Tesla faz Roadster 2 sem motorista subir rampa vertical, girar no ar e pousar com 600 litros de nitrogênio em jatos

Tesla faz Roadster 2 sem motorista subir rampa vertical, girar no ar e pousar com 600 litros de nitrogênio em jatos
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Engenheiro da Tesla explicou como o carro de 230 mph combina ventoinhas de sucção e propulsores de gás frio herdados da SpaceX.

Neste artigo
  1. Por que o carro não tinha ninguém ao volante
  2. Mais força que um Plaid, só nas rodas de trás
  3. O “sistema de sucção” inspirado em James Bond
  4. Gás de foguete atrás dos bancos
  5. Duas versões, dois conjuntos de truques
  6. O empuxo acaba como o ar de um balão
  7. O que isso significa para o leitor daqui
  8. Preço, prazos e promessas antigas

Um carro sem motorista disparou sobre toda a linha de modelos da própria fabricante, andou de cabeça para baixo numa rampa e pousou com a ajuda de jatos de gás, como se fosse uma pequena nave. A cena é do Tesla Roadster 2, apresentado por Elon Musk em McGregor, no Texas, nas instalações de testes de foguetes da SpaceX. O segredo está numa dupla improvável: ventoinhas que sugam o carro contra o chão e tanques de nitrogênio que alimentam propulsores.

Quem explicou o funcionamento foi Lars Moravy, chefe de engenharia de veículos da Tesla, em conversa com a marca Hagerty antes do evento. Os detalhes foram reunidos pela revista WIRED.

Por que o carro não tinha ninguém ao volante

As janelas escurecidas escondiam um interior vazio. Segundo Musk, a Tesla quis “to make sure we don’t kill anyone” durante a demonstração.

O visual angular é de Franz von Holzhausen, designer-chefe da empresa desde 2008, que também assina a Cybertruck, os Models S, X, 3 e Y e o caminhão Semi.

Mais força que um Plaid, só nas rodas de trás

O Roadster 2 terá tração apenas traseira, rompendo a tradição de elétricos com tração nas quatro rodas da marca. Dois motores entregam mais de 1 megawatt (1.341 cavalos) e mais de 1.400 newton-metros de torque, acima do que oferece um Plaid de três motores.

O peso gira em torno de “just under 1,700 kilos”, segundo Moravy, pouco acima dos 1.300 kg do Roadster original, mesmo com tamanho maior.

A autonomia prometida passa de 480 quilômetros (300 milhas). Para compensar um número apenas razoável, a Tesla fala na bateria de carga mais rápida que já fez: de 15% a 80% em 10 minutos.

O “sistema de sucção” inspirado em James Bond

A ideia veio de um colecionador. Em 2013, Musk arrematou por quase 1 milhão de dólares o Lotus Esprit submarino “Wet Nellie”, do filme O Espião que Me Amava (1977). O carro de Bond tem quatro hélices atrás, e a Tesla respondeu com quatro ventoinhas de 20 quilowatts.

Elas formam o que a empresa chama de “sucker system”. Quatro saias independentes e substituíveis descem pelas laterais e fazem o carro “grudar” no asfalto em baixa velocidade, quando as asas aerodinâmicas ainda não geram pressão para baixo. Moravy afirma que o sistema produz mais de 2 g em curva, mesmo abaixo de 80 km/h.

O conceito não é exclusivo. O McMurtry Spéirling Pure usa duas ventoinhas de até 23 mil rpm e gera até 2.000 kg de força para baixo. É essa aderência que permitiu ao Roadster 2 subir a rampa vertical e se manter nela de cabeça para baixo.

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Gás de foguete atrás dos bancos

O voo vem do “sistema SpaceX”. Atrás dos assentos fica um vaso de pressão de fibra de carbono de 200 litros, que suporta até 10 mil PSI. Ele abastece propulsores de gás frio, que geram empuxo pela expansão de nitrogênio pressurizado, tecnologia usada sobretudo para estabilizar espaçonaves. É a forma mais simples de motor de foguete.

Foi por causa desse tanque que o carro deixou de ser 2+2 e virou de dois lugares.

Segundo Moravy, no modo de largada os propulsores traseiros passam de 80 quilonewtons de empuxo, o mesmo do jato executivo Dassault Falcon 10X. O resultado prometido é 0 a 60 mph (96 km/h) em menos de 1 segundo, com até 5 g sobre o piloto. O McMurtry leva 1,3 segundo.

Duas versões, dois conjuntos de truques

A versão Performance traz só o sistema de sucção, vai de 0 a 60 mph em 1,6 segundo e chega a 210 mph (cerca de 338 km/h). A Thrust tem o pacote completo e velocidade máxima de 230 mph (cerca de 370 km/h).

O “sistema de voo” exige outro tanque de 400 litros no lugar do banco do passageiro, o que torna a versão um monolugar e leva o total a 600 litros de nitrogênio. Também pede seis propulsores extras: um em cada canto e dois na frente, para girar o carro.

O empuxo acaba como o ar de um balão

Diferentemente do espaço, onde o empuxo é constante até a última gota, na Terra a força cai conforme o gás se esgota. Moravy comparou: “When I open the end of a balloon, all the gas comes out, and at a certain point, it starts tapering off. That same thing will happen here.”

Reabastecer os tanques leva de seis a sete horas hoje, e a Tesla trabalha para reduzir o tempo para 30 minutos.

O que isso significa para o leitor daqui

Para quem mora em Belém, o carro é curiosidade distante: não há informação de venda no Brasil, e a versão Thrust exige 250 mil dólares, algo como vários apartamentos na capital paraense. O que interessa é a tendência: tecnologias de pista e de espaço chegando ao carro elétrico, num mercado que já cresce nas ruas da Grande Belém.

Preço, prazos e promessas antigas

Segundo a WIRED, a página de reservas do Roadster já está aberta. A Performance exige 5 mil dólares na reserva e mais 45 mil em até 10 dias. A Thrust pede os mesmos 5 mil e outros 245 mil dólares no mesmo prazo.

Os protótipos atuais seguem em desenvolvimento e a produção só deve começar em 2028. Vale cautela: Musk já havia prometido entregas para 2020. Resta também saber como a Federal Aviation Administration, a autoridade de aviação dos Estados Unidos, tratará um carro que “voa”.

Com informações de WIRED.

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