Em Belém, oficina de 3 horas transforma exposição amazônica em exercício de escrita cultural

Em Belém, oficina de 3 horas transforma exposição amazônica em exercício de escrita cultural
Foto: Divulgação

Atividade gratuita será realizada em 27 de setembro e terá vagas limitadas para maiores de 18 anos.

Neste artigo
  1. Da ideia inicial ao projeto que pode sair do papel
  2. Uma exposição como ponto de partida
  3. O que a curadoria organiza antes da abertura
  4. Quem conduz a formação
  5. Como participar em Belém
  6. A mostra segue aberta até outubro

Uma exposição sobre pessoas que defenderam a floresta será usada como laboratório para quem deseja aprender a organizar ideias, pesquisas e propostas no campo da cultura. É a partir da mostra “Povos Amazônicos não morrem, viram semente” que o curador, crítico de arte e professor Shannon Botelho conduz, em Belém, a oficina gratuita “Curadoria e Escrita de Projetos Culturais”, marcada para 27 de setembro de 2026, às 11h.

A atividade será realizada no Centro Cultural Banco da Amazônia, na Avenida Presidente Vargas, no bairro da Campina, e terá três horas de duração. A programação é voltada a artistas, produtores culturais, estudantes, professores, pesquisadores, curadores e outros profissionais do setor, mas também pode interessar a pessoas maiores de 18 anos que estejam começando a estruturar uma iniciativa cultural.

Da ideia inicial ao projeto que pode sair do papel

O ponto central da oficina é uma dificuldade comum para quem atua na cultura: transformar uma intenção em um documento compreensível, consistente e capaz de orientar sua realização. Durante o encontro, os participantes vão trabalhar a diferença entre ideia, proposta e projeto, além de identificar os elementos que dão forma a uma iniciativa.

Entre os itens previstos estão objeto, descrição, justificativa, objetivos, público-alvo, orçamento, ficha técnica e contrapartidas. A proposta não é apenas apresentar conceitos. A metodologia também inclui exercícios de escrita, discussão coletiva, referências sobre a prática curatorial e uma ficha preparada especialmente para ajudar na elaboração de projetos.

Segundo o Centro Cultural Banco da Amazônia, a oficina será realizada em Belém em 27 de setembro de 2026 e terá como base o processo de construção da exposição “Povos Amazônicos não morrem, viram semente”.

Uma exposição como ponto de partida

A mostra que orienta a formação é assinada pelo artista visual rondonense Rafael Prado e reúne pinturas inspiradas em histórias de lideranças indígenas, ativistas socioambientais, camponeses, seringueiros, catadores de castanha e outros personagens amazônicos mortos na defesa da floresta e de seus modos de existir.

A pesquisa que deu origem às obras começou em 2022. Nas imagens, corpos aparecem integrados a árvores, raízes, cipós, rios e animais. Essa escolha visual cria uma relação entre memória, território e continuidade, ao mesmo tempo em que desloca a narrativa da morte para a permanência dessas pessoas nas histórias e nos espaços amazônicos.

Para quem participar da oficina, a exposição também servirá para observar decisões que normalmente ficam nos bastidores: como um recorte é definido, de que forma obras e artistas são selecionados, como uma narrativa é construída e como o projeto se relaciona com o público e com o espaço onde será apresentado.

“O trabalho do Rafael nos lembra que aqueles que defenderam a Amazônia seguem presentes em suas histórias, em seus territórios e na memória coletiva”, afirma Shannon Botelho.

O que a curadoria organiza antes da abertura

A curadoria costuma ser associada apenas à seleção de obras, mas a atividade propõe uma visão mais ampla desse trabalho. A pesquisa, a articulação de referências, a organização espacial, a comunicação com os públicos e a construção de sentidos fazem parte do processo que transforma um conjunto de trabalhos em uma exposição.

Esse aspecto aproxima a oficina da realidade de artistas e produtores do Pará. Em Belém, onde exposições, festivais, ações educativas e projetos comunitários dependem de propostas bem estruturadas para buscar parcerias ou participar de editais, saber explicar o que será feito pode ser tão importante quanto ter uma boa ideia.

A formação também apresenta diferentes contextos profissionais para a curadoria, como museus, galerias, instituições culturais, espaços independentes e projetos realizados por meio de editais. O exercício prático deverá ajudar os participantes a adaptar uma proposta ao público, ao espaço e aos objetivos de cada iniciativa.

Quem conduz a formação

Shannon Botelho nasceu no Rio de Janeiro, em 1990, é diretor de curadoria da Galeria Murilo Castro, crítico de arte e professor. Doutor em História e Crítica da Arte pela Escola de Belas Artes da Universidade Federal do Rio de Janeiro, em parceria com a École des Hautes Études en Sciences Sociales, ele pesquisa as relações entre memória e paisagem.

Seu trabalho investiga conexões entre arte contemporânea, política e construção de narrativas. Entre as curadorias realizadas por Botelho estão projetos no Centro Cultural BNDES, Memorial Getúlio Vargas, Sesc RJ, Janaina Torres Galeria e Museu Histórico da Cidade, além de uma exposição em Paris. Em Belém, ele assina a curadoria da mostra de Rafael Prado.

Como participar em Belém

A oficina é gratuita, destinada a maiores de 18 anos e tem vagas limitadas. As inscrições devem ser feitas pelo formulário disponível no link da bio do perfil @abstrataproducoes, no Instagram.

  • Oficina: Curadoria e Escrita de Projetos Culturais
  • Ministrante: Shannon Botelho
  • Data: 27 de setembro de 2026
  • Horário: 11h
  • Duração: três horas
  • Local: Centro Cultural Banco da Amazônia
  • Endereço: Avenida Presidente Vargas, 800, Campina, Belém
  • Público: artistas, estudantes, professores, produtores, pesquisadores, curadores e profissionais da cultura
  • Faixa etária: maiores de 18 anos
  • Entrada: gratuita, com vagas limitadas

A mostra segue aberta até outubro

Quem quiser conhecer o projeto curatorial antes ou depois da oficina pode visitar a exposição “Povos Amazônicos não morrem, viram semente”. A mostra permanece no Centro Cultural Banco da Amazônia até 9 de outubro de 2026, com entrada gratuita.

O espaço recebe visitantes de terça a sexta-feira, das 10h às 16h, e aos sábados, domingos e feriados, das 10h às 14h. Visitas mediadas podem ser agendadas pelo e-mail [email protected], com cópia para [email protected].

As inscrições para a oficina seguem disponíveis enquanto houver vagas, e a exposição continua em cartaz até 9 de outubro, ampliando o período para que o público de Belém conheça o trabalho que servirá de base aos exercícios de curadoria e escrita.

Com informações do Centro Cultural Banco da Amazônia.

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