Brasileiros reduzem fast-food, trocam marcas e cortam sobremesas enquanto 52% ajustam pedidos por dinheiro

Brasileiros reduzem fast-food, trocam marcas e cortam sobremesas enquanto 52% ajustam pedidos por dinheiro
Ilustração: Pará+

Pesquisa mostra que o preço passou a definir não apenas o que entra no pedido, mas também onde e quando comer fora.

Neste artigo
  1. A economia começa antes da escolha do lanche
  2. Combos menores, cupons e marcas trocadas
  3. O consumidor compara mais e sai menos
  4. Otimismo no longo prazo não paga a conta de hoje
  5. O que isso representa para o consumidor do Pará

O consumidor brasileiro ainda quer comer fast-food, mas está chegando ao balcão, ao aplicativo ou ao drive-thru com uma conta mais apertada na cabeça. Uma pesquisa do SKIM Group mostra que 52% dos entrevistados mudaram seus pedidos nos últimos 12 meses por razões financeiras, reduzindo quantidades, escolhendo produtos mais baratos ou desistindo de itens que antes faziam parte da compra.

A mudança não se limita ao tamanho do lanche. Ela afeta a frequência das refeições fora de casa, a escolha da marca, a comparação entre restaurantes e até a decisão de pedir sobremesa. O dado mais relevante para o setor é que o preço passou a ser avaliado antes mesmo de o consumidor decidir qual produto deseja comprar.

A economia começa antes da escolha do lanche

Entre os brasileiros que afirmaram ter adaptado o pedido por preocupação financeira, 46,2% passaram a consumir fast-food menos vezes. Esse foi o comportamento mais citado e indica que, para uma parcela expressiva do público, economizar não significa apenas trocar um combo por outro mais barato, mas eliminar algumas ocasiões de consumo.

Na sequência, 38,5% passaram a procurar promoções, enquanto 35,9% escolheram itens mais baratos do que aqueles que normalmente comprariam. Os números revelam uma hierarquia de contenção: primeiro o consumidor reduz a presença no restaurante; depois, quando decide comprar, tenta proteger o orçamento com desconto ou substituição.

Segundo o SKIM Group, 52% dos consumidores brasileiros entrevistados mudaram seus pedidos de fast-food por razões financeiras nos 12 meses anteriores à pesquisa. O resultado ajuda a separar duas decisões que costumam ser tratadas como uma só: comer fora e escolher o que comer. Mesmo quando a ocasião é mantida, o pedido pode ficar menor ou mais simples.

Combos menores, cupons e marcas trocadas

A redução do tíquete médio aparece em várias frentes. Para 21,8% dos entrevistados que alteraram os pedidos, a saída foi substituir combos por opções menores e mais baratas. Outros 19,2% passaram a usar cupons de desconto com mais frequência.

A mesma proporção, 19,2%, declarou ter deixado de frequentar restaurantes de fast-food, trocado a marca favorita por uma alternativa mais econômica ou parado de pedir sobremesas. Embora os percentuais descrevam comportamentos diferentes, eles apontam para o mesmo movimento: a experiência de consumo é desmontada item por item quando o preço final ultrapassa o limite considerado aceitável.

Esse processo também muda a concorrência. Uma marca pode manter a preferência do cliente, mas perder a venda porque o combo ficou caro. Um restaurante menos conhecido pode conquistar espaço ao oferecer melhor relação entre preço e benefício. A disputa, portanto, não acontece apenas pelo sabor ou pela conveniência, mas pela capacidade de caber no orçamento naquela compra específica.

O consumidor compara mais e sai menos

Na comparação com o ano anterior, 55,3% dos brasileiros ouvidos disseram estar comendo fora com menor frequência. Ao mesmo tempo, 28% afirmaram comparar mais os preços entre restaurantes de fast-food, e 26,7% passaram a trocar estabelecimentos habituais por opções percebidas como mais vantajosas.

Dois terços dos participantes também disseram sempre ou frequentemente verificar os preços antes de escolher onde comer quando existem alternativas disponíveis. Isso desloca parte importante da decisão para o momento anterior ao pedido. O aplicativo, o cardápio digital, a oferta exibida na entrada e o cupom disponível podem pesar tanto quanto o produto principal.

Para as empresas, a consequência é uma jornada de compra mais frágil. O consumidor pode estar com fome, reconhecer a marca e ainda assim abandonar o pedido depois de comparar valores. A promoção, nesse cenário, não funciona somente como estímulo para aumentar o volume vendido. Ela pode ser o mecanismo que impede a desistência total.

Otimismo no longo prazo não paga a conta de hoje

Um dos pontos mais contraditórios da pesquisa está na convivência entre cautela imediata e confiança no futuro. Embora 79,3% dos brasileiros participantes mantenham uma perspectiva positiva sobre sua situação financeira de longo prazo, considerando emprego, investimentos e aposentadoria, as despesas do cotidiano já estão sendo revistas.

Essa diferença sugere que o consumidor não necessariamente abandonou o fast-food ou passou a considerar esse tipo de alimentação indesejável. O que mudou foi a tolerância ao preço no presente. Uma expectativa positiva para os próximos anos não elimina a necessidade de reduzir gastos nesta semana ou neste mês.

Maura Coracini, managing director do SKIM Group, resume esse comportamento ao afirmar: “Os dados mostram que o consumidor não deixou necessariamente de gostar de fast-food, mas está fazendo escolhas mais criteriosas para que esse consumo caiba no orçamento. O primeiro movimento é reduzir a frequência e, depois, buscar promoções ou itens mais baratos. Para as marcas, o desafio é preservar essas ocasiões de consumo antes que a cautela financeira se transforme em uma mudança permanente de hábito”.

O que isso representa para o consumidor do Pará

Não há, nos dados apresentados, um recorte específico para Belém, Ananindeua ou outras cidades paraenses. Ainda assim, o mecanismo descrito pela pesquisa é diretamente legível para quem vive na Grande Belém: quando há várias redes, lanchonetes e restaurantes disputando a mesma refeição, comparar preço e tamanho do pedido se torna parte da rotina.

Para o leitor paraense, a principal conclusão não é que todo consumidor deixará de comer fora. A tendência indicada é mais seletiva. A compra pode ser mantida em ocasiões específicas, enquanto a frequência diminui, os acompanhamentos são cortados e a escolha passa a depender de descontos, porções menores ou alternativas mais econômicas.

Também existe uma diferença importante entre economizar no valor absoluto e preservar a sensação de vantagem. Um cupom pode manter o cliente dentro da rede, mas não resolve a pressão se o preço final continuar acima do que ele considera possível pagar. Por isso, a resposta do setor tende a ser acompanhada de perto nas próximas rodadas de pesquisas, especialmente para saber se a cautela será temporária ou se criará novos hábitos de consumo.

As marcas terão de observar frequência, valor dos pedidos e migração entre restaurantes, enquanto os consumidores devem continuar comparando preços e ofertas antes de decidir a próxima refeição fora de casa.

Com informações de SKIM Group.

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