
Um dos maiores símbolos do Círio de Nazaré já pode ser visto de perto por moradores, turistas e devotos em Belém. A corda que será utilizada na grande procissão do Círio 2026 está em exposição na Estação das Docas, após passar por uma vistoria completa realizada pela Diretoria da Festa de Nazaré e pela Guarda de Nazaré.
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O material chegou ao complexo turístico depois da revisão realizada no sábado, 26 de setembro, no Colégio Santa Catarina de Sena, no bairro de Nazaré. Durante o procedimento, foram conferidos nós, argolas, conexões com as estações metálicas e toda a extensão da corda.
Ao todo, o material produzido para as principais procissões possui 800 metros, divididos em duas partes de 400 metros. Um trecho será utilizado na Trasladação e permanece exposto na Estação Padre Luciano Brambilla, no estacionamento da Basílica Santuário. A outra parte, destinada ao Círio, está na Estação das Docas.
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Visitação segue até a véspera do Círio
A corda permanecerá na Estação das Docas até 10 de outubro, véspera da grande procissão.
Durante esse período, o público poderá conhecer de perto o símbolo que, no domingo do Círio, será acompanhado por milhares de promesseiros pelas ruas da capital paraense.
A visitação ocorre de domingo a quinta-feira, das 10h à meia-noite. Às sextas-feiras e aos sábados, o horário se estende das 10h até 1h da madrugada.
A exposição amplia a possibilidade de contato com a corda antes do momento em que ela passa a integrar a grande multidão da romaria.
Para muitos devotos, a oportunidade também representa um momento de oração, agradecimento e preparação para as celebrações de outubro.
Um símbolo produzido no Pará
A corda de 2026 foi produzida pelo quarto ano consecutivo no Pará, pela Companhia Têxtil de Castanhal.
O material é confeccionado com fibras de malva amazônica, matéria-prima cultivada em diferentes municípios paraenses e ligada à agricultura familiar.
A produção no estado começou em 2023, substituindo a fabricação anteriormente realizada em Santa Catarina, quando a corda era produzida com sisal.
A mudança aproximou ainda mais o símbolo religioso da identidade regional, envolvendo trabalhadores, agricultores e uma cadeia produtiva paraense na preparação de um dos elementos mais conhecidos do Círio.
Antes de chegar à exposição, a corda passou por etapas de fabricação, testes de resistência, transporte para Belém e inspeção detalhada.
Da Estação das Docas para as ruas de Belém
Localizada às margens da Baía do Guajará, a Estação das Docas se transforma durante a quadra nazarena em um dos pontos de encontro entre turismo, cultura e religiosidade.
A presença da corda amplia essa relação. Além de moradores, o espaço recebe visitantes que chegam a Belém justamente para acompanhar a programação do Círio.
A exposição permite que turistas conheçam melhor a dimensão cultural e religiosa da festividade antes das grandes romarias.
O contato com a corda também ajuda a explicar um dos elementos que mais despertam curiosidade em quem acompanha o Círio pela primeira vez.
Tradição começou no século XIX
A presença da corda no Círio remonta ao século XIX.
Em 1855, durante uma procissão, dificuldades no percurso fizeram com que uma corda fosse utilizada para ajudar na condução da berlinda.
O recurso acabou se tornando parte da tradição e, em 1885, foi incorporado oficialmente à procissão.
Ao longo das décadas, a estrutura passou por mudanças e adaptações, especialmente para melhorar a organização e a segurança dos promesseiros.
Hoje, a corda representa muito mais do que um elemento utilizado na condução da berlinda. Para milhares de pessoas, ela simboliza fé, sacrifício, agradecimento e ligação com Nossa Senhora de Nazaré.
Preparação para o grande dia
A exposição na Estação das Docas antecede um dos momentos mais esperados do calendário religioso paraense.
No domingo, 11 de outubro, o trecho atualmente exposto deixará de ser apenas um objeto de visitação e voltará a ocupar as ruas de Belém durante o Círio.
Até lá, moradores e visitantes podem conhecer de perto os 400 metros destinados à procissão, observar sua estrutura e vivenciar um pouco da atmosfera que toma conta da capital durante a quadra nazarena.
A presença da corda em um dos principais cartões-postais de Belém reforça a ligação entre fé, cultura, turismo e identidade paraense, elementos que fazem do Círio uma das manifestações mais importantes da Amazônia.
Fotos: Osmarino Souza
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