
A presença de garças na Praça Batista Campos, em Belém, tem mobilizado ações permanentes da Prefeitura para proteger os animais e reduzir os impactos ambientais provocados pela concentração excessiva de aves no local. Por meio da Secretaria Municipal de Meio Ambiente (Semma), o Município mantém uma estrutura de resgate e atendimento veterinário destinada a garças feridas, debilitadas ou encontradas mortas.
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A iniciativa faz parte de um plano de manejo emergencial que reúne monitoramento, atendimento especializado, reabilitação e destinação adequada dos animais. O objetivo é promover o equilíbrio ambiental da praça, garantindo que as aves recebam cuidados sempre que necessário.
Doze garças foram recolhidas em um mês
Entre 14 de julho e 18 de agosto de 2026, 12 garças foram recolhidas pela equipe responsável pelo atendimento na Praça Batista Campos. Desse total, sete aves foram encaminhadas ainda vivas para avaliação veterinária. Cinco morreram durante o processo, enquanto duas passaram por reabilitação.
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Uma das garças recuperadas foi devolvida à natureza em setembro. A outra permanece em recuperação no Bosque Rodrigues Alves, onde recebe acompanhamento da equipe especializada.
A estrutura disponibilizada pela Semma conta com uma viatura, um biólogo e uma veterinária, que realizam o recolhimento dos animais a partir de acionamentos feitos pelos agentes que trabalham na praça.
Segundo Ellen Eguchi, diretora do Departamento de Gestão de Áreas Especiais da Semma, a criação da equipe surgiu a partir do aumento das demandas relacionadas às garças.
O trabalho busca atender os animais em situação de risco e, simultaneamente, acompanhar as condições ambientais do espaço. A Prefeitura também desenvolve ações para reduzir os fatores que favorecem a permanência de grandes grupos de aves na praça.
Atendimento especializado reduz riscos durante o resgate
O manejo de animais silvestres exige cuidados desde o momento da captura. Em situações de estresse intenso, as aves podem desenvolver miopatia de captura, uma síndrome que pode comprometer o funcionamento muscular e provocar consequências graves.
Diante dessa preocupação, a equipe de fauna da Semma desenvolveu um protocolo específico para o atendimento de garças. De acordo com Ellen Eguchi, a conduta é inédita para esse grupo de aves e ainda deverá ser sistematizada e publicada pela equipe em uma futura produção científica.
O protocolo inclui cuidados durante a contenção, o transporte e a chegada ao local de reabilitação. Entre os procedimentos estão o tratamento de suporte para correção da acidose metabólica, quando identificada, além da avaliação e do atendimento de lesões traumáticas.
No Bosque Rodrigues Alves, cada animal passa por uma avaliação individual. Dependendo da situação, podem ser realizados procedimentos de estabilização, administração de medicamentos e exames complementares.
Entre os problemas identificados nas garças atendidas estão fraqueza muscular, dificuldade de coordenação motora, incapacidade de voo, baixo escore corporal, fraturas, traumas, alterações na cavidade oral e presença de ectoparasitas.
A equipe também acompanha as condições de cada ave para determinar se existe possibilidade de reabilitação e retorno à natureza.
Óbitos são investigados e animais recebem destinação adequada
As garças encontradas mortas na praça são acondicionadas e encaminhadas à Universidade Federal Rural da Amazônia (Ufra). Na instituição, os exemplares passam por procedimentos de investigação, incluindo necropsia, que pode ajudar a identificar as causas da morte.
Entre as espécies encontradas estão a Ardea alba, conhecida como garça-branca ou garça-real, e a Egretta thula, chamada de garça-branca-pequena.
O biólogo Eduardo Lobão, integrante da equipe de resgate, explica que nem todos os óbitos registrados estão relacionados a doenças. Algumas aves chegam ao atendimento após quedas, traumatismos ou disputas entre os próprios animais, especialmente entre filhotes.
Segundo o profissional, os exames realizados até o momento não identificaram doenças infectocontagiosas nas garças avaliadas. A investigação individual continua sendo importante para compreender as ocorrências e definir os procedimentos adequados.
População deve evitar contato com as aves
O atendimento da Semma funciona em horário comercial, de segunda a sexta-feira. A população, entretanto, não deve tentar capturar ou transportar garças encontradas feridas, debilitadas ou mortas.
O acionamento direto da viatura não está disponível para o público em geral. Na praça, os agentes responsáveis pelo monitoramento entram em contato com a equipe municipal quando identificam uma ocorrência.
Em situações que exigem atendimento durante o fim de semana ou quando não é possível realizar o recolhimento pela equipe da Prefeitura, a orientação é acionar o Batalhão de Polícia Ambiental pelo número 190, do Centro Integrado de Operações (Ciop).
A recomendação é manter distância, não tocar no animal e informar o local e as condições em que a garça foi encontrada. Essa atitude contribui para a segurança da população e reduz o risco de estresse ou ferimentos adicionais às aves.
Manejo ambiental busca reequilibrar a praça
Além do resgate, a Prefeitura mantém ações de manejo ambiental na Batista Campos. A Secretaria Municipal de Zeladoria e Conservação Urbana (Sezel) realiza a lavagem diária das áreas com maior concentração de dejetos e sujidades.
A Semma também desenvolve atividades de educação ambiental para orientar frequentadores e comerciantes sobre a importância de não oferecer alimentos às garças e aos peixes dos lagos.
Foto: Paula Lourinho
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