Investimento social e infraestrutura no sudeste paraense
No sudeste paraense, onde o traçado da floresta se entrelaça com o avanço da produção agrícola, a paisagem ganha novos contornos não apenas pela terra lavrada, mas pelo que se planta em termos de estrutura social. A recente entrega da reforma da sede da Associação dos Agricultores do Projeto de Assentamento União Américo Santana (AUAS), em Canaã dos Carajás, marca mais do que a conclusão de uma obra física: trata-se de um gesto de engenharia voltado às pessoas, à coesão comunitária e à dignidade rural.

Realizada pela Construtora Barbosa Mello (CBM), a iniciativa integra o Programa Partilhar — frente de responsabilidade social da empresa — e se insere em um modelo de atuação que entende a infraestrutura como meio, não como fim. Ao investir cerca de R$ 340 mil na revitalização completa do espaço, a CBM consolida uma visão de desenvolvimento que contempla, simultaneamente, o produtivo e o humano.
Detalhes da revitalização e legado geracional
A reforma teve início na primeira semana de dezembro de 2025 e, em pouco mais de um mês, transformou o cenário da AUAS. Foram executados serviços que vão desde a substituição do forro à instalação de novas redes elétricas e hidrossanitárias. Esquadrias refeitas, pintura renovada, cobertura reforçada e, como símbolo de permanência geracional, um playground infantil restaurado — sinal de que o espaço é também dos filhos da terra.

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O papel institucional e a vocação pública da AUAS
Se há algo que distingue a AUAS de outras associações rurais é a sua vocação pública. Fundada para representar os agricultores assentados desde 2014, a entidade é hoje um polo de formação, debate e mobilização. Reuniões, capacitações e encontros diversos fazem da sede um território de decisão e troca — algo raro, mas vital, em áreas onde o acesso a políticas públicas ainda é atravessado por longas distâncias e curtas estruturas.
A reforma, nesse contexto, não é um presente. É uma aposta. Uma aposta no fortalecimento institucional de uma coletividade que se organiza para sobreviver e produzir em um ambiente de desafios históricos. A nova sede amplia não apenas a capacidade de acolhimento físico, mas sobretudo a potência simbólica da comunidade em afirmar sua existência e lutar por seus direitos.
Compromisso com a sustentabilidade e a comunidade
Para a CBM, o gesto está profundamente conectado à forma como a empresa enxerga seu papel em regiões de alta complexidade social. “Acreditamos que construir também é cuidar de pessoas, fortalecer comunidades e gerar desenvolvimento de forma sustentável. Essa entrega representa o nosso Jeito de Ser: uma engenharia feita por pessoas e para pessoas”, afirma Marcelly Oliveira, especialista de Sustentabilidade da companhia.
Não se trata de retórica vazia. Ao longo dos últimos anos, a atuação da CBM em projetos sociais tem procurado incorporar as dimensões mais sensíveis dos territórios onde atua. Canaã dos Carajás, por sua vez, é um território emblemático: ali, a tensão entre a mineração, o agronegócio e os modos de vida tradicionais é constante. Em meio a isso, a reforma da AUAS é uma tentativa, ainda que modesta, de reequilibrar a balança em favor das comunidades locais.
O Projeto de Assentamento União Américo Santana nasceu da luta por terra e dignidade. Desde sua consolidação, em 2014, abriga dezenas de famílias de trabalhadores rurais realocados, em busca de um recomeço. Com a sede revitalizada, o assentamento ganha não apenas um espaço mais seguro e funcional, mas também um ponto de convergência simbólica: um lugar onde as decisões sobre o futuro ganham corpo, onde as vozes comunitárias podem ecoar com mais clareza.
A entrega oficial ocorreu em 28 de janeiro de 2026 — data que não figurará em manuais de história, mas que permanecerá na memória dos que fazem da organização coletiva um ato cotidiano de resistência. Entre as paredes recém-pintadas e o concreto firme, não se vê apenas obra terminada. Vê-se a continuidade de um projeto maior: o de construir com as pessoas, e não apesar delas.




















