ministério da Saúde (modelo InfoDengue, nota técnica de julho) | cerca de 1 milhão de casos prováveis (1,7 milhão de suspeitos) | de 600 mil a 3,6 milhões de prováveis |
A projeção do consórcio reuniu 22 modelos de mais de 130 pesquisadores de oito países e foi preparada para o Ministério da Saúde. Ela aponta aumento de casos no Paraná, no Rio de Janeiro, em Mato Grosso do Sul, em Sergipe, no Acre e em Minas Gerais. Para a chikungunya, a estimativa é de mais de 90 mil casos.
“É o momento de organizar a rede e intensificar a prevenção”, disse a pesquisadora Claudia Codeço, da Fiocruz, coordenadora do InfoDengue.
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Por que o El Niño preocupa
Segundo o Ministério da Saúde, os últimos El Niños fortes, em 2015 e 2016 e em 2023 e 2024, foram seguidos de grandes epidemias de dengue. O calor acelera o ciclo do mosquito e do vírus. Em julho, o ministério alertou estados e municípios para um possível aumento das arboviroses e recomendou revisar os planos de contingência.
Na nota técnica, o ministério projeta que, com um super El Niño, o Sudeste pode ter o dobro de casos e o Sul cerca de 20% a mais, enquanto o Norte teria cerca de 10% a mais.
Como está 2026
Até o fim de setembro, o país somava cerca de 470 mil casos prováveis de dengue em 2026, cerca de 70% a menos que os 1,5 milhão do mesmo período de 2025, segundo o Ministério da Saúde. Os quatro sorotipos do vírus circulam no país, com predomínio do tipo 2 e expansão do tipo 3.
O levantamento de infestação do mosquito (LIRAa) feito em 2026 mostrou que 49,2% de 3.732 municípios avaliados estavam em situação de alerta ou de risco. No Norte, os principais criadouros encontrados foram pneus e lixo.
O que o governo vai fazer
- capacitação de mais 300 mil profissionais;
- armadilhas para ovos do mosquito, as ovitrampas, em cerca de 2 mil municípios;
- borrifação residual em imóveis e estações que espalham larvicida;
- uso do método Wolbachia, que reduz a capacidade do mosquito de transmitir o vírus;
- organização da atenção básica para atender o aumento da procura.
Como se proteger em casa
- Tire água parada de pneus, vasos, garrafas, calhas e caixas-d’água sem tampa, pelo menos uma vez por semana;
- guarde pneus em local coberto e descarte o lixo corretamente;
- use repelente e telas nas janelas, principalmente em áreas com casos;
- febre alta, dor no corpo e atrás dos olhos e manchas na pele são sinais de dengue: procure a unidade de saúde e não tome remédio por conta própria.
Em Belém, o descarte correto de entulho e pneus ajuda a reduzir criadouros. Veja o calendário da coleta de entulho em novembro.
Perguntas frequentes
Quantos casos de dengue são esperados em 2027?
Cerca de 860 mil casos prováveis, segundo a projeção do consórcio Fiocruz, FGV e InfoDengue, e cerca de 1 milhão no cenário do Ministério da Saúde.
Quando é o pico?
Em abril de 2027, segundo a projeção do consórcio.
E no Pará?
Para o Norte, a previsão oficial é de casos iguais ou menores que em 2025, com alta de até cerca de 10% num cenário de super El Niño.
Com informações do Ministério da Saúde e da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz).
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