Após 16.980 hectares queimados, produtores de Soure farão curso para reagir ao fogo no Marajó

Após 16.980 hectares queimados, produtores de Soure farão curso para reagir ao fogo no Marajó
Foto: acervo

Treinamento de 16 horas prepara equipes rurais para prevenir e combater incêndios antes do período mais crítico do ano.

Neste artigo
  1. O fogo já alcançou uma área extensa no arquipélago
  2. Como a capacitação chega à rotina das fazendas
  3. Produtor passa a participar da proteção do território
  4. O desafio envolve pecuária, vegetação e sazonalidade
  5. O que acontece depois do treinamento
  6. Quem participa da capacitação

Em Soure, no Marajó, funcionários de propriedades rurais serão treinados para agir contra incêndios florestais depois que 788 hectares foram atingidos pelo fogo no município somente em 2026. A capacitação ocorrerá nos dias 29 e 30 de setembro, no Parque de Exposições Dr. Irval Lobato, com aulas teóricas e atividades práticas voltadas à prevenção, ao controle e ao combate às chamas.

A formação foi programada para antes do período historicamente mais crítico na região, que reúne os meses de outubro, novembro e dezembro. A ideia é fazer com que as equipes reconheçam riscos, organizem uma resposta inicial e atuem com segurança quando um foco surgir dentro ou próximo das propriedades.

O fogo já alcançou uma área extensa no arquipélago

Os números ajudam a dimensionar o problema. Segundo o Monitor do Fogo do MapBiomas, 16.980 hectares foram queimados em 2026 na Área de Proteção Ambiental do Arquipélago do Marajó. O município de Soure responde por 788 hectares desse total, de acordo com os dados apresentados para a iniciativa.

A pressão não é um episódio isolado. Em 2025, a APA do Arquipélago do Marajó teve a terceira maior área queimada acumulada entre as unidades de conservação da Amazônia e a quinta maior do Brasil, conforme o MapBiomas Fogo. Ao mesmo tempo, cerca de 94% do território da APA continua coberto por vegetação natural.

Segundo o MapBiomas Fogo, a APA do Arquipélago do Marajó acumulou 16.980 hectares queimados em 2026, enquanto Soure registrou 788 hectares atingidos no mesmo ano.

Como a capacitação chega à rotina das fazendas

O treinamento integra o projeto Valorizar para Transformar, da Produzindo Certo, e será conduzido pela Aliança da Terra por meio da Brigada Aliança. Participam funcionários das propriedades envolvidas no programa de boas práticas produtivas, que combina assistência técnica e acompanhamento do perfil socioambiental das áreas rurais.

Na prática, a proposta não se limita a ensinar como apagar um incêndio já iniciado. O trabalho inclui identificar vulnerabilidades, melhorar a organização da propriedade e preparar os trabalhadores que conhecem diariamente os caminhos, cercas, pastagens e áreas de vegetação existentes no terreno.

A carga horária será de 16 horas. A combinação entre conteúdo técnico e exercícios práticos busca reduzir a demora na primeira resposta, sem transformar trabalhadores rurais em substitutos das estruturas públicas especializadas. O foco está na prevenção, na contenção inicial e na atuação segura até que a situação possa ser controlada ou encaminhada às equipes competentes.

Produtor passa a participar da proteção do território

O modelo coloca o proprietário e seus funcionários dentro da estratégia ambiental. A assistência técnica ajuda a organizar a gestão da área, enquanto a formação prepara as pessoas que estão mais próximas de possíveis focos. Essa conexão é importante em regiões extensas, onde o deslocamento até uma ocorrência pode consumir tempo decisivo.

Para Caroline Nóbrega, diretora-geral da Aliança da Terra, a adesão às boas práticas amplia a capacidade de resposta da propriedade e ajuda a formar uma rede de proteção mais articulada. “Quando o produtor adere às boas práticas, recebe assistência técnica e prepara seus funcionários, ele amplia a capacidade da própria propriedade de prevenir e responder aos incêndios, contribuindo também para uma rede de proteção mais conectada ao território”, afirmou.

A iniciativa também reúne a Associação Rural da Pecuária do Pará, a FAEPA/SENAR e a Prefeitura de Soure. A articulação aproxima o setor produtivo da pauta climática, mas os resultados dependem da continuidade das medidas depois do curso, principalmente da adoção diária das práticas de prevenção.

O desafio envolve pecuária, vegetação e sazonalidade

O Marajó tem uma paisagem marcada por áreas alagadas e extensas porções de vegetação natural, mas isso não elimina o risco de queimadas. A combinação entre períodos mais secos, uso do fogo, atividades agropecuárias e áreas de difícil acesso pode favorecer a propagação das chamas, sobretudo no fim do ano.

Além dos incêndios sazonais, o território enfrenta pressões relacionadas ao desmatamento e à pecuária extensiva. Por isso, o combate não depende apenas de equipamentos ou da chegada de brigadistas. Também envolve o planejamento do uso da terra, a redução de situações de risco e o monitoramento constante das áreas mais vulneráveis.

Para o Pará, a experiência em Soure tem relevância porque testa uma estratégia de resposta dentro das propriedades, em vez de concentrar toda a ação depois que o fogo ganha grandes proporções. O aprendizado pode interessar a outros polos rurais do estado, como Paragominas, onde a Aliança da Terra afirma já ter desenvolvido modelo semelhante de integração entre brigada e assistência técnica.

Na Grande Belém, o treinamento não representa uma mudança imediata na rotina urbana, mas o caso ajuda a explicar por que a prevenção de incêndios precisa considerar o território paraense como uma rede conectada. A conservação de áreas naturais, a produção rural e a capacidade de resposta local fazem parte do mesmo desafio ambiental estadual.

O que acontece depois do treinamento

A capacitação de setembro é uma etapa inicial. O principal limite da medida é que duas jornadas de formação não eliminam o risco de novos incêndios nem substituem políticas de fiscalização, monitoramento e atendimento público. A resposta será mais efetiva se o conhecimento incorporado pelos funcionários permanecer associado à rotina de cada propriedade.

Os participantes estarão no Parque de Exposições Dr. Irval Lobato, em Soure, nos dias 29 e 30 de setembro, para as 16 horas de formação. A continuidade das boas práticas e o acompanhamento das áreas durante outubro, novembro e dezembro serão os próximos testes da estratégia.

Com informações de Aliança da Terra.

Quem participa da capacitação

Quem fará o treinamento? Funcionários das propriedades rurais envolvidas no projeto Valorizar para Transformar, da Produzindo Certo.

Onde e quando será a formação? No Parque de Exposições Dr. Irval Lobato, em Soure, nos dias 29 e 30 de setembro de 2026.

Qual é o objetivo das aulas? Preparar as equipes para prevenir, controlar e combater incêndios florestais com conhecimento técnico e segurança.

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