Whey com menos proteína que o rótulo: teste com 10 marcas e como conferir antes de comprar

Whey com menos proteína que o rótulo: teste com 10 marcas e como conferir antes de comprar
Foto: Ajay Suresh/Wikimedia Commons (CC BY 2.0). Medida de whey protein em pó, imagem ilustrativa.

Metade dos suplementos de whey protein analisados em um levantamento da Associação Brasileira de Combate à Falsificação (ABCF) tinha teor de proteína mais de 20% abaixo do valor informado no rótulo. A entidade analisou dez produtos escolhidos pela popularidade, pelo volume de buscas na internet, pelo desempenho de vendas no comércio eletrônico e pela faixa de preço. Só dois apresentaram mais proteína do que o declarado. No pior caso, um produto que informava 23 gramas de proteína por porção de 32 gramas tinha 2,3 gramas, uma diferença de cerca de 90%.

Neste artigo
  1. Como foi feito o teste
  2. O que diz a regra da Anvisa
  3. Como conferir o whey antes de comprar
  4. Comprei e desconfio do produto. O que fazer?
  5. Perguntas frequentes

Como foi feito o teste

Segundo a ABCF, o levantamento começou depois de uma denúncia sobre possíveis irregularidades no teor de proteína de suplementos. As amostras foram analisadas em laboratórios especializados pelo método Kjeldahl, procedimento padrão para medir proteína em alimentos.

O relatório usou como referência a margem de tolerância de até 20%, para mais ou para menos, entre o valor declarado na tabela nutricional e o encontrado em laboratório. Dos dez produtos:

  • dois tinham mais proteína do que o rótulo informava;
  • três ficaram abaixo do declarado, mas dentro da tolerância de 20%;
  • cinco ficaram abaixo da tolerância, com diferenças que foram de cerca de 28% a cerca de 90%.

A amostra é pequena e não representa todo o mercado. Mas o resultado repete um problema já apontado antes: em dezembro de 2024, a Secretaria Nacional do Consumidor (Senacon), do Ministério da Justiça, mandou suspender a venda de 48 marcas de whey em sites de comércio eletrônico, com base em um estudo da Associação Brasileira de Empresas de Produtos Nutricionais (Abenutri) que apontava proteína abaixo do rótulo. A medida foi contestada por outra entidade do setor, a Brasnutri, e o caso foi parar na Justiça.

O que diz a regra da Anvisa

Os suplementos alimentares seguem a Resolução RDC 243/2018 e a Instrução Normativa 28/2018, da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Para usar no rótulo expressões como “alto teor de proteína”, “rico em proteína” ou “excelente fonte de proteína”, o produto precisa oferecer pelo menos 20% do valor diário de referência por porção, o equivalente a 10 gramas de proteína.

Como conferir o whey antes de comprar

  1. Faça a conta da proteína: divida os gramas de proteína pela porção em gramas. Se a porção é de 30 gramas e o rótulo promete 24 gramas de proteína, são 80%.
  2. Desconfie do preço muito abaixo do mercado: compare o custo por grama de proteína entre marcas; um pote muito mais barato que a média merece atenção redobrada.
  3. Leia a lista de ingredientes: aminoácidos isolados adicionados, como glicina, taurina ou glutamina, aumentam o nitrogênio medido no teste e podem inflar o teor de proteína aparente. A prática, chamada de amino spiking, foi o problema apontado no estudo de 2024.
  4. Compare a porção: algumas marcas reduzem a porção para que a quantidade de proteína pareça alta. Compare sempre por 100 gramas.
  5. Compre em lojas de confiança: guarde a nota fiscal e o lote do produto.

Comprei e desconfio do produto. O que fazer?

  • Reclame com o fabricante e com a loja, informando o lote;
  • registre a queixa no Procon da sua cidade ou na plataforma consumidor.gov.br;
  • denuncie produtos irregulares à Anvisa e à vigilância sanitária do município.

Perguntas frequentes

Quanto de diferença o rótulo pode ter?

O levantamento da ABCF usou a tolerância de até 20%, para mais ou para menos, entre o rótulo e o resultado de laboratório.

Quantos produtos ficaram fora da tolerância?

Cinco dos dez analisados, com proteína mais de 20% abaixo do informado.

Whey com pouca proteína faz mal?

O problema principal é o consumidor pagar por uma proteína que não está no pote e não atingir a quantidade que planejou consumir. Quem usa suplemento por orientação médica ou nutricional deve conversar com o profissional se desconfiar do produto.

Com informações da Associação Brasileira de Combate à Falsificação (ABCF), da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e da Secretaria Nacional do Consumidor (Senacon).

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