
Disputa realizada durante o Sairé, em Alter do Chão, consagra o segundo título consecutivo do Cor-de-Rosa e reafirma a importância de uma das maiores manifestações culturais do Pará.
Neste artigo
A diferença de apenas meio ponto marcou a apuração do Festival dos Botos 2026 e garantiu ao Boto Cor-de-Rosa mais uma conquista histórica. Com 477,5 pontos, a agremiação venceu o Boto Tucuxi, que somou 477 pontos, e alcançou seu 13º título na competição. O resultado, anunciado na segunda-feira, 21 de setembro, confirmou o bicampeonato consecutivo do Cor-de-Rosa em uma das disputas culturais mais tradicionais da Amazônia paraense.
Realizado na vila de Alter do Chão, em Santarém, no oeste do Pará, o Festival dos Botos integra a programação do Sairé e reúne manifestações artísticas que valorizam a ancestralidade, as lendas, os saberes populares e a identidade dos povos amazônicos.
O Baluarte da Memória: A História e o Legado do Forte do Presépio
As cores da terra: a força da floricultura em Santa Izabel do Pará
Setembro reúne 3 datas de trânsito, 7,2 milhões de multas e um alerta sobre o risco da velocidade
Tapajônica: a história contada pelas vozes da Amazônia
O Boto Cor-de-Rosa abriu a noite de apresentações no sábado, 19 de setembro, no Lago dos Botos, com o tema “Tapajônica – A História Não Contada”.
A proposta artística mergulhou na tradição oral dos povos do Tapajós, trazendo para a arena narrativas preservadas ao longo das gerações. São histórias que nem sempre aparecem nos livros, mas continuam presentes na memória coletiva, nos costumes e nas experiências das comunidades que habitam a região.
O espetáculo destacou a ligação entre os povos amazônicos e os elementos naturais que fazem parte de sua existência. As águas, as matas e os rios foram apresentados como componentes fundamentais da identidade cultural e da construção histórica do território.
A apresentação também valorizou os ritmos regionais, os conhecimentos tradicionais e o cotidiano das populações que encontram nos rios caminhos para o trabalho, a convivência e a transmissão de saberes.
O povo Borari ganhou protagonismo na narrativa, reforçando a importância de reconhecer as raízes indígenas de Alter do Chão e preservar os conhecimentos ancestrais que permanecem vivos na região.
Bicampeonato representa superação e trabalho coletivo
A conquista foi recebida com entusiasmo pela agremiação, especialmente depois de um período marcado por resultados desfavoráveis na competição.
O presidente do Boto Cor-de-Rosa, Tiago Vasconcelos, destacou a dedicação dos integrantes durante todo o ano e a importância das duas vitórias consecutivas para o grupo.
O resultado representa o reconhecimento de um trabalho coletivo que envolve artistas, brincantes, músicos, coreógrafos, profissionais de produção e integrantes da comunidade.
Muito antes de entrar na arena, cada espetáculo exige planejamento, pesquisa cultural, preparação artística e envolvimento de pessoas que transformam histórias e tradições em apresentações capazes de emocionar o público.
A diferença mínima na pontuação também demonstrou o equilíbrio da edição de 2026, marcada por duas propostas artísticas voltadas à valorização da memória amazônica.
Tucuxi também exaltou a ancestralidade Borari
O Boto Tucuxi apresentou o tema “Iburari, Ocara Sagrada”, construindo uma narrativa sobre a história e a identidade do povo Borari.
O enredo abordou Iburari, denominação histórica relacionada ao território onde se consolidou o aldeamento que deu origem à atual vila de Alter do Chão.
A Ocara Sagrada apareceu como elemento central da apresentação, representando um espaço de convivência, celebração e transmissão de conhecimentos entre diferentes gerações.
A proposta estabeleceu uma conexão entre passado e presente, destacando a permanência dos saberes indígenas e a importância da memória para a identidade cultural da comunidade.
Mesmo sem conquistar o título, o Tucuxi encerrou sua participação com uma apresentação que contribuiu para ampliar a visibilidade das tradições e da história dos povos do Tapajós.
Sairé fortalece a cultura e a identidade paraense
A edição de 2026 do Sairé teve como tema “Rêdawa Ancestral – Território, Memória e Continuidade”, destacando a relação entre o povo Borari, seu território e a transmissão de conhecimentos entre gerações.
A celebração reúne espiritualidade, tradições indígenas, música, dança e manifestações populares, consolidando Alter do Chão como um importante território de preservação cultural.
Para a secretária municipal de Cultura de Santarém, Priscila Castro, o equilíbrio da disputa demonstra a importância das duas agremiações para a valorização das tradições locais.
Mais do que a definição de um campeão, o Festival dos Botos proporciona um espaço de expressão artística e pertencimento, aproximando moradores e visitantes das histórias que formam a identidade amazônica.
Com o bicampeonato do Cor-de-Rosa e a participação do Tucuxi, o Sairé 2026 encerra mais um capítulo de sua trajetória, reafirmando que a cultura do Tapajós continua viva por meio das vozes, dos movimentos e das memórias de seu povo.
Fonte: santarem.pa.gov.br
Foto: Ronaldo Ferreira/CCOM
Mais Lidas
- Geladeira com cheiro na comida passa para os alimentos e como tirar
- Projeto Flor e Raiz fortalece mulheres, valoriza identidades e transforma apoio familiar em força para empreender em Santa Bárbara-Pa
- Revista Pará+ 292: Agropec 2026, Parque 25 e os peixes que sustentam a floresta
- Como se faz o brinquedo de miriti de Abaetetuba
- Sairé 2026 encerra celebrações em Alter do Chão com fé, tradição e ancestralidade
O Google lançou as Fontes Preferenciais: você escolhe os veículos que aparecem com prioridade. Adicione o Pará+ e garanta a nossa cobertura sempre em destaque.
⭐ Adicionar Pará+ como Fonte PreferencialComo funciona em 3 passos:
- Pesquise qualquer assunto no Google
- Toque no ⭐ ao lado de “Principais Notícias”
- Busque Pará+ e marque a caixa — pronto!









