Produzida no Pará, corda que acompanha a imagem de Nossa Senhora de Nazaré representa fé, tradição e a união de milhares de promesseiros durante o Círio e a Trasladação.
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A corda que será utilizada no Círio de Nazaré e na Trasladação de 2026 tem Castanhal como ponto de partida. Nesta quarta-feira (23), o material foi programado para ser entregue oficialmente à Diretoria da Festa de Nazaré (DFN), em cerimônia realizada às 9h, antes de seguir para Belém, com chegada prevista por volta das 11h30.
Pelo quarto ano consecutivo, a corda é produzida integralmente no Pará pela Companhia Têxtil de Castanhal (CTC), que doa o material à Diretoria da Festa. A fabricação utiliza fibras de malva amazônica, valorizando a produção regional e o trabalho de centenas de paraenses envolvidos nas diferentes etapas do processo.
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A chegada da corda representa um dos momentos mais simbólicos da preparação para o Círio, celebrado em outubro, quando milhares de devotos acompanham a imagem de Nossa Senhora de Nazaré pelas ruas de Belém.
800 metros de fé e tradição
A corda de 2026 possui 800 metros de comprimento, divididos em duas partes de 400 metros. Uma será utilizada na Trasladação, realizada na noite anterior ao Círio, e a outra na grande procissão de domingo.
Com 60 milímetros de diâmetro, o material foi desenvolvido para suportar as condições de uso durante as romarias. Sua estrutura inclui nós e argolas que permitem a conexão às estações metálicas utilizadas no acompanhamento da berlinda.
A produção deste ano envolveu sete meses de preparação, sendo três dedicados ao planejamento e quatro à fabricação. Mais de 480 trabalhadores participaram das diferentes etapas.
Antes de chegar às mãos dos promesseiros, a corda passa por procedimentos de controle de qualidade e testes de resistência, garantindo as condições necessárias para sua utilização.
Da malva amazônica às mãos dos promesseiros
Desde 2023, a corda do Círio passou a ser produzida em Castanhal, substituindo o material anteriormente confeccionado em Santa Catarina, que utilizava fibras de sisal.
A mudança trouxe uma característica especialmente significativa para a festividade: um dos maiores símbolos da devoção nazarena passou a ser produzido com matéria-prima amazônica.
A malva utilizada na fabricação é cultivada em mais de 20 municípios paraenses, por meio de atividades de agricultura familiar que envolvem mais de mil famílias.
O processo começa no campo, com o cultivo e a colheita da fibra. Depois, o material passa por etapas de preparação e transformação industrial até adquirir a estrutura necessária para a confecção da corda.
Além do significado religioso, a produção representa uma oportunidade de valorização da agricultura familiar, da indústria paraense e dos trabalhadores que participam da cadeia produtiva.
Corda passará por vistoria antes das procissões
Após a chegada a Belém, a corda ficará armazenada na Estação Luciano Brambilla até a vistoria oficial, marcada para sábado (26), às 15h, no Colégio Santa Catarina de Sena, no bairro de Nazaré.
Durante o procedimento, integrantes da Diretoria da Festa e da Guarda de Nazaré verificarão as condições do material, incluindo os nós, as argolas e as estações metálicas.
A conferência também inclui a medição dos 800 metros de comprimento e a avaliação dos pontos que recebem maior esforço durante as procissões.
Depois da vistoria, a parte destinada à Trasladação ficará exposta na Estação Luciano Brambilla, enquanto o trecho utilizado no Círio seguirá para a Estação das Docas.
A exposição permitirá que moradores e visitantes conheçam de perto o símbolo religioso antes das romarias de outubro.
Uma tradição que começou em 1885
A presença da corda no Círio de Nazaré remonta a 1885, quando uma enchente atingiu a região da orla de Belém durante a procissão.
Na ocasião, a berlinda ficou atolada e os animais utilizados para puxá-la não conseguiram continuar o percurso. Diante da dificuldade, uma corda foi disponibilizada para que os próprios fiéis ajudassem a conduzir a imagem de Nossa Senhora de Nazaré.
O que surgiu como uma solução para um imprevisto transformou-se em uma das tradições mais marcantes da festividade.
Ao longo dos anos, a corda passou a representar a ligação entre os devotos e Nossa Senhora de Nazaré, reunindo milhares de promesseiros que acompanham as procissões em demonstrações de fé e agradecimento.
Em 2026, sua trajetória começa novamente em Castanhal, passa pelas mãos de trabalhadores paraenses e segue até Belém, onde será protagonista de mais um capítulo da história do Círio de Nazaré.
Fotos: Rosa Pinto ASCOM/DFN
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