Na manhã desta terça-feira, a cidade de Belém foi palco de um gesto simbólico importante: a caminhada intitulada “Os Passos que Elas Não Deram”, protagonizada por mulheres, servidores e servidoras da Fundação ParáPaz e por mulheres atendidas pela instituição. A ação integra a campanha 21 Dias de Ativismo pelo Fim da Violência contra a Mulher — mobilização nacional que vai de 20 de novembro a 10 de dezembro. A proposta: devolver visibilidade às trajetórias interrompidas pela violência, dar voz a quem muitas vezes foi silenciada e chamar a sociedade para a urgência da denúncia e do acolhimento.
O grupo partiu do entorno da sede da ParáPaz e percorreu avenidas centrais — a Avenida Duque de Caxias e a Avenida José Bonifácio — levando cartazes com mensagens de coragem, apoio e resistência. Ao chegar, ergueu-se simbolicamente a “Calçada das Vozes Silenciadas”: pegadas femininas no chão exibiam frases reais ditas por mulheres vítimas de violência, uma metáfora dolorosa para trajetórias interrompidas, para vidas que deixaram de ser vividas por falta de apoio, denúncia ou proteção. Ao lado, um mural convidava as participantes a registrar mensagens de solidariedade, de apoio e de compromisso com a causa.

Entre as que caminharam, estava uma mulher de 75 anos, que declarou: “Eu acho importante essa caminhada pra chamar a atenção das pessoas. A gente precisa falar. Eu adorei participar. Quanto mais gente apoiar, melhor pra ajudar outras mulheres.” Sua presença — longe de ser simbólica — ressaltou a amplitude da luta: mulheres de todas as idades, de diferentes histórias e realidades, caminhando juntas pelo mesmo propósito. Cada passo dava voz a quem já caiu no esquecimento social.
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Para a coordenadora da área da mulher da Fundação ParáPaz, o objetivo foi claro: “provocar reflexão e incentivar atitudes de proteção”. Segundo ela, a iniciativa busca não apenas dar visibilidade a histórias de dor e silêncio, mas mobilizar a sociedade como um todo — incluindo os homens — para que assumam papel de aliados no enfrentamento da violência. A mensagem é inequívoca: a luta não é (e nunca foi) só das mulheres.
A participação da Guarda Municipal de Belém (GMB) com viatura rosa, moto batedores e escolta também teve significado: garantiu a segurança física da mobilização, reforçando que atos de cidadania, de denúncia simbólica, merecem visibilidade e proteção. Ao dar respaldo institucional à caminhada, a corporação traduziu em ação concreta o papel de instituições públicas no apoio a causas sociais tão urgentes.

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Mais do que um protesto silencioso, a caminhada “Os Passos que Elas Não Deram” foi um chamado — um chamado à empatia, à solidariedade, à coragem de ouvir, acolher e agir. Visou transformar silêncios em vozes, invisibilidade em visibilidade, dor em força coletiva. Ao reconstruir — em forma de arte, dor e memória — as trajetórias interrompidas pela violência, a Fundação ParáPaz convidou Belém a refletir sobre quantas vozes ainda estão caladas e quantas vidas aguardam por acolhimento, denúncia, justiça.
Essa mobilização reverbera para além do dia, das ruas, dos cartazes. É um convite à ação: hoje, amanhã e sempre. Denunciar. Acolher. Apoiar. Ser aliado. Porque cada passo dado nessa caminhada é, também, um ato de compromisso com a vida de mulheres que ainda aguardam por justiça e por paz.
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