
Especialistas alertam que proibições podem esconder o problema sem enfrentar as causas da crise de saúde mental.
Neste artigo
Governos de diferentes países estão tentando restringir o acesso de crianças e adolescentes às redes sociais, mas especialistas da Universidade da Virgínia, nos Estados Unidos, afirmam que os banimentos podem não resolver a crise de saúde mental juvenil. Em análise divulgada em 30 de julho de 2026, Nancy Deutsch e Bethany Teachman, coordenadoras da iniciativa Thriving Youth in a Digital Environment, questionam a eficácia das proibições, apontam dificuldades de fiscalização e defendem políticas que combinem limites, educação digital, convivência presencial e apoio psicológico.
O problema não cabe apenas na tela
A discussão ganhou força depois que países passaram a adotar limites de idade para plataformas como TikTok e Instagram. A Austrália foi apresentada como pioneira ao restringir, em 2025, o acesso de menores de 16 anos. Desde então, outras nações passaram a estudar medidas semelhantes, enquanto especialistas e observadores discutem se a política australiana conseguiu impedir, de fato, que adolescentes continuassem usando as plataformas.
Fibras na alimentação: 5 alimentos simples que fazem diferença todos os dias
A respiração 4 7 8: a técnica simples que pode ajudar a relaxar antes de dormir
Estresse na pele: os sinais que mostram que seu corpo está pedindo uma pausa
A controvérsia central está na diferença entre reduzir o acesso formal e diminuir o uso real. Adolescentes podem utilizar contas de terceiros, alterar informações de idade, recorrer a redes privadas virtuais ou migrar para serviços menos conhecidos. A Universidade da Virgínia também chama atenção para outro efeito possível: quanto mais clandestino for o uso, menor tende a ser a supervisão de pais, responsáveis e escolas.
“Adolescentes são notavelmente bons em contornar proibições tecnológicas”, afirmam Deutsch e Teachman. Para as pesquisadoras, uma restrição só será efetiva se vier acompanhada de mecanismos de implementação confiáveis e de ambientes em que os jovens possam pedir ajuda sem medo de punição.
Leis avançam, mas fiscalização ainda é uma incógnita
Na União Europeia, um relatório de especialistas recomendou a criação de regras para limitar o acesso de crianças e adolescentes às redes. A proposta é considerada uma das maiores iniciativas regionais de controle de idade para plataformas digitais. A discussão, no entanto, envolve questões técnicas e jurídicas: como verificar a idade sem ampliar a coleta de dados pessoais e quem será responsabilizado quando um menor conseguir burlar o bloqueio?
A França aprovou uma proibição para menores de 15 anos e se tornou o primeiro país da União Europeia a adotar uma medida desse tipo, segundo informações sobre a legislação francesa. O cronograma previa a formalização das regras até setembro, mas ainda havia incerteza sobre como plataformas e governo fariam a fiscalização.
A experiência australiana também é alvo de críticas. Análises sobre a política da Austrália questionam se a medida conseguiu manter adolescentes fora das plataformas e levantam preocupações sobre a segurança dos sistemas de verificação de idade. A existência de uma lei, portanto, não significa automaticamente que o comportamento digital tenha mudado.
Entenda o caso
As restrições surgem em resposta ao aumento das preocupações com ansiedade, depressão, isolamento e dificuldades de atenção entre jovens. A tese criticada pelas especialistas é a de que o tempo de tela, isoladamente, explicaria a maior parte desses problemas.
Para Nancy Deutsch e Bethany Teachman, redes sociais podem contribuir para determinados riscos, mas também funcionam como espaço de contato, identidade e apoio. O impacto depende do tipo de conteúdo consumido, da frequência de uso, da idade, do contexto familiar e das condições sociais do adolescente.
O risco de trocar orientação por clandestinidade
Uma das críticas mais contundentes das pesquisadoras é que o banimento total pode retirar oportunidades de ensinar hábitos digitais saudáveis. Em vez de aprender a reconhecer manipulação, comparação excessiva, assédio e desinformação, o adolescente pode simplesmente tentar esconder o que faz on-line.

