Belém se consolidou como uma das capitais mais bem posicionadas do Brasil no tema segurança pública. No Ranking de Competitividade dos Municípios, elaborado pelo Centro de Liderança Pública (CLP), a capital paraense alcançou a segunda posição nacional entre as capitais, com nota 86,02, ficando atrás apenas de Florianópolis, que registrou 89,02 pontos. Quando o recorte considera apenas as cidades brasileiras com mais de 1 milhão de habitantes, Belém assume a liderança, seguida por Porto Alegre e Guarulhos.
O resultado foi divulgado na última semana de agosto de 2025 e mostra uma evolução recente: em janeiro do mesmo ano, Belém aparecia em terceiro lugar entre as capitais. O avanço de uma posição em apenas oito meses reflete o esforço do Estado e da gestão municipal em reduzir os índices de violência e consolidar políticas públicas de preservação de vidas.
De acordo com o secretário de Segurança Pública e Defesa Social do Pará, Ualame Machado, o desempenho no ranking é um sinal de amadurecimento das estratégias adotadas. Ele lembrou que o estudo considera dez critérios, sendo a segurança pública o mais relevante, com peso de 12,60%. “Belém se destacou por alcançar estabilidade nos números de violência e por demonstrar resultados consistentes em áreas como redução de mortes violentas”, destacou.
No cenário regional, a capital paraense lidera com folga. Entre as cidades do Norte, Belém ocupa o primeiro lugar, seguida por Manaus, Rio Branco, Boa Vista, Porto Velho, Palmas e Macapá. No indicador específico de Mortes Violentas Intencionais (MVI), aparece em 6º lugar no ranking nacional de todos os municípios e em 4º entre as capitais, com pontuação de 80,88. No Norte, é a primeira colocada.
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O ranking, que busca oferecer aos gestores públicos metodologias utilizadas no setor privado para apoiar decisões e nortear políticas, atribui ao pilar da segurança pública a maior relevância entre os dez temas avaliados. Esse pilar é formado por dez indicadores que vão além da violência letal: incluem também mortes a esclarecer, mortalidade no trânsito, morbidade hospitalar e ocorrências relacionadas ao transporte.
Ao observar a linha histórica, percebe-se que o Estado do Pará também vem melhorando gradualmente. Atualmente, ocupa a 13ª posição nacional no quesito segurança pública, com nota de 36,07, atrás apenas do Amazonas, em oitavo, e do Acre, em décimo segundo, quando o recorte é restrito à região Norte. Esse resultado contrasta com anos anteriores: em 2019, o Pará aparecia apenas na 21ª posição. A trajetória evidencia avanços contínuos, ainda que persistam desafios.
O caso de Belém mostra como as capitais da Amazônia podem, com políticas estruturadas e monitoramento de dados, ganhar espaço em um debate que historicamente privilegiou outras regiões do país. A liderança entre as cidades com mais de 1 milhão de habitantes demonstra que o combate à violência não depende apenas de geografia ou de características socioeconômicas, mas da consistência na gestão e na articulação entre instituições públicas e sociedade.
Se por um lado os indicadores ainda apontam para a necessidade de avanços, especialmente na esfera estadual, o desempenho da capital paraense serve como um ponto de inflexão no debate sobre segurança na Amazônia. Belém se tornou, neste momento, um exemplo de como investimentos em inteligência policial, programas de prevenção e integração das forças de segurança podem resultar em reconhecimento nacional.
Em um país que convive diariamente com a urgência de reduzir a violência, o protagonismo conquistado por Belém não se limita a uma posição em ranking, mas simboliza uma trajetória de transformação que pode inspirar outras cidades a adotar estratégias baseadas em dados, cooperação institucional e foco na proteção da vida.