Uma verdadeira força-tarefa recheada de emoção e conhecimento científico está em andamento no Oeste do Pará para salvar a vida de dois símbolos máximos da nossa fauna aquática. Dois filhotes de peixe-boi-da-Amazônia foram resgatados na região do Baixo Amazonas após mobilizarem pescadores, moradores de comunidades tradicionais e órgãos públicos. Os pequenos mamíferos foram encaminhados com urgência para a sede do Instituto Igarapé Nhamundá, no município de Oriximiná, onde uma equipe multidisciplinar trabalha dia e noite em um regime de cuidados intensivos para reabilitar os animais.
O primeiro resgate emocionante ocorreu no Lago Maria Pixi, localizado na divisa rural entre Oriximiná e Terra Santa, após um morador local avistar o filhote sozinho e acionar os protetores. O segundo caso foi registrado nas margens do Rio Amazonas, na orla de Óbidos, onde pescadores encontraram o animal debilitado e boiando há cerca de três dias. A Secretaria de Estado de Meio Ambiente, Clima e Sustentabilidade, a Semas, agiu rapidamente no suporte técnico e legal da operação, emitindo as guias de transporte e os termos de depósito para garantir que o resgate ocorresse dentro de todas as normas de segurança.
Pixi evolui bem, mas Lurdinha inspira cuidados médicos graves
Os filhotes receberam nomes cheios de significado. A primeira foi batizada de Pixi, uma homenagem carinhosa dos comunitários ao lago onde ela foi salva. Segundo os últimos boletins médicos emitidos pelos veterinários do instituto, Pixi apresenta um excelente estado de saúde geral, demonstrando comportamento ativo, respondendo bem aos estímulos e se alimentando com facilidade. A evolução positiva traz muito otimismo para a equipe, que planeja o seu desenvolvimento saudável ao longo dos próximos meses.
Pará ganha supercentro tecnológico contra desmatamento e queimadas
Pavilhão dos Municípios uma vitrine do Pará
Filhotes de tartaruga ameaçada nascem em praia do Pará e ganham o mar
Por outro lado, a segunda filhote, batizada de Lurdinha em homenagem à respeitada cientista paraense Lurdinha Bastos, enfrenta uma batalha muito mais dura pela sobrevivência. Por ter passado um período longo sem o leite materno na orla de Óbidos, exposta ao estresse urbano e a possíveis poluentes da água, seu quadro clínico é considerado delicado e o prognóstico permanece reservado. Os especialistas explicam que o peixe-boi possui uma biologia sensível e o atendimento nas primeiras horas é o fator principal que determina se o animal conseguirá resistir ou não.
Rotina exaustiva de amamentação a cada três horas na base
Cuidar de um bebê peixe-boi exige uma dedicação muito semelhante à de uma UTI neonatal humana. A rotina na base do Instituto Igarapé Nhamundá inclui plantões ininterruptos onde os animais recebem alimentação controlada com fórmulas especiais de leite a cada três horas, suplementação vitamínica para fortalecer a imunidade e monitoramento constante de peso e comportamento. As equipes avaliam diariamente a taxa de aceitação alimentar e as funções vitais dos bichos, focando no ganho de massa magra essencial para que eles possam flutuar e nadar corretamente.
O peixe-boi-da-Amazônia é uma espécie estritamente herbívora e desempenha um papel ecológico gigante nos nossos rios e ecossistemas de várzea. Ao consumir toneladas de plantas aquáticas diariamente, ele funciona como um cortador de grama natural dos rios, impedindo o entupimento de canais e ajudando na reciclagem e circulação de nutrientes que fertilizam a água e alimentam os peixes. Proteger essa espécie significa, na prática, garantir a fartura de peixes e a saúde das águas que sustentam o sustento de milhares de famílias ribeirinhas no Pará.
Acordos de Pesca transformam antigos caçadores em protetores
O Instituto Igarapé Nhamundá mantém um Acordo de Cooperação Técnica com a Semas e atua em uma área totalmente protegida pelos Acordos de Pesca, uma política pública do Governo do Pará que foi premiada recentemente pela ONU. O secretário-adjunto da Semas, Rodolpho Zahluth Bastos, destaca que o sucesso desse resgate prova a eficiência de manter uma rede comunitária articulada. Quando o Estado dá o suporte legal e as comunidades assumem a governança do território, o monitoramento ambiental passa a funcionar de forma legítima e eficiente.
Os educadores ambientais que atuam na região relatam um dado maravilhoso: o instituto tem recebido dezenas de vídeos de moradores orgulhosos registrando a presença pacífica de peixes-boi em lagos onde antigamente esses animais eram alvo de caça predatória. Impressiona o fato de que muitos desses novos defensores são ribeirinhos que, no passado, participavam da caça e hoje entenderam a importância de manter a floresta e os bichos vivos. Essa mudança cultural é o escudo mais forte para garantir que a espécie se reproduza em total segurança na Amazônia.
Para conhecer os projetos de conservação de fauna marinha e silvestre apoiados pelo governo estadual, checar regras de proteção de espécies ou saber como denunciar crimes contra animais, você pode acessar a página oficial da Semas. A secretaria estadual atua na gestão climática e ambiental do território e fica sediada na Travessa Lomas Valentinas, no bairro do Marco, em Belém, com atendimento regular de segunda a sexta-feira.
Dica Extra: O que fazer se encontrar um peixe-boi ferido?
Não puxe o animal para a terra: O peixe-boi precisa da água para apoiar o peso do seu corpo; mantê-lo no chão seco pode causar lesões graves nos órgãos internos e sufocamento.
Mantenha a calma e afaste os curiosos: O barulho excessivo e a aglomeração de pessoas geram um estresse imenso no animal, piorando o quadro de saúde de filhotes debilitados.
Proteja contra o sol forte: Se o bicho estiver encalhado em uma praia ou lamaçal raso, cubra o corpo dele com panos molhados ou folhas de bananeira para evitar queimaduras na pele.
Acione as autoridades imediatamente: Ligue para a Secretaria de Meio Ambiente do seu município ou entre em contato com a Semas para que biólogos autorizados façam o transporte correto do animal.
Desejamos muita força para a pequena Lurdinha e parabéns aos pescadores e biólogos por esse gesto lindo de amor à natureza! Compartilhe essa matéria inspiradora no seu WhatsApp e mostre para todo mundo a força do povo paraense na proteção da nossa Amazônia!
Mais Lidas
- Lírio da paz com folhas amarelas: 5 causas e como salvar
- Chá de cravo com canela à noite: benefícios e como preparar
- Bolo de macaxeira paraense: a receita que não tem erro
- 6 benefícios do chá de cravo-de-defunto que pouca gente conhece
- Filhotes de tartaruga ameaçada nascem em praia do Pará e ganham o mar