“Uma preocupação com proibições totais é perder oportunidades importantes de orientar o envolvimento com as redes sociais e ajudar os adolescentes a desenvolver hábitos on-line saudáveis”, dizem as professoras. Elas usam a expressão “fluência digital” para definir a capacidade de navegar na internet com autonomia, senso crítico e percepção dos riscos.
Segundo a Universidade da Virgínia, a relação entre redes sociais e saúde mental dos adolescentes é multifatorial, conforme avaliação divulgada em 30 de julho de 2026 pela iniciativa Thriving Youth in a Digital Environment. A frase é relevante porque desloca o foco da contagem de horas para fatores como solidão, relações familiares, acesso a serviços de saúde, desempenho escolar e oportunidades de convivência.
O que isso significa para famílias e escolas
Para pais e responsáveis, a recomendação implícita é substituir a fiscalização exclusivamente punitiva por conversas regulares. Isso não significa liberar o uso sem limites. Significa combinar horários, privacidade, acompanhamento de conteúdos e regras claras para situações de risco, como ameaças, exposição de imagens íntimas, golpes e contato com adultos desconhecidos.
As escolas também enfrentam um dilema. Proibir celulares durante as aulas pode melhorar a concentração em determinados contextos, mas não ensina o aluno a tomar decisões fora do ambiente escolar. Além disso, uma regra nacional ou estadual não resolve problemas que dependem de profissionais de psicologia, assistência social e políticas de proteção à infância.
O debate interessa diretamente ao Pará e à Grande Belém, onde famílias convivem com desigualdade de acesso à internet, diferentes níveis de supervisão e oferta limitada de atendimento especializado em saúde mental. Uma política baseada apenas no bloqueio pode atingir de forma desigual os jovens, especialmente aqueles que usam redes sociais para estudar, buscar informação, manter vínculos ou acessar serviços.
Nos Estados Unidos, a disputa já chegou aos tribunais. A Virgínia aprovou uma regra que limitaria a uma hora diária o tempo de tela de menores de 16 anos, mas um juiz federal bloqueou a medida por possíveis violações à Primeira Emenda, que protege a liberdade de expressão. Na Flórida, uma lei em vigor desde 2025 impede menores de 14 anos de criar contas e exige autorização dos responsáveis para adolescentes de 15 anos.
O próximo teste será observar se as novas regras reduzem o uso nocivo, deslocam adolescentes para plataformas menos transparentes ou apenas produzem a aparência de controle. A França previa formalizar sua legislação até setembro de 2026, e os resultados de implementação em diferentes países deverão orientar os próximos capítulos do debate.
Perguntas frequentes
Banir redes sociais melhora a saúde mental?
Não há garantia de que o banimento, sozinho, produza esse resultado. As especialistas da Universidade da Virgínia defendem considerar também solidão, relações familiares, escola, acesso a tratamento e condições sociais.
Adolescentes conseguem burlar as proibições?
Essa é uma das principais dificuldades apontadas pelas pesquisadoras. Jovens podem usar contas de terceiros, falsificar idade ou migrar para outras plataformas, o que torna a fiscalização mais complexa.
Qual seria uma alternativa ao banimento total?
As especialistas defendem limites combinados com educação digital, supervisão responsável, espaços de convivência presencial e apoio para que adolescentes aprendam a identificar riscos e pedir ajuda.
Com informações de University of Virginia.
Mais Lidas
- Canaã dos Carajás Lidera Exportações no Pará, Movimentando US$ 2,94 Bi
- Rosa vermelha no amor: significados em cada número
- Lábios ressecados o ano todo? A causa ninguém fala
- Quarto de criança organizado: rotina que ela mesma faz
- Belém mobiliza famílias para atualizar vacinação de crianças e adolescentes até setembro
O Google lançou as Fontes Preferenciais: você escolhe os veículos que aparecem com prioridade. Adicione o Pará+ e garanta a nossa cobertura sempre em destaque.
⭐ Adicionar Pará+ como Fonte PreferencialComo funciona em 3 passos:
- Pesquise qualquer assunto no Google
- Toque no ⭐ ao lado de “Principais Notícias”
- Busque Pará+ e marque a caixa — pronto!





Você precisa fazer login para comentar.