
Relatório recomenda que governos deixem projetos isolados de inteligência artificial e preparem estruturas permanentes para 2026.
Neste artigo
Um chatbot que responde ao cidadão é apenas a parte mais visível da transformação digital no setor público. A próxima etapa envolve sistemas capazes de executar tarefas, apoiar decisões e reorganizar fluxos inteiros de trabalho. Para 2026, a Gartner identifica três movimentos que devem pressionar governos a rever investimentos, regras de segurança e formação de equipes: a expansão da IA agêntica, a adoção de uma cibersegurança em constante adaptação e a mudança na forma de entregar serviços de tecnologia.
A análise interessa diretamente a órgãos públicos do Pará e da Grande Belém. Aplicações como atendimento digital, gestão de documentos, serviços tributários, saúde e educação podem ganhar velocidade com automação, mas também passam a exigir controle sobre dados, revisão humana e profissionais capazes de acompanhar ferramentas que mudam rapidamente.
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A primeira tendência descrita pela Gartner é a chamada IA agêntica. Diferentemente de uma ferramenta usada apenas para gerar textos ou responder perguntas, os agentes de inteligência artificial podem receber uma meta, dividir uma atividade em etapas e executar ações dentro de limites definidos.
Na administração pública, esse tipo de tecnologia pode apoiar operações internas, acelerar o desenvolvimento de sistemas, automatizar tarefas repetitivas e melhorar a experiência de quem utiliza um serviço. O ganho potencial, porém, não está somente na instalação de um novo programa. Ele depende de mudanças nos processos, nos modelos de gestão e na definição de responsabilidades.
Segundo a Gartner, governos estão estudando estruturas de governança, identidades digitais e modelos operacionais para ampliar o uso de agentes de IA em 2026. A recomendação é criar planos baseados em resultados, com métricas capazes de mostrar se o investimento reduziu prazos, melhorou o atendimento ou aumentou a eficiência.
Esse ponto é especialmente importante para administrações que lidam com bases de dados extensas e serviços voltados a públicos diversos. No Pará, qualquer avanço nessa área precisaria considerar conectividade desigual, proteção de informações pessoais e a necessidade de manter canais presenciais ou assistidos para quem não consegue resolver tudo pela internet.
Ataques mais rápidos mudam a defesa digital
A segunda frente apontada pela consultoria é a segurança cibernética. O diagnóstico é que revisões periódicas e ações concentradas apenas no cumprimento de normas já não bastam para proteger sistemas públicos.
O cenário combina inteligência artificial, tensões geopolíticas e o desenvolvimento da computação quântica. A IA pode acelerar tanto a identificação de falhas quanto a exploração dessas vulnerabilidades. Já a computação quântica, ainda em evolução, leva governos a pensar desde agora em informações que precisam permanecer protegidas por muitos anos.
Na prática, a Gartner recomenda automatizar operações de segurança, acompanhar melhor os fornecedores de tecnologia, preparar planos para a chamada criptografia pós-quântica e reforçar regras sobre soberania de dados e riscos de terceiros.

Para órgãos públicos paraenses, a discussão não se limita a grandes centros de processamento. Ela alcança sistemas terceirizados, plataformas de atendimento, redes internas, arquivos digitais e serviços conectados entre municípios, Estado e União. Uma falha em qualquer elo pode interromper atividades que dependem de tecnologia para funcionar.
O servidor público vira parte central da modernização
A terceira tendência desloca o foco da ferramenta para as pessoas. A Gartner afirma que governos precisarão formar equipes digitalmente preparadas, com conhecimentos de inteligência artificial, segurança, análise de dados e gestão de processos.
Uma pesquisa da própria organização, realizada em janeiro de 2026 com 1.219 diretores de tecnologia e líderes de TI, mostra que 78% dos respondentes do setor governamental esperavam investir em seus profissionais para avançar nas principais iniciativas tecnológicas.
O número ajuda a explicar por que a modernização não pode ser medida apenas pela compra de equipamentos ou pela contratação de plataformas. Sem capacitação, uma ferramenta pode ser subutilizada, gerar decisões difíceis de auditar ou criar dependência excessiva de fornecedores.
Em prefeituras e órgãos estaduais da Amazônia, a formação continuada também pode reduzir a distância entre a área técnica e os setores que atendem diretamente a população. Servidores que conhecem o funcionamento do serviço conseguem identificar melhor quais etapas podem ser automatizadas e quais precisam continuar sob avaliação humana.
O que muda para os serviços públicos
As três tendências estão conectadas. A implantação de agentes de IA exige dados confiáveis e regras claras. A proteção desses dados depende de uma defesa cibernética capaz de acompanhar novas ameaças. E tanto a inteligência artificial quanto a segurança precisam de equipes preparadas para operar, fiscalizar e corrigir os sistemas.
Esse encadeamento impõe uma mudança de planejamento. Em vez de tratar tecnologia como um projeto isolado, os governos tendem a precisar de programas permanentes, com metas, treinamento, auditoria e revisão de processos. O resultado esperado não é apenas fazer mais tarefas com máquinas, mas oferecer serviços públicos mais previsíveis, acessíveis e seguros.
Para quem mora em Belém e em outros municípios do Pará, o impacto pode aparecer em situações simples, como o acompanhamento de uma solicitação, a consulta a um benefício ou o envio de documentos. A tecnologia pode encurtar caminhos, mas a qualidade dependerá de integração entre sistemas e de alternativas para usuários que enfrentam limitações de acesso digital.
A Gartner reúne orientações adicionais sobre preparação de governos para agentes de inteligência artificial em seu guia de boas práticas para serviços de IA agêntica. Também há um webinar sobre dados seguros para iniciativas de inteligência artificial.
O próximo passo para os governos será transformar essas tendências em prioridades orçamentárias, regras de uso e programas de qualificação ao longo de 2026, sem deixar a segurança e o atendimento humano em segundo plano.
Com informações de Gartner.
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