O mapa dos investimentos em níquel no Pará para 2026 e 2027 revela um movimento estratégico de “reordenamento”. Enquanto alguns projetos gigantescos enfrentam pausas, outros avançam com força total, consolidando cidades específicas como os novos centros da eletrificação global.

Aqui estão os pontos focais da Rota do Níquel:
- Ourilândia do Norte: A Consolidação da Vale
Ourilândia é hoje o coração pulsante do níquel paraense. O destaque de 2026 é a operação plena do segundo forno de Onça Puma.
- O Investimento: A Vale Base Metals ampliou a capacidade de produção em 60%, atingindo 40 mil toneladas de níquel por ano.
- Impacto Local: A cidade consolida-se como um polo de serviços industriais, com mais de 1.800 funcionários permanentes no complexo. O foco para 2026-2027 é a redução de custos para manter a competitividade contra o níquel asiático.
- Tucumã: O Avanço do Projeto Jaguar
A Centaurus Metals obteve a Licença de Instalação para o projeto Jaguar, marcando o início de uma nova fase para o município.
- O Diferencial: O Jaguar é focado em níquel sulfetado, que é mais fácil e barato de transformar em sulfato de níquel (o material usado diretamente nas baterias de carros elétricos).
- Impacto Local: Espera-se um boom na construção civil e contratações em Tucumã ao longo de 2026, preparando a mina para operar nos anos seguintes.
- Canaã dos Carajás: O Projeto Vermelho no Horizonte
Embora Canaã seja a “Terra do Ferro”, o Projeto Vermelho, da Vale, está em fase avançada de estudos e licenciamento.
- O Investimento: Estimado em US$ 1,2 bilhão, o projeto visa produzir níquel e cobalto, a dupla dinâmica das baterias de alta performance.
- Aposta de Longo Prazo: Em fevereiro de 2025, a Vale anunciou o programa “Novo Carajás”, com R$ 70 bilhões em investimentos totais até 2030, onde o níquel e o cobre ganham protagonismo crescente frente ao ferro.
- Conceição do Araguaia: O Momento de Cautela
O projeto Araguaia Níquel, da Horizonte Minerals, que era uma das grandes promessas, anunciou uma paralisação em 2024 devido a desafios de financiamento e baixa nos preços mundiais do ferro-níquel na época.
- Status Atual (2026): O site permanece em manutenção e busca de novos investidores ou compradores. A cidade, que viveu um pico de contratações (mais de 2.800 empregos), agora aguarda uma reestruturação do projeto para retomar as obras.
Tabela de Municípios e Status dos Projetos (2026-2027)
| Município | Projeto Chave | Empresa | Foco | Status |
| Ourilândia do Norte | Onça Puma (2º Forno) | Vale | Ferro-Níquel | Operação Plena / Expansão |
| Tucumã | Jaguar | Centaurus Metals | Níquel Sulfetado | Início de Obras (Instalação) |
| Canaã dos Carajás | Projeto Vermelho | Vale | Níquel + Cobalto | Licenciamento e Viabilidade |
| Conceição do Araguaia | Araguaia Níquel | Horizonte | Ferro-Níquel | Suspenso / Busca Investidor |
O Pará como “Porto Seguro” da Mineração Crítica
A estratégia para 2026 é clara: a Vale está concentrando seus investimentos em ativos de alta eficiência e baixo custo, como Onça Puma, enquanto empresas menores como a Centaurus focam no mercado de baterias (níquel de classe 1).
A “Rota do Níquel” não é apenas uma linha no mapa, mas um corredor de desenvolvimento no sudeste do Pará que conecta a floresta às fábricas de automóveis da Europa. Para o paraense, isso significa que as cidades citadas acima serão as primeiras a sentir o impacto de novas infraestruturas, escolas técnicas e, claro, a variação das receitas da CFEM.






















