O anúncio de que a Vale pretende gastar entre R$ 25 bilhões e R$ 30 bilhões anuais em compras regionais abriu uma corrida de oportunidades para o empresariado paraense. Com o Programa Novo Carajás, a mineradora quer reduzir a dependência de fornecedores de fora, trazendo a cadeia de suprimentos para dentro do estado.

Se você tem uma empresa em Canaã dos Carajás, Parauapebas, Marabá ou Curionópolis, o momento de se profissionalizar é agora. A meta é clara: fortalecer o ecossistema local para que o lucro da mineração circule nas cidades vizinhas.
O que a mineradora está comprando?
Não pense que a Vale compra apenas máquinas pesadas. A demanda gerada por um investimento de US$ 3,5 bilhões cobre quase todos os setores da economia:
- Serviços de Infraestrutura: Construção civil, manutenção elétrica, hidráulica e serralheria.
- Logística e Transporte: Locação de veículos, transporte de funcionários e logística de insumos.
- Suporte Operacional: Alimentação (catering), limpeza industrial, gestão de resíduos e hotelaria.
- Tecnologia e Inovação: Consultorias ambientais, monitoramento por drones e soluções de TI.
O caminho das pedras: Como se tornar um fornecedor
Para vender para uma gigante global, o empreendedor precisa subir o nível do jogo. O processo de cadastro é rigoroso, mas abre portas para contratos de longo prazo.
1. Portal de Fornecedores da Vale
O primeiro passo é o cadastro oficial no portal da companhia. É lá que a empresa avalia a saúde financeira, a regularidade fiscal e, principalmente, os critérios de segurança e direitos humanos da sua empresa.
2. Certificações são obrigatórias
A Vale exige padrões de segurança do trabalho (como a ISO 45001) e gestão ambiental (ISO 14001). Empresas que já possuem essas certificações saem na frente nas licitações do Projeto Bacaba e do Projeto Alemão.
3. Programa Partilhar
Fique atento ao Programa Partilhar. É uma iniciativa da Vale que incentiva seus grandes fornecedores nacionais a contratarem empresas locais para subatividades. É a porta de entrada ideal para pequenas empresas começarem a entender o “padrão Vale” de exigência.
Dicas de Ouro para o Empresário Paraense
- União faz a força: Pequenas empresas podem formar consórcios para disputar contratos maiores que sozinhas não conseguiriam atender.
- Foco na Bioeconomia: A Vale está investindo pesado em soluções que unam mineração e floresta. Se sua empresa oferece soluções sustentáveis ou de reflorestamento, você tem um diferencial competitivo valioso.
- Capacitação via SEBRAE: O Sebrae no Pará possui convênios específicos para preparar micro e pequenas empresas para o setor mineral. Procure as agências de Parauapebas ou Marabá.
Impacto Regional
O objetivo final é que, até 2030, a cadeia de suprimentos local seja capaz de sustentar não só a Vale, mas todo o novo hub de cobre que está nascendo. Isso cria uma economia resiliente, que continuará forte mesmo após o fim das obras de expansão.

