Equipe Born to Fight, do SESI Pará, levou o prêmio principal do FIRST LEGO League Asia Open 2026, em Pequim, na primeira ida de paraenses a um mundial da modalidade.
Uma réplica impressa em 3D que pode ser tocada por quem não enxerga e que, ao ser aproximada de um celular, conta a história do objeto original. Foi com essa ideia, desenvolvida em Ananindeua, na Grande Belém, que a equipe Born to Fight, do SESI Pará, conquistou o Champions Award, principal prêmio do FIRST LEGO League Challenge (FLL) Asia Open Championship 2026, neste domingo (16), em Pequim, na China.
Segundo o SESI Pará, a disputa reuniu 160 equipes de 30 países e regiões. A vitória é inédita para o estado, e a Born to Fight também foi a primeira equipe paraense a participar de um mundial da modalidade.
O tema da temporada 2025/2026 da FLL é Unearthed, inspirado na arqueologia, na exploração do passado e na preservação do patrimônio. A partir dele, os estudantes criaram o Relicário Amazônia, que combina impressão 3D e tecnologia NFC.
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O ponto de partida é uma contradição conhecida em museus e acervos: peças arqueológicas guardam informações sobre povos, modos de vida e períodos históricos, mas a necessidade de preservá-las limita o contato direto do público.
A solução da equipe é produzir réplicas que podem ser manuseadas sem risco para os originais. Para pessoas com deficiência visual, o toque permite explorar formas e características que, em uma vitrine, ficariam inacessíveis.
Como o NFC entra na história
O NFC é a tecnologia de comunicação por aproximação usada, por exemplo, em pagamentos com celulares e cartões. Incorporado às réplicas, permite que um dispositivo móvel acesse informações sobre a origem, o contexto histórico e a importância cultural de cada objeto.
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O caminho até Pequim
A trajetória internacional começou nas competições nacionais de robótica do SESI. Em março, na etapa nacional realizada em São Paulo, a Born to Fight conquistou o Prêmio Niède Guidon, de melhor Projeto de Inovação do Brasil, e o 1º lugar em Design do Robô. O desempenho garantiu a vaga no torneio asiático.
Os integrantes têm entre 13 e 16 anos. Para o técnico Renato Ferreira, o resultado vem de seis anos de construção contínua.
“O sucesso da Born to Fight está no legado. Cada geração entrega para a próxima não só robô e códigos, mas o que aprendemos: o que funcionou, o que falhou, e a certeza de que sempre dá para melhorar”, explicou Renato Ferreira.
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Por que ganhar não depende só do robô
Na FLL, o placar da mesa de missões é apenas uma parte da avaliação. As equipes são julgadas em quatro dimensões: Desafio do Robô, Projeto de Inovação, Design do Robô e Core Values, que reúnem colaboração, respeito, criatividade e trabalho em equipe.
Na prática, os estudantes programam, apresentam o projeto, defendem escolhas técnicas diante de avaliadores, demonstram as soluções e corrigem problemas sob pressão. O SESI usa esse tipo de competição para estimular competências de ciência, tecnologia, engenharia e matemática (STEM), além de comunicação e resolução de problemas.
Reconhecimento além do pódio
A dimensão internacional apareceu já na cerimônia de abertura. A estudante Clara Peres, da Escola SESI Ananindeua, foi escolhida para subir ao palco e representar os estudantes dos mais de 30 países e regiões participantes.
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O coordenador de Robótica das Escolas SESI, Cleibson Magalhães, recebeu o Outstanding Coach Award, prêmio do torneio ao trabalho de orientação e preparo das equipes.
“Receber esse reconhecimento em uma competição internacional é muito especial, mas ele representa um trabalho coletivo. Existe uma equipe de estudantes, técnicos, professores e famílias por trás de cada resultado. O SESI vem construindo esse trabalho com a robótica ao longo dos anos e, hoje, ver nossos alunos no lugar mais alto de uma competição mundial mostra até onde eles podem chegar quando encontram espaço para pesquisar, criar, errar, testar novamente e acreditar nas próprias ideias”, disse Cleibson Magalhães.
O significado para o Pará
O superintendente do SESI Pará, Dário Lemos, destacou que o resultado amplia a visibilidade da educação científica feita na região.
“Uma equipe de estudantes do SESI saiu de Ananindeua e chegou à China com um projeto que une tecnologia, acessibilidade e preservação da memória. Eles não foram apenas competir com um robô. Foram defender uma ideia construída na Amazônia e mostrar a qualidade da educação produzida no Pará. Conquistar o principal prêmio do torneio é um resultado histórico para o SESI e para o estado, mas, principalmente, mostra aos nossos estudantes que eles têm capacidade para ocupar qualquer espaço no mundo”, afirmou Dário Lemos.
Para a estudante Isabella Cruz, de 13 anos, o prêmio vai além do troféu.
“Esse prêmio representa todo o esforço, dedicação e união da equipe, mas, para mim, vai muito além da competição. É um capítulo da minha vida que ficará marcado para sempre, pelos aprendizados, pelas amizades e por todas as pessoas que fizeram parte dessa trajetória. A palavra que resume esse momento é gratidão”, afirmou Isabella Cruz.
Com a volta da delegação a Ananindeua, a expectativa é que o Relicário Amazônia e a experiência da Born to Fight sirvam de referência para as próximas gerações de estudantes da rede, que seguem nas competições de robótica do SESI. Informações sobre a rede estão no site do SESI Pará.
Com informações da Federação das Indústrias do Estado do Pará (FIEPA).
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