
Natashia Santana transformou materiais do território paraense em uma marca que combina design, identidade regional e gestão.
Neste artigo
Quem circula pelo Polo Joalheiro, em Belém, pode encontrar peças que começaram a ganhar forma bem longe da capital. Criadas a partir do reaproveitamento de resíduos naturais encontrados no território amazônico, as biojoias da marca Nunghara nasceram em Santarém, no oeste do Pará, e já estão disponíveis em três pontos de venda na capital paraense.
À frente do negócio está Natashia Santana, jornalista com experiência em comunicação e marketing. A mudança de trajetória profissional começou quando ela identificou que materiais presentes na região poderiam ser transformados em produtos contemporâneos, com valor agregado e referências culturais da Amazônia.
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Da matéria-prima regional ao desenho das peças
A proposta da Nunghara não se limita a utilizar elementos naturais. A empreendedora estruturou a marca para que o design e a forma de apresentação também fossem parte do valor entregue ao cliente. A ideia é afastar a percepção de que produtos amazônicos dependem apenas da matéria-prima para contar sua história.
“Comecei a perceber que existia uma oportunidade de transformar elementos que fazem parte do nosso território em produtos contemporâneos, com valor agregado e identidade”, relembra Natashia.
Esse posicionamento combina reaproveitamento, criatividade e identidade regional. Em vez de tratar os resíduos naturais como materiais sem utilidade comercial, a empresa os incorpora a uma cadeia de produção voltada para acessórios e coleções de biojoias.
Uma jornalista diante dos desafios de empreender
A Nunghara está no mercado desde 2023. O início, porém, não foi marcado apenas pela criação das peças. Como ocorre em muitos pequenos negócios, Natashia precisou organizar a empresa enquanto ainda mantinha a operação com recursos próprios.
Entre as principais dificuldades estiveram a definição de preços, a organização dos processos, a gestão do negócio, o posicionamento da marca e a abertura de canais de venda. São etapas que costumam determinar se uma boa ideia consegue se transformar em uma atividade empresarial estável.
Segundo o Sebrae/PA, Natashia Santana criou a Nunghara em Santarém, em 2023, usando resíduos naturais da região para desenvolver biojoias com design inspirado na Amazônia.
“Como acontece com muitos empreendimentos, tivemos o desafio de transformar uma ideia em um negócio estruturado, principalmente em relação a processos, precificação, gestão, posicionamento e acesso ao mercado”, explica.
O que mudou com a capacitação empresarial
O apoio do Sebrae/PA entrou justamente na fase de estruturação. Capacitações, mentorias e programas de desenvolvimento empresarial ajudaram a empreendedora a analisar a Nunghara não apenas como uma marca autoral, mas como uma empresa que precisa controlar processos, organizar sua expansão e preservar a sustentabilidade do crescimento.

Essa diferença é importante para negócios baseados em produtos artesanais ou associados à identidade cultural. A criação de uma peça pode ser o ponto de partida, mas a permanência no mercado depende de decisões sobre preço, estoque, divulgação, distribuição e relacionamento com os pontos de venda.
“Foi justamente nesse processo que capacitações, mentorias e programas de desenvolvimento empresarial fizeram diferença. O Sebrae esteve presente em diferentes momentos dessa construção, ajudando a gente a olhar para a Nunghara não apenas como uma marca de biojoias, mas como uma empresa que precisa crescer de forma sustentável”, afirma Natashia.
Três endereços em Belém e uma nova frente em São Paulo
A expansão da marca aparece de forma concreta para quem está na Grande Belém. As biojoias podem ser encontradas no Polo Joalheiro, na Loja da Assobio e na Loja Igarapé. A empresa também iniciou uma parceria com uma loja em São Paulo, ampliando o alcance de uma produção que tem origem no oeste do Pará.
Para o público paraense, a presença nesses espaços representa mais do que uma nova opção de acessórios. Ela aproxima consumidores de uma marca criada no próprio estado e mostra como produtos associados à biodiversidade e à cultura amazônica podem chegar a circuitos comerciais diferentes, sem perder a ligação com o território de origem.
“Buscamos mostrar que a Amazônia pode ser representada não apenas pela matéria-prima, mas também pelo design, pela inovação e pela capacidade de gerar negócios”, conta a empreendedora.
O impacto local de transformar resíduos em produto
O modelo adotado pela Nunghara também ajuda a ampliar a discussão sobre sustentabilidade no empreendedorismo paraense. O reaproveitamento de resíduos naturais não resolve sozinho os desafios ambientais da região, mas pode criar alternativas de uso para materiais disponíveis no território e estimular uma relação mais cuidadosa com a origem dos insumos.
Outro ponto é a valorização do conhecimento local. Quando uma peça leva referências amazônicas e chega ao mercado com planejamento de marca, ela passa a disputar espaço não apenas como lembrança regional, mas como produto de design. Essa mudança pode favorecer empreendedores que desejam vender para públicos de outras cidades e estados.
Em Santarém, cidade marcada pela presença de rios, florestas e intensa circulação de visitantes, iniciativas desse tipo encontram um ambiente de conexão entre cultura, turismo e economia criativa. Em Belém, a chegada da marca aos pontos de venda amplia essa ponte e dá ao consumidor da capital acesso a uma produção feita no interior do estado.
Como conhecer o trabalho e buscar apoio
Quem deseja conhecer as peças pode procurar os três pontos de venda da Nunghara em Belém. Empreendedores interessados em capacitações, mentorias e soluções de gestão podem acessar o Portal Sebrae ou buscar atendimento nas agências da instituição presentes nas 13 regiões do Pará.
O atendimento também é feito pelo telefone 0800-570-0800, com funcionamento 24 horas e opção de contato por WhatsApp. O Sebrae informa ainda que mantém 149 Salas do Empreendedor distribuídas pelos 144 municípios paraenses, além de capacitações gratuitas em sua loja virtual.
Natashia resume a trajetória como a possibilidade de reunir comunicação, criatividade, gestão, cultura e empreendedorismo em um mesmo projeto. A próxima etapa da Nunghara é consolidar os canais de venda e ampliar a visibilidade dos produtos amazônicos em novos mercados.
Com informações de Sebrae/PA.
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