O aumento das temperaturas e o efeito de ilha de calor urbano intensificam os riscos globais, exigindo soluções urgentes para proteger comunidades.
Neste artigo
A década passada consolidou-se como a mais quente já registrada, com eventos de calor extremo que, antes raros, agora ocorrem com quase o triplo de frequência. Esta realidade alarmante, destacada pelo Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA), aponta para um cenário sombrio: cerca de 489 mil pessoas morrem anualmente devido a causas relacionadas ao calor. Os sinais do planeta são inegáveis, e o impacto é particularmente severo nas cidades, que funcionam como verdadeiras amplificadoras desse fenômeno.
Até recentemente, nenhuma cidade experimentava cinco dias acima de 50°C em um ano. Hoje, mais de 100 cidades atingem essa marca anualmente. As projeções do PNUMA são preocupantes: este número pode subir para 150 cidades com um aquecimento global de 2°C, e chegar a cerca de 250 cidades caso o aquecimento atinja 3°C. O calor extremo não é apenas uma questão climática; é um problema de desigualdade, afetando desproporcionalmente idosos, crianças, trabalhadores ao ar livre e comunidades de baixa renda.
Belém oferece plantio gratuito de árvores via WhatsApp
Todas as praias de Belém estão próprias para banho pela primeira vez em 25 anos
Marajó ganha primeiro sistema solar comunitário do arquipélago
Impacto do Calor Extremo: Além dos Números
A definição de calor insuportável varia, pois não é determinada apenas pela temperatura. Em algumas cidades, 30°C pode ser crítico; em outras, 50°C. Fatores como infraestrutura, umidade, vento e a capacidade das pessoas de se adaptarem desempenham um papel crucial. Um dia seco a 40°C é muito diferente de um dia úmido a 35°C, onde o corpo tem dificuldade em se resfriar através da transpiração.
Os 1,4 bilhão de trabalhadores expostos ao calor excessivo anualmente demonstram a amplitude do problema. A Organização Internacional do Trabalho (OIT) estima que o estresse térmico pode levar a perdas significativas na produtividade e na saúde pública globalmente.
As Causas Principais: GEE e Ilhas de Calor Urbanas
As duas principais causas do calor extremo são as emissões de gases de efeito estufa (GEE) geradas por atividades humanas, que aquecem o planeta e tornam as ondas de calor mais frequentes, intensas e prolongadas. Segundo o PNUMA, as cidades amplificam esses impactos, com edifícios densamente agrupados e superfícies pavimentadas que absorvem e retêm o calor, liberando-o de volta ao ambiente. Esse fenômeno, conhecido como efeito de ‘ilha de calor urbano’, pode tornar as áreas urbanas de 5°C a 10°C mais quentes do que as regiões vizinhas.
Soluções Globais e Locais para um Futuro Mais Fresco
O secretário-geral da ONU, António Guterres, enfatiza a necessidade de aumentar massivamente o acesso a soluções de resfriamento de baixo carbono, expandir o resfriamento passivo, como soluções naturais e design urbano, e limpar as tecnologias de resfriamento, ao mesmo tempo em que se impulsiona sua eficiência.
Muitas cidades ao redor do mundo já estão respondendo a esse desafio. Paris, por exemplo, demonstrou como cidades podem se preparar para o calor extremo combinando prontidão e transformação urbana de longo prazo. Através de seu exercício ‘Paris a 50°C’, a cidade francesa simulou cenários de calor extremo, testou sistemas de resposta a crises e fortaleceu a preparação coletiva. Paralelamente, Paris está adaptando seu ambiente urbano com medidas como a expansão de florestas urbanas, ruas sombreadas, esverdeamento de escolas e moradias, introdução de recursos hídricos e uso de materiais reflexivos.
Na Índia, Chennai e outras cidades estão implementando Planos de Ação de Calor, que incluem alertas precoces, campanhas de conscientização pública, abrigos climatizados, acesso à água e apoio de emergência para grupos vulneráveis. Chennai também está integrando a resiliência ao calor em seu novo plano diretor, com maior cobertura de natureza e incentivo ao resfriamento passivo em novas construções.
