Projeto da Elea na antiga termoelétrica de Miramar terá capacidade inicial de 7,5 MW e pode chegar a 100 MW.
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Belém prepara-se para receber um dos mais importantes investimentos em infraestrutura digital da Amazônia. A Elea Data Center confirmou a instalação de um data center neutro voltado ao processamento de aplicações de inteligência artificial na capital paraense, com investimento inicial de R$ 250 milhões e previsão de entrada em operação no segundo semestre de 2027.
Segundo a Elea, a unidade denominada BEL 1 será implantada na extensa área da antiga usina termoelétrica de Miramar, localizada na Avenida Arthur Bernardes. O empreendimento terá capacidade inicial de 7,5 megawatts (MW) de potência, mas o projeto prevê expansão gradual até atingir 100 MW, o que multiplica por mais de 13 vezes o porte inicial da operação.
A Elea Data Center ficará responsável pela implantação e operação da estrutura, enquanto a AXIA Energia, antiga Eletrobras, fornecerá eletricidade renovável ao data center. A combinação de energia limpa e infraestrutura robusta foi decisiva para a escolha de Belém como sede do projeto.
Por que Belém foi escolhida para receber o data center
A decisão de instalar o data center em Belém está diretamente ligada a dois fatores estratégicos: energia abundante de fonte renovável e boa conectividade. O Pará possui uma matriz elétrica predominantemente hidrelétrica, liderada pela Usina de Tucuruí, e está conectado ao Sistema Interligado Nacional (SIN), o que garante estabilidade e previsibilidade no fornecimento de energia.
Data centers que processam inteligência artificial demandam volumes expressivos de energia elétrica de forma ininterrupta. Modelos de aprendizado de máquina (machine learning) e redes neurais exigem capacidade computacional elevada, o que torna o custo energético um dos principais componentes operacionais desse tipo de infraestrutura.
Além disso, Belém será palco da COP 30 em 2025, conferência climática da ONU que reforça a vocação da cidade para projetos sustentáveis. O data center é considerado um legado direto desse evento, demonstrando que a cidade pode atrair investimentos de alta tecnologia sem abrir mão de compromissos ambientais.

Entenda o que é um data center neutro
Um data center neutro é aquele que não pertence a uma única empresa de tecnologia ou provedora de serviços de internet, mas oferece espaço, energia e infraestrutura para múltiplos clientes. Esse modelo permite que empresas de diferentes setores hospedem seus servidores e aplicações no mesmo ambiente físico, dividindo custos de refrigeração, segurança e conectividade. A neutralidade também facilita a interconexão entre redes, reduzindo latência e aumentando a eficiência de transferência de dados.
Contexto de infraestrutura digital no Pará
O Pará vem ampliando sua infraestrutura de conectividade nos últimos anos. A Equatorial Energia, concessionária de distribuição de energia no estado, desativou 23 termoelétricas desde 2012 após conectar localidades ao Sistema Interligado Nacional, com investimento de R$ 14 bilhões na rede de baixa tensão. Outras nove térmicas devem ser encerradas até 2027.
A AXIA Energia (ex-Eletrobras) investe R$ 1,5 bilhão na modernização da Usina de Tucuruí até 2029, incluindo 80 quilômetros de fibra ótica e 450 pontos de acesso. Empresas como Alcoa e Mineração Rio do Norte também estão substituindo geradores a diesel por energia elétrica renovável, reforçando a transição energética no estado.
Apesar disso, o Pará ainda ocupa posição tímida no mapa de fornecedores da Petrobras. Dados divulgados pela estatal referentes a 24 meses mostram que, entre os fornecedores cadastrados, apenas 2,1 mil (0,9% do total nacional) são paraenses, gerando R$ 345 milhões (0,1% do Brasil). Há 45 contratos vigentes com empresas do estado (0,4% do Brasil), resultando em faturamento de R$ 952 milhões (0,1% do Brasil).
Desafios logísticos e de custo ainda pesam
Alex Carvalho, presidente da Federação das Indústrias do Estado do Pará (Fiepa), afirma que o custo de erguer uma casa no Pará, principalmente no interior, supera em 30% a média nacional devido à dificuldade no transporte do material de construção. Esse cenário evidencia gargalos logísticos que podem impactar também a implantação de grandes obras de infraestrutura digital.
Por outro lado, cerca de 35% da produção da Zona Franca de Manaus ainda usa a infraestrutura paraense para chegar ao Sudeste, adotando o chamado “RoRo Caboco”, adaptação amazônica do sistema roll-on/roll-off. O Porto de Vila do Conde enfrenta congestionamento, com 20 a 30 navios na fila de atracação e tempo de espera superior a 30 dias, segundo o Sindicato dos Operadores Portuários do Pará (Sindopar).

Próximos passos e impacto esperado
A expectativa é que as obras de implantação do data center BEL 1 iniciem ainda em 2026, com entrega prevista para o segundo semestre de 2027. A Elea não divulgou cronograma detalhado de fases de expansão até os 100 MW, mas a empresa sinalizou que o projeto está desenhado para crescimento modular, conforme a demanda por capacidade de processamento de IA.
O data center poderá atrair empresas de tecnologia, startups de inteligência artificial e companhias que buscam reduzir latência para atender a região Norte e parte do Nordeste. A localização estratégica de Belém também facilita conexões internacionais via cabos submarinos que ligam a América do Sul à América do Norte e à Europa.
Com o avanço de políticas de incentivo à inovação e a realização da COP 30, Belém posiciona-se como polo emergente de tecnologia sustentável na Amazônia. O sucesso do data center BEL 1 pode servir de referência para novos investimentos do setor na região.
Perguntas frequentes sobre o data center de Belém
Onde será instalado o data center da Elea em Belém?
O data center BEL 1 será instalado no terreno da antiga usina termoelétrica de Miramar, na Avenida Arthur Bernardes, em Belém.
Qual o investimento inicial no data center de Belém?
O investimento inicial previsto é de R$ 250 milhões, com capacidade de 7,5 MW, podendo chegar a R$ 3,3 bilhões caso a expansão alcance 100 MW (estimativa proporcional, [CHECAR] valor oficial da expansão completa).
Quando o data center BEL 1 entrará em operação?
A previsão de entrada em operação é o segundo semestre de 2027, após início das obras ainda em 2026.
Com informações da Elea Data Center.
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