Mais de 400 atendimentos em um dia expõem como Belém leva direitos humanos da política ao cidadão

Mais de 400 atendimentos em um dia expõem como Belém leva direitos humanos da política ao cidadão
Foto: Rayana França

Ações combinam participação social, serviços nas periferias, formação de servidores e regularização de vínculos familiares.

Neste artigo
  1. Um registro que muda a história de uma família
  2. Participação social passa a orientar as decisões
  3. Conselho terá representantes do governo e da sociedade
  4. Serviços chegam aos bairros e às escolas
  5. O que ainda precisa avançar

Para quem precisa regularizar um documento, confirmar um vínculo familiar ou encontrar orientação jurídica, direitos humanos deixam de ser um conceito abstrato e passam a aparecer em atendimentos concretos. Foi essa dimensão prática que marcou o primeiro Mutirão de Reconhecimento de Paternidade de Belém, realizado em 6 de agosto, no Mercado de São Brás, com mais de 400 atendimentos e serviços gratuitos.

A ação foi promovida pela Secretaria Executiva de Direitos Humanos de Belém, em parceria com o Tribunal de Justiça do Pará. Além do reconhecimento voluntário de paternidade e dos exames gratuitos de DNA, o mutirão ofereceu mediação familiar, orientação jurídica, emissão e atualização de documentos civis, atendimento social e serviços de saúde.

O mutirão integra um conjunto mais amplo de medidas apresentadas pela Prefeitura de Belém no Dia Nacional dos Direitos Humanos, celebrado em 12 de agosto. A estratégia municipal combina atendimento direto à população, participação social e formação de servidores para tentar aproximar as políticas públicas das necessidades dos moradores.

Um registro que muda a história de uma família

Entre as pessoas atendidas estava Gabrielly Oliveira, de 22 anos, moradora do Guamá. A universitária procurou o serviço para formalizar o reconhecimento de Ismael Mesquita Alves como pai. Segundo o relato dela, Ismael participou de sua criação desde a infância e exerceu o papel paterno ao longo dos anos.

“Esse reconhecimento é uma forma de agradecer por tudo o que ele fez por mim. Meu pai biológico nunca fez questão de estar presente, quem sempre esteve ao meu lado foi ele”, contou Gabrielly durante o mutirão.

Para a jovem, a mudança no registro civil representa também pertencimento e reconhecimento de uma relação construída no cotidiano. “Meu pai é quem me criou. Este reconhecimento representa gratidão e amor”, afirmou.

Segundo a Prefeitura de Belém, o primeiro Mutirão de Reconhecimento de Paternidade ocorreu em 6 de agosto de 2026, no Mercado de São Brás, e ultrapassou 400 atendimentos. O resultado mostra como uma ação concentrada pode reunir, no mesmo local, etapas que muitas famílias precisariam buscar separadamente.

Participação social passa a orientar as decisões

A política municipal também ganhou uma nova etapa de participação popular com a II Conferência Municipal de Direitos Humanos, realizada em setembro de 2025. O encontro reuniu movimentos sociais, organizações da sociedade civil, representantes do poder público e especialistas para discutir propostas voltadas à realidade da capital.

As discussões foram organizadas em seis eixos: enfrentamento das violações e dos retrocessos; democracia e participação popular; igualdade e justiça social; justiça climática e meio ambiente; proteção dos direitos humanos no contexto internacional; e fortalecimento da institucionalidade dos direitos humanos.

Mais do que reunir participantes, a conferência criou uma base de propostas para orientar novas ações públicas. A Secretaria Executiva de Direitos Humanos organizou o evento em parceria com o Conselho Municipal de Defesa dos Direitos Humanos, reforçando a ideia de que a política não deve ser formulada apenas dentro dos órgãos públicos.

Mais de 400 atendimentos em um dia expõem como Belém leva direitos humanos da política ao cidadão
Foto: Rayana França

“A Conferência Municipal foi um passo muito importante porque permitiu ouvir diferentes segmentos da sociedade e transformar essas demandas em propostas para o município. O que queremos é que a política de direitos humanos seja construída de forma participativa, com escuta, diálogo e compromisso com a realidade de Belém”, disse Larissa Martins, secretária executiva de Direitos Humanos.

Conselho terá representantes do governo e da sociedade

O controle social foi reforçado com a posse dos novos integrantes do Conselho Municipal de Defesa dos Direitos Humanos, em junho de 2026. O colegiado terá mandato no biênio 2026/2028 e é formado por representantes de cinco instituições governamentais e dez entidades da sociedade civil.

Na prática, o Conselho funciona como espaço de diálogo, acompanhamento e proposição de políticas voltadas à cidadania, à dignidade humana e à defesa de direitos fundamentais. A participação de entidades da sociedade civil permite levar ao debate público diferentes experiências e problemas vividos nos bairros de Belém.

De acordo com Larissa Martins, o órgão também tem a responsabilidade de fiscalizar as políticas municipais. “Nós temos um Conselho Municipal de Direitos Humanos muito ativo, que consegue propor políticas públicas e também fiscalizar. Ter a sociedade civil participando desse processo é fundamental para compreender as diferentes realidades da cidade e construir respostas junto com a população”, afirmou.

Serviços chegam aos bairros e às escolas

Outra frente da política municipal é a descentralização do atendimento. O programa Belém para Todos reúne serviços públicos, orientações e ações sociais em diferentes territórios da capital, com atenção especial a comunidades que enfrentam dificuldades para acessar os equipamentos públicos.

A lógica é levar o atendimento para mais perto dos moradores, usando espaços nos bairros como pontos de acesso a serviços de cidadania. As ações itinerantes também fazem parte da atuação da Secretaria Executiva de Direitos Humanos nas periferias, ao lado de cursos e atividades sociais.

A formação é dirigida a servidores municipais e ao ambiente escolar. A proposta é ampliar o conhecimento sobre direitos humanos e qualificar a relação entre o poder público e a população, com atenção ao respeito à diversidade, à dignidade e aos direitos fundamentais.

Esse trabalho ajuda a explicar por que a política municipal não se limita a eventos pontuais. A capacitação busca preparar quem atende o público, enquanto as ações territoriais tentam reduzir a distância entre os serviços e as comunidades. Já iniciativas como o casamento comunitário enfrentam barreiras financeiras que impedem casais de formalizar a união civil.

O que ainda precisa avançar

A existência de conferência, conselho, mutirões e capacitações não encerra os desafios relacionados aos direitos humanos em Belém. O principal passo seguinte é transformar as propostas discutidas pela sociedade em ações contínuas, com atendimento capaz de alcançar diferentes territórios e públicos.

Para a gestão municipal, a pauta deve permanecer transversal, ou seja, presente em diferentes áreas da administração e não concentrada em uma única secretaria. “Nós avançamos muito nessa pauta no nosso município. Temos uma secretaria muito ativa e uma Prefeitura que, de fato, prioriza quem mais precisa, levando cidadania, proteção e acesso a direitos para a população”, declarou Larissa.

A Prefeitura afirma que continuará trabalhando para consolidar essas iniciativas e ampliar o acesso da população à cidadania, à proteção e à documentação, com novas ações de atendimento, participação social e formação em direitos humanos.

Com informações de Prefeitura de Belém.

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