O ingrediente que você adora no mix de castanhas leva décadas para nascer e depende de um segredo da floresta

Consumida no mundo inteiro e orgulho máximo da mesa dos paraenses, a castanha-do-pará — também conhecida internacionalmente como castanha-do-brasil — é um alimento versátil, rico em gorduras boas e minerais essenciais para o nosso corpo. Nós encontramos essa semente com facilidade nas feiras de Belém, nos mercados do interior e em receitas tradicionais que vão desde o bombom regional até pratos salgados refinados. No entanto, o que a grande maioria das pessoas que consome essa delícia nem desconfia é que, por trás de cada semente crocante, existe um dos ciclos biológicos mais demorados, complexos e fascinantes de toda a natureza do planeta.

A castanheira-do-pará, cujo nome científico é Bertholletia excelsa, é uma árvore monumental que pode alcançar facilmente os cinquenta metros de altura, destacando-se como uma das maiores riquezas da nossa biodiversidade amazônica. O que torna a sua existência um verdadeiro espetáculo de paciência é que uma castanheira plantada hoje pode levar de vinte a trinta anos para dar os seus primeiros frutos no meio da mata fechada. Essa lentidão extrema faz com que cada árvore seja tratada como um monumento sagrado, cujo valor econômico e ecológico atravessa gerações de famílias extrativistas da nossa região.

Esse tempo de espera impressionante ocorre porque a castanheira necessita atingir uma maturidade estrutural gigantesca antes de conseguir produzir os seus primeiros ouriços, que são os frutos lenhosos e pesados onde as castanhas ficam guardadas. Para que todo esse processo aconteça com sucesso, a árvore não trabalha sozinha: ela depende de uma rede invisível de cooperação entre insetos específicos e roedores nativos da Amazônia, em um equilíbrio perfeito que a ação do homem na cidade dificilmente consegue reproduzir.

O mistério da polinização que nenhuma tecnologia consegue copiar

O motivo de a castanheira ser uma árvore de cultivo tão difícil fora do seu habitat natural está guardado em um segredo floral. As flores da castanheira são grandes, amarelas e possuem uma estrutura fechada e dura, que exige muita força física para ser aberta. Para que a flor seja polinizada e se transforme em um fruto futuramente, a árvore depende da visita de abelhas silvestres de grande porte, conhecidas popularmente na nossa região como as abelhas mamangavas.

Esses insetos são os únicos que possuem o tamanho e a força necessários para levantar a pétala pesada da flor, entrar no miolo e realizar a coleta do pólen. Como as mamangavas necessitam de uma floresta intocada, saudável e diversa para viver, a castanheira simplesmente não consegue dar frutos se estiver isolada em uma plantação comum de monocultura ou em áreas que sofreram com queimadas. É por isso que cada castanha que chega à sua mesa carrega consigo a garantia de que aquela região da floresta continua preservada e cheia de vida.

O ciclo do ouriço e o papel do jardineiro da floresta

Depois que a polinização é realizada com sucesso pelas abelhas, começa uma nova jornada de paciência botânica. O fruto da castanheira leva cerca de quatorze meses para se desenvolver completamente na copa da árvore. Esse fruto é o famoso ouriço, uma esfera de casca extremamente dura e resistente, que lembra a textura de uma rocha ou de um coco de madeira maciça. Quando está maduro, o ouriço cai do topo da árvore de cinquenta metros de altura, gerando um impacto forte no solo da mata.

Dentro de cada ouriço ficam armazenadas entre quinze e vinte e quatro castanhas com casca. Como a estrutura do fruto é praticamente impenetrável para a maioria dos animais da floresta, a castanheira conta com a ajuda de um parceiro fundamental para espalhar suas sementes: a cutia. Esse pequeno roedor é o único animal com dentes fortes o suficiente para roer o ouriço lenhoso e retirar as castanhas de dentro. Como a cutia tem o hábito de comer algumas sementes e enterrar o restante em locais distantes para consumir depois, as castanhas esquecidas debaixo da terra acabam germinando e dando origem a novas árvores gigantescas nas décadas seguintes.

A importância econômica e a proteção da rainha da Amazônia

A castanheira-do-pará desempenha um papel central na manutenção da floresta em pé e na geração de renda para milhares de famílias de ribeirinhos, indígenas e comunidades tradicionais em todo o interior do nosso estado. O extrativismo sustentável da castanha é uma das atividades mais limpas da nossa economia, pois incentiva a preservação da mata nativa, já que, como vimos, a árvore necessita do ecossistema completo ao seu redor para conseguir produzir e frutificar.

Devido à sua importância ambiental imensurável, a castanheira é protegida por leis federais rigorosas que proíbem o seu corte em todo o território nacional. Manter essas gigantes vivas e monitoradas é um compromisso de sustentabilidade que coloca o nosso estado na vanguarda do debate internacional sobre o clima e a bioeconomia. Conhecer essa história transforma o consumo desse alimento em um ato de valorização da nossa cultura alimentar e da dedicação dos trabalhadores que coletam os ouriços no chão da mata.

Conecte-se com as ações de bioeconomia e preservação no Pará

Incentivar o consumo de produtos que vêm do extrativismo sustentável é uma maneira eficiente de proteger a nossa biodiversidade e fortalecer o comércio interno. Se você quer conhecer os projetos de manejo florestal, as feiras de produtos orgânicos da agricultura familiar e as ações de fomento à bioeconomia que geram emprego e renda no interior da nossa região, vale a pena acompanhar as iniciativas da Sedap Pará para descobrir o potencial da nossa floresta.

Dica Extra para escolher e consumir a castanha perfeita

Para que você possa aproveitar todos os benefícios nutricionais desse tesouro da nossa floresta com o máximo de sabor e frescor na sua mesa, adote esses cuidados práticos na hora da compra e do consumo

  • Na hora de comprar a castanha fresca descascada na feira, prefira aquelas que estão bem branquinhas e firmes ao toque, evitando as sementes amareladas ou com manchas escuras

  • Para saber se a castanha com casca está boa e cheia por dentro, balance a semente perto do ouvido; se você escutar a castanha batendo muito solta nas paredes, significa que ela está seca e velha

  • Guarde as suas castanhas descascadas dentro de um pote de vidro limpo e bem fechado dentro da geladeira, pois o frio evita que os óleos naturais da semente oxidem e fiquem com gosto rançoso

  • Consumir apenas duas unidades de castanha-do-pará por dia é o suficiente para garantir toda a quantidade de selênio que o seu corpo necessita para fortalecer o sistema imunológico

  • Experimente torrar levemente as castanhas em uma frigideira por três minutos antes de consumir; esse processo caseiro ativa os aromas e deixa a semente muito mais crocante

Gostou de desvendar a história incrível e o ciclo demorado da castanheira que alimenta e protege a nossa floresta? Compartilhe este texto no grupo de WhatsApp dos seus amigos e familiares e ajude todo mundo a valorizar ainda mais essa semente maravilhosa da nossa terra!

O segredo pouco conhecido da caminhada leve que traz resultado... Ler →

O Google lançou as Fontes Preferenciais: você escolhe os veículos que aparecem com prioridade. Adicione o Pará+ e garanta a nossa cobertura sempre em destaque.

⭐ Adicionar Pará+ como Fonte Preferencial

Como funciona em 3 passos:

  1. Pesquise qualquer assunto no Google
  2. Toque no ⭐ ao lado de “Principais Notícias”
  3. Busque Pará+ e marque a caixa — pronto!