
A fé em Nossa Senhora de Nazaré reuniu pessoas com deficiência, familiares e voluntários na Romaria da Acessibilidade do Círio 2026, realizada na manhã deste sábado, 24 de outubro, em Belém. A iniciativa contou com recursos de apoio, orientação e identificação para ampliar a segurança e facilitar a participação dos romeiros durante a procissão.
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Conduzida pelo arcebispo emérito da Arquidiocese de Belém, Alberto Taveira, a caminhada saiu da Praça Santuário de Nazaré, percorreu as avenidas Generalíssimo Deodoro e Nazaré e as ruas Brás de Aguiar e Quintino Bocaiúva, retornando ao ponto de partida.
Durante o trajeto, equipes da Secretaria Municipal de Inclusão e Acessibilidade (Semiac) e da Secretaria Executiva da Primeira Infância e Desenvolvimento Infantojuvenil (Sepidi), em parceria com instituições estaduais e a Ordem dos Advogados do Brasil, seção Pará, distribuíram materiais e prestaram assistência aos participantes.
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Recursos de acessibilidade ampliam a segurança

Entre os recursos oferecidos estavam abafadores de ruído, água, mapas ampliados do percurso, pulseiras de identificação e placas de Comunicação Aumentativa e Alternativa (CAA). As equipes também orientaram famílias e acompanharam os romeiros, com atenção às necessidades de pessoas com Transtorno do Espectro Autista (TEA), deficiência intelectual, paralisia cerebral, hipersensibilidade auditiva e outras condições que exigem apoio específico.
Os abafadores foram disponibilizados por empréstimo para ajudar a reduzir o impacto dos sons intensos da procissão. Já as placas de comunicação permitem que pessoas com dificuldade de comunicação verbal expressem necessidades como pedir água, solicitar ajuda ou indicar desconforto.
As pulseiras com informações de contato dos responsáveis também contribuíram para a proteção de crianças e adolescentes, facilitando a identificação em caso de desencontro durante a movimentação do público.
Um ponto fixo de atendimento foi instalado na tenda da Secretaria de Estado de Saúde Pública (Sespa), em frente ao Tribunal de Contas do Estado. No local, os participantes tiveram acesso a água, orientações, mapas ampliados e encaminhamento para atendimento médico, quando necessário.
Famílias compartilham fé e experiências

Entre os participantes estava Amélia Xerfan, de 62 anos, psicóloga e integrante da organização da romaria. Há três anos, ela acompanha a procissão ao lado do filho, Reinaldo, de 37 anos, que tem paralisia cerebral.
Para Amélia, a oferta de recursos e a presença de equipes preparadas ajudam a tornar a experiência mais acolhedora. Ela destaca que as pessoas com deficiência também têm o direito de participar das tradições religiosas e viver esses momentos com dignidade.
A mesma percepção foi compartilhada por Liliane Batista, de 41 anos, moradora do Bengui, que acompanhou a filha Melinda, de 7 anos, durante a caminhada. Para ela, o apoio oferecido representa a oportunidade de compartilhar a celebração em condições mais tranquilas e seguras.
A romaria também reuniu Gabriela Souza, de 29 anos, e o marido, Wladson Souza, de 39, moradores de Ananindeua. O casal participa do evento há três anos com as filhas Ana Gabriele, de 11 anos, e Maitê, de 7, que têm paralisia cerebral e autismo.
Segundo Gabriela, os abafadores, as placas de comunicação e as pulseiras de identificação contribuem para a participação das meninas em um evento marcado pela grande circulação de pessoas e pela intensidade dos sons.
Já Rosana Almeida, de 58 anos, moradora do Tapanã, participou da procissão mesmo convivendo com lombalgia crônica. Para ela, a água distribuída e o apoio das equipes foram importantes para enfrentar as dificuldades de mobilidade ao longo do percurso.
Informação e direitos das pessoas com deficiência
Além da assistência durante a caminhada, a Prefeitura distribuiu uma cartilha sobre os direitos das pessoas com deficiência. O material reúne informações sobre garantias previstas nas legislações nacionais, estaduais e municipais e busca ampliar o conhecimento das famílias sobre mecanismos de proteção, inclusão e participação social.
A ação contou com a participação da Coordenação Estadual de Políticas para o Autismo (CEPA), da Coordenação Estadual da Pessoa com Deficiência (CEPED), da Semiac, da Sepidi, da OAB-PA e de voluntários.
A Romaria da Acessibilidade integra as iniciativas voltadas à participação das pessoas com deficiência nas manifestações religiosas e culturais de Belém. A proposta reforça a importância de reduzir barreiras físicas, sensoriais e de comunicação para que a experiência do Círio seja compartilhada por mais pessoas, respeitando suas necessidades e garantindo condições de acolhimento e segurança.
Fotos: Paula Lourinho/AgenciaBelém
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