
Encontro previsto para os dias 2, 3 e 4 de dezembro pretende reunir comunidades, instituições e gestores no pós-COP30.
Neste artigo
Belém será o ponto de partida de uma nova articulação nacional voltada à economia circular. Nos dias 2, 3 e 4 de dezembro de 2026, a capital paraense deve sediar o I Fórum Norte de Economia Circular, iniciativa que pretende aproximar políticas públicas, comunidades, empresas, universidades e organizações sociais na construção de soluções para a realidade amazônica.
O encontro será realizado no período posterior à COP30 e está sendo estruturado pelo Instituto Reinventando Futuros em parceria com o Governo do Pará, a Secretaria de Estado de Meio Ambiente, Clima e Sustentabilidade, a Finep, a Federação das Indústrias do Estado do Pará e o PNUD Amazônia.
Belém abre uma nova etapa da rede
A escolha da capital paraense não representa apenas a transferência de um evento para a região Norte. A proposta apresentada pelo instituto é usar o fórum como início de um processo permanente de escuta, produção de dados, formação e articulação institucional em diferentes territórios amazônicos.
Na prática, a economia circular busca reduzir desperdícios e manter materiais, produtos e recursos em uso pelo maior tempo possível. No contexto amazônico, esse debate se relaciona a temas como logística em áreas de difícil acesso, saneamento, água, inclusão produtiva, financiamento, regulação, cultura e tecnologias adaptadas à bioeconomia.
Segundo o Instituto Reinventando Futuros, o Fórum Norte de Economia Circular será realizado em Belém, no Pará, nos dias 2, 3 e 4 de dezembro de 2026, como parte da expansão de uma rede de fóruns regionais criada a partir da experiência nordestina.
Metodologia circula, mas as prioridades serão locais
A iniciativa é criada e liderada por Liu Berman, presidente do Instituto Reinventando Futuros. A organização afirma ter mobilizado cerca de 11 mil brasileiros em torno da economia circular e pretende levar a metodologia para outras regiões sem repetir um modelo único de evento.
“O princípio que orienta a expansão é simples: a metodologia pode circular, mas os conteúdos, as prioridades, a governança e o legado precisam nascer de cada território”, explica Liu Berman.
Essa diferença é importante para a Amazônia, onde as condições de transporte, acesso a serviços, organização comunitária e geração de renda variam entre capitais, áreas rurais, comunidades tradicionais e regiões de fronteira. A proposta é que a programação seja construída com a participação de quem já atua nesses espaços, e não apenas apresentada por instituições externas.
Quem deve participar da construção amazônica
Entre os grupos citados na organização estão redes de catadores, povos indígenas, comunidades quilombolas, ribeirinhos, agricultores familiares, mulheres, cooperativas, empreendimentos informais, organizações amazônicas, universidades, representantes do poder público e iniciativas de economia solidária.
A participação desses segmentos deve orientar a definição dos problemas e das soluções discutidas no fórum. A organização também prevê a criação de uma governança amazônica permanente e de um portfólio público chamado Economias da Vida, com iniciativas e instrumentos capazes de aproximar projetos locais de financiamento e políticas públicas.
Para Liu Berman, a presença das comunidades precisa ocorrer desde a tomada de decisões. “Não queremos simplesmente levar para a Amazônia um modelo pronto ou reproduzir a lógica dos grandes eventos, nos quais muitas vezes as comunidades aparecem apenas como cenário”, afirma.

O cenário que impulsiona a expansão
A expansão ocorre em um momento de maior presença do tema na indústria brasileira. De acordo com dado atribuído à Confederação Nacional da Indústria, seis em cada dez indústrias do país já adotam práticas relacionadas à economia circular.
O número ajuda a explicar por que o debate deixou de estar restrito a projetos ambientais e passou a envolver competitividade, inovação, reaproveitamento de materiais, geração de renda e planejamento urbano. Para o Pará, a discussão também se conecta aos desafios de integrar cadeias produtivas, reduzir perdas e ampliar oportunidades econômicas sem desconsiderar os limites ambientais e sociais da região.
As pautas previstas para o Fórum Norte incluem logística adaptada à bioeconomia, autonomia econômica das mulheres, saneamento, água, regulação, financiamento, cultura e tecnologias. A intenção é transformar essas áreas em uma agenda de desenvolvimento construída a partir dos dados e das necessidades dos próprios territórios.
Do Nordeste para o Norte e o Centro-Oeste
A rede nacional começou com o Fórum Nordeste de Economia Circular, que teve três edições e passou por Bahia, Pernambuco e Ceará. Nas duas edições mais recentes, foram reunidos mais de 350 painelistas, entre gestores, líderes comunitários e representantes internacionais, em mais de 300 horas de programação.
A experiência deverá continuar em Maceió, em Alagoas, a partir de junho de 2027. Também está prevista a construção de um Fórum Centro-Oeste no segundo semestre de 2027. A expansão pretende formar uma rede com identidade regional, em vez de concentrar a produção de conhecimento e as decisões em um único núcleo.
“A expansão nacional não significa uniformizar os territórios. Pelo contrário: queremos construir uma rede em que cada região tenha voz, prioridades e legado próprios”, diz Liu.
O que ainda precisa sair do papel
O principal desafio será fazer com que a articulação avance para além da programação do fórum. A criação de dados territoriais, mecanismos de financiamento, redes de cooperação e políticas públicas permanentes depende da continuidade do trabalho depois do encontro em Belém.
Também será necessário conciliar interesses de governos, empresas, organizações sociais e comunidades que vivem realidades distintas dentro da Amazônia. A proposta do instituto é que o Norte não seja apenas um novo local para receber debates, mas passe a produzir referências, soluções e modelos próprios de desenvolvimento.
O processo de construção do Fórum Norte começou em junho de 2026 e deverá avançar até a realização do encontro em Belém, marcado para dezembro.
O que você precisa saber
Quem organiza o fórum? O I Fórum Norte de Economia Circular é uma iniciativa do Instituto Reinventando Futuros, com parceria do Governo do Pará, Semas, Finep, Fiepa e PNUD Amazônia.
Quais temas estarão em discussão? A agenda deve abordar bioeconomia, logística, inclusão produtiva, saneamento, água, financiamento, cultura, tecnologias, regulação e autonomia econômica das mulheres.
Quando será o encontro? O Fórum Norte de Economia Circular está previsto para os dias 2, 3 e 4 de dezembro de 2026, em Belém.
Com informações do Instituto Reinventando Futuros.
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