De casa de família a refúgio amazônico, Chalé Sítio de Maré transforma hospitalidade ribeirinha em experiência inesquecível em Outeiro

Em um cenário onde o canto dos pássaros se mistura ao som das águas do Igarapé Jararaca, o Chalé Sítio de Maré se tornou um dos exemplos mais autênticos de turismo de vivência na Ilha de Outeiro, distrito de Belém. Localizado na comunidade de Itaiteua, o espaço nasceu de forma espontânea, impulsionado pela paixão de seus proprietários pela natureza e pelo desejo de compartilhar um modo de vida profundamente conectado com a floresta, o rio e as tradições amazônicas.

O empreendimento é administrado por Rose e Eli de Souza, moradores da região há mais de 30 anos. Diferentemente de muitos negócios do setor turístico, o Sítio de Maré não surgiu a partir de um planejamento empresarial. A ideia nasceu naturalmente depois que amigos passaram a visitar a residência do casal e se encantaram com a paisagem, a tranquilidade e a atmosfera acolhedora do lugar.

Segundo Rose, os visitantes insistiam em destacar a beleza da propriedade e perguntavam por que aquele espaço permanecia restrito apenas à família. Foi esse reconhecimento espontâneo que despertou no casal a vontade de abrir as portas da própria casa para receber pessoas interessadas em viver uma experiência genuína na Amazônia.

Esse conceito se tornou o principal diferencial do empreendimento. Mais do que hospedar turistas, o Chalé Sítio de Maré oferece a oportunidade de compartilhar a rotina de uma família ribeirinha. Os anfitriões permanecem na residência durante toda a estadia, criando um ambiente de convivência, troca de histórias e acolhimento que dificilmente é encontrado em hospedagens convencionais.

O espaço dispõe atualmente da casa central e do Chalé nomeado Jenipapo, projetado principalmente para casais, mas que também atende viajantes individuais e famílias com filhos. A propriedade recebe até doze pessoas por dia, preservando um atendimento personalizado e uma atmosfera intimista. O quarto possui vista privilegiada para o Igarapé Jararaca, um dos cenários mais encantadores da região, cercado por vegetação nativa e marcado pela influência diária das marés.

As atividades oferecidas aos hóspedes fazem parte da rotina da família e aproximam os visitantes dos saberes tradicionais da comunidade. A pescaria conduzida pelo anfitrião está entre as experiências mais procuradas. Os participantes aprendem técnicas utilizadas pelos moradores locais, utilizando tarrafa, redes e até mesmo a pesca manual durante a maré seca. No fim da atividade, o pescado costuma ser preparado na própria cozinha da casa, dando origem a caldeiradas e pratos típicos servidos com ingredientes frescos da região.

A gastronomia é outro elemento que fortalece a identidade do Sítio de Maré. Durante o período da safra do açaí, o fruto é colhido na propriedade, processado artesanalmente e servido acompanhando peixes e camarões frescos. Os visitantes também participam da coleta de ovos, do cuidado com as galinhas e da tradicional despesca de camarão utilizando o matapi, armadilha artesanal amplamente utilizada nas comunidades ribeirinhas do Pará.

O compromisso com a preservação ambiental acompanha a história da propriedade desde antes da abertura ao turismo. Há mais de 16 anos, os proprietários adotaram a política de queima zero para o tratamento dos resíduos vegetais produzidos no terreno. Folhas, galhos e outros materiais orgânicos passam por um processo de compostagem realizado em uma antiga canoa desativada, transformando resíduos em adubo natural utilizado nas árvores frutíferas do sítio e também comercializado para clientes interessados em jardinagem.

A conservação do Igarapé Jararaca também faz parte da rotina da família. Durante passeios e atividades diárias, os proprietários recolhem resíduos plásticos e garrafas levados pela maré, contribuindo para a preservação do ecossistema local. Para eles, cuidar do igarapé representa cuidar da própria história, já que o anfitrião nasceu e cresceu naquela comunidade, mantendo uma relação afetiva e de pertencimento com o território.

Inserido em uma comunidade que preserva características tradicionais, onde pequenas tabernas ainda fazem parte do cotidiano dos moradores, o Chalé Sítio de Maré começa a ganhar projeção muito além da Ilha de Outeiro. Recentemente, o espaço recebeu simultaneamente turistas provenientes do Rio Grande do Sul, Bahia, Rio de Janeiro, São Paulo, Mato Grosso do Sul e Distrito Federal, consolidando sua reputação como destino para quem busca experiências autênticas na Amazônia.

Os planos para os próximos anos incluem a construção de novas cabanas sustentáveis às margens do rio e a ampliação da área de convivência, sempre respeitando os limites ambientais da propriedade. O objetivo permanece o mesmo desde o primeiro dia em que decidiram abrir sua casa para desconhecidos. Demonstrar que desenvolvimento, hospitalidade e conservação ambiental podem caminhar juntos, fortalecendo a economia local sem abrir mão da identidade ribeirinha que faz do Sítio de Maré um dos destinos mais singulares da região metropolitana de Belém.

Fotos: Flavio Contente/Pará+

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