No Brasil, Teresina está à frente no uso de soluções baseadas na natureza para mitigar o calor. A cidade utiliza florestas urbanas, parques, zonas úmidas e corredores verdes para resfriar bairros, reduzir riscos de enchentes, melhorar a qualidade do ar e apoiar o bem-estar da população. Jardins comunitários, espaços públicos sombreados e sistemas de resfriamento baseados em água complementam essa abordagem.
A cidade de Yangzhou, na China, integra a adaptação ao calor no planejamento urbano de longo prazo através de restauração ecológica e desenvolvimento de ‘cidades esponja’. Provas de projetos pioneiros em desenvolvimento de cidades resilientes ao clima, e estão transformando antigos aterros sanitários em parques ecológicos com vegetação nativa, enquanto projetos de restauração em grande escala ao longo do rio Yangtze e do Grande Canal fortalecem os amortecedores ecológicos e reduzem os efeitos de ilha de calor urbano.
Em Lagos, na Nigéria, a agência de parques e jardins plantou 6,2 milhões de árvores e estabeleceu 327 parques e jardins desde 2008, criando aproximadamente 96 mil empregos. O Plano de Adaptação e Resiliência Climática de Lagos prevê o plantio de 50 mil árvores resistentes ao clima anualmente e a restauração de 300 parques urbanos para reduzir temperaturas.
O Papel do PNUMA e Próximos Passos
O PNUMA atua ativamente na promoção de soluções de resfriamento sustentável, liderando iniciativas globais como a Cool Coalition e as Eficient and Inclusive Cooling Pathways para cortar emissões relacionadas ao resfriamento e expandir o acesso a soluções acessíveis. A organização apoia países e cidades através de iniciativas como ‘Beat the Heat, Nature for Cool Cities’, ajudando-os a avaliar riscos de calor e adotar resfriamento passivo e baseado na natureza. Em 2023, o Projeto Building for climate e o Desafio Global de Eficiência de Edifícios se propuseram a reduzir 50% das emissões do setor de construção em todo o mundo. O PNUMA também contribui para a resiliência ao calor através de abordagens baseadas em ecossistemas sob a Estratégia de Adaptação baseada em Ecossistemas.
A combinação de adaptação e mitigação é crucial para garantir que as pessoas possam se manter resfriadas em temperaturas crescentes sem acelerar as mudanças climáticas. O futuro exige uma ação coordenada e global para enfrentar essa crise.
Perguntas Frequentes
O que é o efeito de ‘ilha de calor urbano’?
É um fenômeno onde as cidades se tornam mais quentes que as áreas rurais circundantes devido à absorção e retenção de calor por edifícios e superfícies pavimentadas.
Quantas mortes estão associadas ao calor extremo anualmente?
Cerca de 489.000 pessoas morrem por ano devido a causas relacionadas ao calor, segundo dados do PNUMA.
Quais são as principais soluções propostas para combater o calor extremo?
As soluções incluem o aumento do acesso a resfriamento de baixo carbono, expansão do resfriamento passivo (soluções naturais, design urbano) e melhoria da eficiência de tecnologias de resfriamento, em conjunto com o redesenho urbano e o uso de infraestrutura verde.
Com informações do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA).
Mais Lidas
- Santarém recebe encontro de arqueologia com visita a sítios de 13 mil anos
- Data center de R$ 250 mi vai operar IA em Belém a partir de 2027
- 'Meretrizes' leva teatro documental sobre o sexo a Belem
- Natureza, acolhimento e lazer fazem do Balneário Curuperé um dos destinos mais encantadores de Outeiro
- Todas as praias de Belém estão próprias para banho pela primeira vez em 25 anos
O Google lançou as Fontes Preferenciais: você escolhe os veículos que aparecem com prioridade. Adicione o Pará+ e garanta a nossa cobertura sempre em destaque.
⭐ Adicionar Pará+ como Fonte PreferencialComo funciona em 3 passos:
- Pesquise qualquer assunto no Google
- Toque no ⭐ ao lado de “Principais Notícias”
- Busque Pará+ e marque a caixa — pronto!




