
O Pará alcançou a quarta posição entre os estados brasileiros com maior taxa de investimentos em 2025, resultado que colocou o Estado em evidência no Ranking de Competitividade dos Estados de 2026. O levantamento também apontou o avanço paraense no pilar de Solidez Fiscal, no qual a unidade federativa conquistou o quinto lugar nacional e a liderança entre os sete estados da Região Norte.
Neste artigo
O desempenho revela a capacidade do poder público de direcionar parte dos recursos arrecadados para investimentos em infraestrutura, equipamentos e obras públicas. Mais do que uma posição em um ranking, o resultado permite observar como a gestão dos recursos estaduais pode influenciar a realização de projetos e a ampliação de serviços destinados à população.
O que explica a posição do Pará

O Ranking de Competitividade dos Estados é elaborado pelo Centro de Liderança Pública (CLP) e avalia o desempenho das unidades da Federação em diferentes áreas da administração pública. A edição de 2026 reúne dez pilares de análise, entre eles a Solidez Fiscal, responsável por 10,5% da composição da nota geral.
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Dentro desse pilar, a Taxa de Investimentos é um dos nove indicadores utilizados para avaliar a situação financeira dos estados. O cálculo considera a relação entre o investimento liquidado e a Receita Corrente Líquida (RCL). Em termos práticos, o indicador mostra qual proporção da receita disponível foi destinada a investimentos efetivamente realizados.
Quanto maior essa participação, melhor tende a ser o desempenho do estado nesse critério. Por isso, a quarta colocação do Pará representa um destaque na comparação nacional sobre a capacidade de transformar recursos públicos em investimentos.
O levantamento utiliza informações fiscais referentes ao exercício de 2025, extraídas do Sistema de Informações Contábeis e Fiscais do Setor Público Brasileiro. Assim, as posições divulgadas em 2026 refletem os resultados financeiros do ano anterior.
Evolução dos investimentos estaduais

Os números da Secretaria da Fazenda do Pará mostram que a participação dos investimentos em relação à Receita Corrente Líquida apresentou oscilações nos últimos anos. Em 2023, o percentual chegou a 15,47%, o maior resultado registrado no período de 2023 a 2025. No ano seguinte, recuou para 12,93%. Em 2025, voltou a crescer e alcançou 13,62%.
A recuperação em 2025 contribuiu para o desempenho do Estado no indicador de investimentos do ranking. O resultado também ajuda a compreender a importância de manter o equilíbrio entre as receitas, as despesas correntes e os recursos destinados a obras e projetos públicos.
Em 2026, os dados apresentados à Assembleia Legislativa do Pará mostraram que, entre janeiro e agosto, o Estado registrou R$ 2,83 bilhões em investimentos. No mesmo período, a Receita Corrente Líquida acumulada chegou a R$ 30,60 bilhões, correspondendo a uma relação de 9,24%.
Esse percentual é referente apenas aos oito primeiros meses do ano e, portanto, não deve ser comparado diretamente com os índices anuais de 2023, 2024 e 2025. Ainda assim, o volume de recursos executados demonstra a continuidade dos investimentos estaduais ao longo do exercício.
Solidez fiscal e planejamento

Além do destaque na taxa de investimentos, o Pará conquistou a quinta posição no pilar de Solidez Fiscal, avançando cinco colocações em relação à edição anterior. Foi o segundo maior crescimento entre os estados brasileiros nesse critério e o melhor resultado da Região Norte.
A avaliação considera nove indicadores relacionados à gestão e à saúde financeira dos governos estaduais. Entre os fatores que contribuíram para o avanço paraense estão o sucesso do planejamento orçamentário, o resultado primário, os gastos com pessoal e a poupança corrente.
Outro dado apresentado no balanço fiscal de 2026 foi o superávit primário de R$ 1,55 bilhão entre janeiro e agosto. O resultado foi obtido a partir de R$ 30,94 bilhões em receitas primárias e R$ 29,39 bilhões em despesas primárias. Esse indicador representa a diferença entre receitas e despesas primárias, sem considerar os juros da dívida pública.
A combinação entre planejamento, controle das despesas e capacidade de investimento é importante para a manutenção das contas públicas. Quando a arrecadação permite ampliar os recursos disponíveis sem comprometer o equilíbrio financeiro, o Estado ganha condições de executar políticas públicas e desenvolver projetos em diferentes áreas.
Investimento público e desenvolvimento

Os recursos destinados a obras, equipamentos e infraestrutura podem contribuir para mudanças na vida cotidiana da população. Creches, hospitais, terminais de transporte, equipamentos de segurança e espaços públicos estão entre os exemplos de estruturas que dependem de planejamento e capacidade de execução do orçamento.
No Pará, empreendimentos como o Hospital Estadual Materno-Infantil de Ananindeua, inaugurado em março de 2026, e os equipamentos do BRT Metropolitano ilustram áreas nas quais os investimentos públicos podem ampliar a estrutura de atendimento e mobilidade. A presença de projetos em diferentes municípios também evidencia a importância de distribuir os recursos para além dos principais centros urbanos.
O desafio, entretanto, não se limita a ocupar boas posições em avaliações nacionais. A continuidade dos resultados depende da evolução da arrecadação, das transferências recebidas, das despesas correntes e das obrigações financeiras do Estado. Também exige que os recursos previstos sejam executados com planejamento e eficiência.
A quarta posição em taxa de investimentos e o quinto lugar em Solidez Fiscal mostram o avanço do Pará em dois aspectos importantes da gestão pública. O impacto mais relevante desses indicadores, porém, está na capacidade de transformar o equilíbrio das contas e o planejamento orçamentário em melhorias concretas para os municípios e para a população paraense.
Fotos: Alexandre Costa/ Alex Ribeiro/ Bruno Cecim/ Ag.Pará
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