
A planta não depende de sementes para avançar: vaso separado, barreira enterrada e poda interrompem a ocupação do canteiro.
Neste artigo
Uma muda de hortelã parece ocupar apenas um canto do quintal, mas depois de alguns meses os ramos começam a aparecer longe do ponto onde foram plantados. Eles surgem entre a chicória do Pará, avançam em direção ao jambu e podem chegar perto da pimenta de cheiro. No clima quente e úmido do Pará, com solo frequentemente molhado pelas chuvas, esse avanço encontra boas condições para continuar.
O motivo não está principalmente nas sementes. A hortelã se multiplica por estolhos subterrâneos, estruturas que crescem por baixo da terra e formam novos pontos de brotação. Quando uma dessas partes encontra espaço, umidade e contato com o solo, pode criar raízes e dar origem a outra porção da touceira.
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O que acontece debaixo da terra
Enquanto a parte visível parece concentrada em alguns talos, a parte subterrânea ocupa uma área maior. Os estolhos funcionam como caminhos de expansão: saem da planta original, percorrem o solo e deixam brotos em diferentes pontos. Por isso, arrancar apenas os ramos que aparecem acima da terra costuma não resolver o problema.
A hortelã também forma uma folhagem fechada. Quando seus ramos se encontram com os de outros temperos, passam a disputar espaço, luz, água e nutrientes na mesma camada do solo. A consequência é o abafamento das plantas menores. No canteiro amazônico, esse conflito pode envolver espécies de crescimento mais lento, como a chicória do Pará, que perde área livre para emitir novas folhas.
O primeiro sinal de avanço é a presença de brotos a alguns centímetros da touceira principal. Outro indício aparece durante a capina: pequenas partes claras e firmes, ligadas à planta por baixo da terra, revelam que a hortelã já está se deslocando para fora do lugar original.
Como plantar sem entregar o canteiro inteiro
A forma mais segura é manter a hortelã em vaso separado. Escolha um recipiente com furos de drenagem e espaço suficiente para a touceira crescer, como um vaso com cerca de 20 centímetros de diâmetro. O recipiente deve ficar apoiado sobre piso, bancada ou outro local em que os estolhos não encostem diretamente no solo.
Se a preferência for pelo plantio no canteiro, use uma barreira enterrada ao redor da área. Pode ser um recipiente sem fundo, uma placa rígida própria para jardinagem ou outro material resistente, formando uma parede contínua. Enterre pelo menos 20 centímetros da barreira e deixe uma borda acima do solo. A parte enterrada dificulta a passagem dos estolhos, enquanto a borda visível ajuda a localizar qualquer ramo que tente escapar.
A barreira precisa ficar fechada em toda a volta. Uma abertura pequena entre duas placas já pode permitir a passagem de uma estrutura subterrânea. Também é importante verificar o fundo: se a contenção não tiver base e o solo do canteiro estiver em contato direto com o interior, a hortelã poderá sair por baixo.
Poda e divisão da touceira
A poda de contenção deve retirar os ramos que ultrapassaram o limite definido e também os que estão encostando em temperos vizinhos. Corte rente ao solo com uma tesoura limpa e recolha os pedaços. Deixar fragmentos sobre a terra é uma forma de espalhar partes capazes de enraizar, principalmente quando o chão permanece úmido.
Para dividir a touceira, regue o vaso ou o canteiro no dia anterior. Depois, retire a planta com cuidado e solte parte do solo ao redor das raízes. Separe manualmente os conjuntos que tenham brotos e raízes próprias. Cada divisão deve ser replantada logo em seguida, na mesma profundidade em que estava, e receber água suficiente para firmar o solo.
Uma touceira muito grande pode ser dividida em duas ou três partes, desde que cada porção mantenha raízes e brotos. O excesso retirado não deve ser jogado em área de terra, composteira aberta ou perto de outros vasos, porque os estolhos e pedaços úmidos podem continuar criando pontos de crescimento.
O que não funciona no controle
Cortar somente as folhas não interrompe a expansão, porque a maior parte do caminho permanece protegida sob a terra. Também não adianta colocar uma pequena borda superficial ao redor da planta: o estolho pode passar por baixo dela. Plantar a hortelã entre outros temperos para “preencher o espaço” produz o efeito contrário, pois a planta continuará ocupando as frestas e aumentará a competição.
No quintal do Pará, a melhor solução é separar a hortelã das espécies que precisam de canteiro próprio. Um vaso bem drenado, colocado onde receba claridade, permite colher os ramos sem misturar as raízes com as da chicória, do jambu ou da pimenta de cheiro. Assim, a planta continua fazendo parte do quintal amazônico, mas o caminho subterrâneo deixa de comandar o canteiro.
Controlar a hortelã não significa impedir seu crescimento. Significa reconhecer que, nessa planta, a parte mais importante para o planejamento fica escondida. Quando o jardineiro observa o que acontece abaixo do solo, o vaso deixa de ser uma limitação e passa a funcionar como o limite que o canteiro não consegue oferecer.
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