Brasil encosta nos EUA nas exportações agrícolas e pode assumir liderança mundial ainda em 2026

Brasil encosta nos EUA nas exportações agrícolas e pode assumir liderança mundial ainda em 2026
Foto: Vinicius Marques

Diferença entre os dois países caiu para US$ 2 bilhões em 2025, enquanto tecnologia e demanda chinesa ampliam a vantagem brasileira.

Neste artigo
  1. Uma corrida que se aproximou em dez anos
  2. O que mudou dentro das fazendas
  3. China amplia espaço para o produto brasileiro
  4. O que a liderança representaria para o Brasil
  5. Clima e preços ainda podem mudar o resultado

A disputa pelo topo do comércio agrícola mundial entrou em uma fase de diferença mínima. Em 2025, os Estados Unidos exportaram US$ 171 bilhões em produtos agrícolas, enquanto o Brasil alcançou US$ 169 bilhões. A distância de apenas US$ 2 bilhões coloca o país em condições de ultrapassar os norte-americanos ainda em 2026, caso mantenha o ritmo observado no início do ano.

O resultado não depende de um único produto. Soja, carnes, café, açúcar, milho e algodão formam a base de uma pauta que cresceu com o avanço da produtividade e com a expansão das safras brasileiras. No primeiro semestre de 2026, as exportações do agronegócio nacional somaram cerca de US$ 87 bilhões.

Uma corrida que se aproximou em dez anos

A aproximação entre Brasil e Estados Unidos é resultado de movimentos diferentes nos dois países. De um lado, produtores brasileiros ampliaram a produção com novas tecnologias, adaptação de cultivos e uso mais intenso de áreas agrícolas. De outro, os agricultores norte-americanos passaram a lidar com custos maiores, tarifas comerciais e redução de algumas vendas externas.

Entre 2015 e 2025, a produtividade agrícola brasileira cresceu 16%, segundo dados citados pela revista Veja. No mesmo período, o avanço registrado nos Estados Unidos foi de 9%. A diferença ajuda a explicar por que o Brasil conseguiu reduzir a vantagem norte-americana mesmo partindo de uma estrutura exportadora que ainda depende fortemente de produtos básicos.

Segundo a revista Veja, a produtividade agrícola brasileira cresceu 16% entre 2015 e 2025, enquanto a dos Estados Unidos avançou 9% no mesmo período.

O que mudou dentro das fazendas

A tecnologia não aparece apenas em máquinas maiores. Ela também está presente na escolha de sementes, no manejo do solo, na previsão climática e na adaptação de variedades a diferentes regiões. A Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária, a Embrapa, teve papel relevante no desenvolvimento de soluções para o cultivo em áreas do Cerrado.

Outro fator é a possibilidade de realizar até três safras por ano em determinadas regiões brasileiras. Esse calendário amplia o volume produzido em uma mesma área e ajuda a sustentar a oferta de grãos durante diferentes períodos. O efeito acumulado aparece tanto no mercado interno quanto na capacidade de abastecer compradores internacionais.

O Brasil já ocupa posições de destaque nas exportações de soja, carne bovina, carne de frango, café e açúcar. Também tem participação importante nos mercados de milho e algodão. A combinação desses produtos reduz a dependência de uma única cadeia, embora ainda deixe o país exposto à oscilação dos preços internacionais.

China amplia espaço para o produto brasileiro

A demanda chinesa é uma das peças centrais da disputa. O país asiático compra grandes volumes de soja e carne bovina do Brasil, e as tensões comerciais com os Estados Unidos abriram espaço para o crescimento das vendas brasileiras em alguns mercados.

Essa relação, porém, também cria uma vulnerabilidade. Quando um comprador concentra parte relevante da demanda, qualquer mudança em tarifas, regras sanitárias, câmbio ou atividade econômica pode afetar rapidamente os embarques. A liderança em valor exportado, portanto, não significa que o setor esteja protegido contra choques externos.

Nos Estados Unidos, a pressão aumentou com a elevação dos custos de produção e as dificuldades comerciais enfrentadas pelos agricultores. A American Farm Bureau Federation estima que as perdas nas principais culturas agrícolas do país podem chegar a US$ 32 bilhões em 2026.

O que a liderança representaria para o Brasil

Se confirmar a ultrapassagem, o Brasil passará a ocupar o primeiro lugar entre os países que mais exportam produtos agrícolas em valor. O resultado reforçaria a importância do agronegócio para a balança comercial e aumentaria o peso do país nas negociações de alimentos, energia e cadeias relacionadas à produção rural.

Mas o posto de líder também expõe limitações. A pauta brasileira ainda é concentrada em commodities, produtos vendidos principalmente como matéria-prima. Ampliar a participação de alimentos industrializados poderia aumentar o valor gerado por tonelada exportada, criar mais empregos na indústria e reduzir a dependência dos preços praticados nas bolsas internacionais.

Para o Pará e a Grande Belém, a disputa global interessa porque decisões tomadas por compradores como a China repercutem sobre toda a cadeia de produção, transporte, armazenagem e comércio exterior. O desempenho brasileiro pode afetar oportunidades para empresas ligadas ao agronegócio e à logística na região, mas os benefícios não são automáticos. Eles dependem de infraestrutura, agregação de valor e capacidade de inserir produtores locais nas cadeias de exportação.

Clima e preços ainda podem mudar o resultado

A liderança brasileira não está garantida. O resultado final de 2026 dependerá do volume efetivamente embarcado, dos preços internacionais, das condições climáticas e das políticas comerciais adotadas pelos países compradores. Uma safra menor ou uma queda nas cotações pode reduzir o valor exportado mesmo quando a produção física cresce.

Também será necessário acompanhar a reação dos Estados Unidos. O país mantém uma estrutura agrícola de grande escala, forte capacidade tecnológica e presença consolidada em diversos mercados. Uma recuperação das exportações norte-americanas pode preservar a liderança, enquanto novas restrições comerciais podem favorecer o Brasil.

A diferença de US$ 2 bilhões registrada em 2025 mostra que a competição deixou de ser uma possibilidade distante. Os números do segundo semestre de 2026 serão decisivos para indicar se o Brasil apenas encostou nos Estados Unidos ou se, pela primeira vez, assumiu o comando do comércio agrícola mundial.

Com informações da Embrapa, da American Farm Bureau Federation e da revista Veja.

Armazéns podem se credenciar à Conab até 31 de dezembro e disp... Ler →

O Google lançou as Fontes Preferenciais: você escolhe os veículos que aparecem com prioridade. Adicione o Pará+ e garanta a nossa cobertura sempre em destaque.

⭐ Adicionar Pará+ como Fonte Preferencial

Como funciona em 3 passos:

  1. Pesquise qualquer assunto no Google
  2. Toque no ⭐ ao lado de “Principais Notícias”
  3. Busque Pará+ e marque a caixa — pronto!