
Trecho de 400 metros que será utilizado na grande procissão pode ser visitado até 10 de outubro, na Estação das Docas, em Belém. Produzida no Pará com fibra de malva, a corda volta a reunir fé, tradição e identidade amazônica.
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Um dos símbolos mais conhecidos do Círio de Nazaré já pode ser visto de perto pelos devotos em Belém. A corda que será utilizada na grande procissão de 2026 está em exposição na Estação das Docas, permitindo que moradores e visitantes tenham contato com um elemento que, durante o Círio, é disputado por milhares de promesseiros pelas ruas da capital paraense.
O trecho exposto possui 400 metros e ficará no complexo turístico até o dia 10 de outubro, véspera do Círio. A visitação pode ser feita de domingo a quinta-feira, das 10h à meia-noite, e às sextas e sábados, das 10h à 1h.
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Para muitos fiéis, o momento de visitar a corda antes da procissão se transforma em oportunidade para realizar orações, agradecer graças alcançadas e renovar promessas.
Corda passou por vistoria antes da exposição
Antes de chegar à Estação das Docas, a corda passou por uma vistoria completa realizada pela Diretoria da Festa de Nazaré e pela Guarda de Nazaré.
O procedimento ocorreu no Colégio Santa Catarina de Sena, no bairro de Nazaré. Durante a inspeção, foram avaliados nós, argolas, conexões com as estações metálicas e toda a extensão do material.
A segurança é um dos principais cuidados na preparação, já que milhares de pessoas acompanham as procissões próximas à estrutura.
Ao todo, foram produzidos 800 metros de corda, posteriormente divididos em duas partes de 400 metros. Uma será utilizada durante a Trasladação, realizada na noite anterior ao Círio, e a outra acompanhará a grande procissão de domingo.
Enquanto a corda destinada ao Círio está exposta na Estação das Docas, o trecho preparado para a Trasladação permanece na Estação Padre Luciano Brambilla, no complexo da Basílica Santuário de Nazaré.
Produção valoriza matéria-prima da Amazônia
A corda utilizada em 2026 foi produzida em Castanhal, no nordeste paraense, pela Companhia Têxtil de Castanhal.
Pelo quarto ano consecutivo, a fabricação ocorre integralmente no Pará. Até 2022, o material era produzido fora do estado. A mudança aconteceu em 2023 e passou a valorizar uma matéria-prima diretamente ligada à Amazônia.
A estrutura é confeccionada com fibra de malva e possui 60 milímetros de diâmetro.
A produção envolve uma extensa cadeia de trabalhadores, desde agricultores responsáveis pelo cultivo da fibra até profissionais que participam das diferentes etapas de fabricação.
A malva utilizada na produção está presente em mais de 20 municípios paraenses e envolve famílias ligadas à agricultura familiar. Dessa forma, um símbolo religioso do Círio também passa a carregar uma relação direta com a produção rural e a economia do Pará.
Em 2026, o processo de fabricação mobilizou centenas de trabalhadores e exigiu meses de planejamento, preparação e testes.
Símbolo reúne fé e tradição
A relação dos promesseiros com a corda é uma das imagens mais marcantes do Círio de Nazaré.
Durante a procissão, milhares de pessoas caminham próximas à estrutura, muitas delas cumprindo promessas ou agradecendo graças alcançadas.
A corda acompanha a Berlinda de Nossa Senhora de Nazaré e se tornou, ao longo da história, um dos elementos mais reconhecidos visualmente dentro da grande romaria.
Para quem não consegue acompanhar o objeto durante a procissão, a exposição na Estação das Docas oferece uma oportunidade diferente de aproximação.
Sem a movimentação intensa das ruas, visitantes conseguem observar detalhes da estrutura, das estações metálicas, dos nós e das argolas preparados especialmente para o percurso.
Estação das Docas entra no roteiro da quadra nazarena
A exposição também transforma a Estação das Docas em um dos pontos de visitação ligados ao Círio 2026.
Localizado às margens da Baía do Guajará, o complexo recebe paraenses e turistas durante todo o ano, mas ganha uma movimentação especial no período da quadra nazarena.
A presença da corda aproxima turismo, cultura e religiosidade em um mesmo espaço.
Até a véspera do Círio, visitantes terão a oportunidade de conhecer de perto o trecho que, no domingo, estará nas ruas de Belém cercado por milhares de mãos.
Depois de permanecer em exposição, a corda seguirá para cumprir sua principal missão no dia 11 de outubro, quando voltará a fazer parte de uma das cenas mais tradicionais e emocionantes do Círio de Nazaré.
Fotos: Flavio Contente/ Pará+
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