
Rede coordenada pelo Museu Goeldi apresenta pesquisas feitas com povos indígenas durante a Semana Amazônia +10, no Reino Unido.
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Uma pesquisa que reúne mais de 70 pesquisadores indígenas e não indígenas, vinculados a mais de 20 instituições, será apresentada fora do Brasil como uma experiência de colaboração científica na Amazônia. Coordenado pelo Museu Paraense Emílio Goeldi, o Projeto Vozes da Amazônia Indígena participa da Semana do Programa Amazônia +10, realizada de 22 a 25 de setembro de 2026 em Londres e Oxford, no Reino Unido.
A iniciativa tem uma conexão direta com o Pará: um dos três territórios estudados pelo projeto é a Terra Indígena Kayapó. As outras áreas são a Terra Indígena Alto Rio Negro, no Amazonas, e a Terra Indígena do Xingu, no Mato Grosso. A presença do Museu Goeldi, instituição de pesquisa vinculada ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação e sediada em Belém, coloca a produção científica amazônica no centro de uma agenda internacional.
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Uma rede que pesquisa a Amazônia a partir dos territórios
O encontro no Reino Unido não será apenas uma exposição de resultados. Pesquisadores, pós-doutorandos e representantes de instituições parceiras devem compartilhar o andamento dos projetos apoiados pela chamada Expedições Científicas, trocar experiências e discutir novas colaborações.
O Projeto Vozes será apresentado pela arqueóloga Helena Pinto Lima, do Museu Goeldi, pelo linguista Thiago Chacón, da Universidade de Brasília, e por Manuel Arroyo-Kalin, da University College London. Também participam pesquisadores do Royal Botanic Gardens, Kew, da University of Nottingham e do Birkbeck University of London, instituições britânicas parceiras da pesquisa.
Segundo o Museu Paraense Emílio Goeldi, o Projeto Vozes da Amazônia Indígena será apresentado em Londres e Oxford entre 22 e 25 de setembro de 2026 como uma rede intercultural voltada ao estudo das relações históricas entre povos indígenas, biodiversidade e território.
Do dicionário à história dos territórios
Entre os materiais levados ao evento estão o Dicionário Kuikuro Português de Cultura Material e o livro Territórios Radicais na Amazônia Brasileira, da antropóloga Laura Zanotti com o povo Mebengokre Kayapó. O conjunto também inclui exemplos de publicações da editora do Museu Goeldi produzidas a partir das parcerias construídas pelo projeto.
Esses produtos ajudam a mostrar que a pesquisa não se limita à coleta de dados sobre os territórios. Ela também envolve conhecimentos, línguas, objetos, registros históricos e formas próprias de interpretar as relações entre as comunidades e o ambiente. Para o leitor paraense, a participação Kayapó torna essa discussão especialmente próxima, porque o território estudado está no estado e integra uma das áreas de investigação da rede.
Como a pesquisa combina arqueologia, história e ambiente
O projeto investiga processos históricos de formação da sociobiodiversidade diante dos desafios do Antropoceno. Para isso, articula estudos arqueológicos e históricos com diferentes especialidades, entre elas arqueobotânica, zooarqueologia, geoarqueologia, paleoecologia e análise de coleções históricas.
Na prática, a combinação dessas áreas permite observar vestígios de plantas, animais, solos, paisagens, artefatos e documentos. O objetivo é compreender, em uma perspectiva de longa duração, como as populações humanas transformaram e foram transformadas pelos ambientes amazônicos.
Essa abordagem também muda o papel dos povos indígenas dentro da produção científica. Eles não aparecem somente como objeto de observação, mas como participantes da construção do conhecimento. É essa dimensão intercultural que dá unidade a uma rede espalhada por diferentes regiões da Amazônia e formada por especialistas de áreas variadas.
O que a Amazônia +10 busca financiar
A Semana do Programa Amazônia +10 reúne instituições apoiadas pela iniciativa, liderada pelo Conselho Nacional das Fundações Estaduais de Amparo à Pesquisa e pelo Conselho Nacional de Secretários para Assuntos de Ciência, Tecnologia e Inovação. O Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico também participa do programa.
A Amazônia +10 foi criada para apoiar pesquisas científicas e o desenvolvimento tecnológico relacionados à floresta tropical, às interações entre natureza e sociedade e a um modelo de desenvolvimento sustentável e inclusivo. A agenda em Londres e Oxford funciona, portanto, como espaço de divulgação, articulação institucional e busca por novas oportunidades de financiamento.
Para Helena Lima, a viagem pode ajudar os pesquisadores a estabelecer conexões, formular novas propostas e garantir continuidade aos trabalhos. O Projeto Vozes começou em fevereiro de 2025 e tem vigência prevista de 36 meses, o que coloca a formação de novas parcerias como uma etapa importante antes do encerramento do ciclo atual.
Por que o encontro interessa ao Pará
A discussão internacional tem efeito local porque parte da pesquisa ocorre em território paraense e porque o Museu Goeldi atua há décadas na produção e na difusão de conhecimento sobre a Amazônia. Os resultados podem ampliar a visibilidade de estudos realizados com comunidades indígenas do estado e aproximar instituições brasileiras de universidades e centros de pesquisa estrangeiros.
Também existe um impacto na forma como a Amazônia é apresentada fora do país. Em vez de uma visão restrita à floresta como recurso natural, o projeto leva para o debate internacional temas como memória, língua, cultura material, ocupação histórica e participação indígena. São dimensões que ajudam a explicar por que a conservação ambiental não pode ser separada dos povos que vivem nos territórios.
A programação em Londres e Oxford acontece de terça-feira a sexta-feira, entre 22 e 25 de setembro de 2026. Depois dessa etapa, a expectativa é que os contatos realizados contribuam para novas pesquisas e para a continuidade das atividades do Projeto Vozes durante o período restante de sua vigência.
Com informações de Museu Paraense Emílio Goeldi.
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