Fretes de grãos recuam em agosto, mas alta anual persiste e Minas registra salto de 36,2% no café

Fretes de grãos recuam em agosto, mas alta anual persiste e Minas registra salto de 36,2% no café
Ilustração: Pará+

Boletim da Conab mostra que a demanda por soja, milho, sorgo e café alterou o custo do transporte em diferentes regiões do país.

Neste artigo
  1. O café puxou a maior alta entre as rotas monitoradas
  2. Milho mantém o mercado aquecido em Mato Grosso
  3. Por trás dos números, oferta de caminhões e calendário de safra
  4. Soja avança nas exportações e milho perde participação
  5. O impacto para o Pará passa pela posição no Arco Norte
  6. O que deve ser observado nos próximos meses

O custo para transportar grãos mudou de direção em agosto conforme a cultura, a distância e a região produtora. Em algumas rotas houve redução das tarifas, mas o cenário acumulado ainda ficou acima do registrado um ano antes. A movimentação foi influenciada pelo avanço das exportações de soja, pela demanda interna por milho e sorgo e pelo início da pressão logística provocada pela colheita do café.

Os dados fazem parte do Boletim Logístico divulgado pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) em 30 de setembro de 2026. A pesquisa acompanha as principais rotas de escoamento de grãos em dez estados e mostra que a queda mensal nos preços do transporte não representa, necessariamente, uma melhora uniforme para produtores, empresas compradoras e exportadores.

O café puxou a maior alta entre as rotas monitoradas

Minas Gerais concentrou a variação mais expressiva do mês. O estado, maior produtor brasileiro de café, registrou aumento de até 36,2% nos fretes, principalmente em trajetos com destino ao sul mineiro. O avanço da colheita elevou a necessidade de veículos e ajudou a aquecer a disputa por capacidade de transporte.

Em Goiás, o movimento teve outra origem. A procura por sorgo para abastecer empresas de ração, especialmente em fluxos direcionados a Minas Gerais no fim de agosto, valorizou o transporte em percursos curtos e médios. Em algumas dessas rotas, os preços subiram até 22,9%.

Na Bahia, quase todas as rotas acompanhadas apresentaram alta mensal, com incremento de até 4,8%. A Conab relaciona o comportamento à expectativa de crescimento dos embarques de algodão nos próximos meses, o que pode aumentar a pressão sobre o transporte rodoviário entre as áreas produtoras e os terminais portuários.

Milho mantém o mercado aquecido em Mato Grosso

Apesar de predominarem percentuais negativos em parte das rotas mato-grossenses, os fretes permaneceram firmes diante do padrão esperado para o período. A explicação está na demanda estadual pelo milho, utilizado tanto na alimentação animal quanto na produção de combustíveis.

O mesmo tipo de sustentação foi observado em Mato Grosso do Sul, onde as tarifas oscilaram entre estabilidade e retração. No Distrito Federal, todos os corredores monitorados tiveram redução em agosto, mas ainda apresentaram valores elevados quando comparados com o mesmo período do ano anterior.

O Piauí teve comportamento misto, com tarifas variando de uma queda de 9,10% a uma alta de 5,6%. No Maranhão, a concentração do escoamento da soja no primeiro semestre deixou menos pressão sobre a movimentação posterior de cargas agrícolas, contribuindo para a redução dos fretes.

Por trás dos números, oferta de caminhões e calendário de safra

O preço do frete agrícola não depende apenas da cotação da commodity. A disponibilidade de caminhões, a distância até armazéns e portos, o tipo de carga, as condições de contratação e o momento da colheita também interferem diretamente na tarifa.

Quando várias culturas precisam ser transportadas ao mesmo tempo, a procura por veículos pode crescer mais rapidamente que a oferta. Esse desequilíbrio tende a elevar os preços em determinadas rotas. Quando o pico de embarques termina, a mesma região pode registrar redução, mesmo que o valor continue superior ao observado no ano anterior.

Em São Paulo, por exemplo, os fretes ficaram próximos da estabilidade em relação a julho, com variações entre queda de até 6,7% e alta de até 5,7%. No Paraná, houve leve valorização do transporte de feijão, enquanto as demais cargas apresentaram tendência de baixa na maior parte dos trajetos analisados.

Segundo a Conab, os fretes agrícolas das principais rotas de grãos apresentaram comportamento regionalmente distinto em agosto de 2026, mas permaneceram em tendência de alta no comparativo anual.

Soja avança nas exportações e milho perde participação

O ambiente de transporte também está ligado ao desempenho do comércio exterior. Entre janeiro e agosto de 2026, o Brasil exportou 92,7 milhões de toneladas de soja, crescimento de 7% sobre os oito primeiros meses de 2025.

No milho, os embarques chegaram a 14,5 milhões de toneladas, recuo de 7,9% na comparação anual. Ainda assim, a Conab registrou valorização do cereal no mercado brasileiro e internacional, o que ajuda a manter ativa a logística voltada ao produto.

A distribuição por corredores reforça o papel dos portos do Arco Norte. Eles responderam por 48,98% das exportações brasileiras de milho no acumulado até agosto. Santos ficou com 27,08% dos embarques. Na soja, o Arco Norte participou com 38,85%, enquanto o porto paulista concentrou 34,42%. Santos também respondeu por 44,02% das exportações de farelo de soja.

O impacto para o Pará passa pela posição no Arco Norte

Para o Pará, a participação do Arco Norte é especialmente relevante porque os terminais da região fazem parte da alternativa de escoamento usada por produtores do Centro-Oeste. A maior utilização desse corredor pode ampliar a importância logística de portos e rodovias conectados à Amazônia, mas também aumenta a necessidade de capacidade operacional nos períodos de pico.

Na prática, mudanças nos fretes podem afetar o valor recebido pelo produtor, o custo de aquisição das indústrias de ração e a competitividade das cargas destinadas à exportação. No Pará e na Grande Belém, o efeito tende a ser percebido principalmente por empresas ligadas ao transporte, armazenagem, comércio exterior e abastecimento de cadeias que dependem de milho, soja e farelo.

Outro indicador acompanhado pela Conab foi a entrada de fertilizantes no país. As importações somaram 25,38 milhões de toneladas até agosto de 2026, volume aproximadamente 13,7% menor que o registrado no mesmo período de 2025. A redução acrescenta uma variável ao planejamento da próxima safra, já que fertilizantes e grãos disputam espaço, transporte e estrutura portuária em diferentes momentos do calendário agrícola.

O que deve ser observado nos próximos meses

A evolução dos embarques de algodão na Bahia, o ritmo da colheita de café em Minas Gerais e a demanda por milho e sorgo devem continuar influenciando a formação das tarifas. No Arco Norte, a movimentação de soja e milho seguirá como um dos principais fatores para medir a pressão sobre os corredores de exportação.

O relatório completo está disponível no Boletim Logístico da Conab, que reúne as informações das rotas acompanhadas pela companhia e serve de referência para o planejamento de produtores, transportadores e compradores.

Com informações de Companhia Nacional de Abastecimento (Conab).

As cores da terra: a força da floricultura em Santa Izabel do ... Ler →

O Google lançou as Fontes Preferenciais: você escolhe os veículos que aparecem com prioridade. Adicione o Pará+ e garanta a nossa cobertura sempre em destaque.

⭐ Adicionar Pará+ como Fonte Preferencial

Como funciona em 3 passos:

  1. Pesquise qualquer assunto no Google
  2. Toque no ⭐ ao lado de “Principais Notícias”
  3. Busque Pará+ e marque a caixa — pronto!