Museu Goeldi completa 160 anos, abre Parque de graça, reúne acervo de 4,5 milhões e leva concerto ao Theatro da Paz

Museu Goeldi completa 160 anos, abre Parque de graça, reúne acervo de 4,5 milhões e leva concerto ao Theatro da Paz
Foto: Divulgação

Programação em Belém marca a trajetória da instituição científica mais antiga da Amazônia e aproxima o público de suas pesquisas e coleções.

Neste artigo
  1. O que o visitante encontrará no Parque
  2. Da Rocinha às coleções, uma história de pesquisa na região
  3. Um acervo que sustenta políticas públicas
  4. Conhecimento produzido com participação dos povos amazônicos
  5. O aniversário continua no Theatro da Paz

Quem visitar o Parque Zoobotânico do Museu Paraense Emílio Goeldi nesta terça-feira, 6 de outubro, poderá percorrer trilhas, conhecer peças científicas e participar de mediações nas exposições sem pagar ingresso. A abertura excepcional, das 9h às 16h, integra a programação pelos 160 anos da instituição, que também prepara um concerto da Amazônia Jazz Band no Theatro da Paz, em Belém, no dia 15 de outubro.

A agenda transforma o aniversário em uma oportunidade de aproximação direta com um patrimônio científico que costuma ser conhecido pelo público principalmente como área de lazer. Ao longo de sua história, o Museu Goeldi reuniu 4,5 milhões de registros em 19 coleções científicas e consolidou pesquisas sobre biodiversidade, povos e comunidades tradicionais, arqueologia, linguística e mudanças socioambientais na Amazônia.

O que o visitante encontrará no Parque

A programação começa às 9h, em frente ao Pavilhão Domingos Soares Ferreira Penna, conhecido como Rocinha. De lá, serão realizadas três trilhas com participação gratuita e limite de 30 pessoas por atividade. A primeira será a Trilha Histórica, seguida pela Trilha Visitão, às 9h30, e pela Trilha Árvores Centenárias, às 10h. As vagas serão preenchidas por ordem de chegada.

Também às 9h, no Hall do Centro de Exposições Eduardo Galvão, o público poderá observar e interagir com itens da Coleção Didática Emília Snethlage. O conjunto tem mais de 4 mil peças relacionadas às áreas de zoologia, botânica, geociências e ciências humanas. A proposta é apresentar parte do acervo de maneira acessível, com mediação da equipe do Serviço de Educação.

Entre 9h e 12h, mediadores vinculados às pesquisas do Museu estarão nas exposições “Diversidades Amazônicas” e “Katxar Kum Neero, nossos lugares verdadeiros”. Na primeira, o roteiro passa por geociências, zoologia, entomologia, arqueologia e tecnologias sociais. Na segunda, o público terá contato com conhecimentos relacionados ao povo Katxuyana e às línguas Karib.

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Da Rocinha às coleções, uma história de pesquisa na região

O Aquário Jacques Huber também terá mediações qualificadas sobre ictiologia, área dedicada ao estudo dos peixes, e herpetologia, que pesquisa répteis e anfíbios. Com isso, a programação distribui a celebração por diferentes espaços do Parque e mostra como os ambientes de visitação estão ligados ao trabalho científico desenvolvido pelo Museu.

Segundo o Museu Paraense Emílio Goeldi, a instituição foi fundada em 1866, em Belém, e ganhou novo impulso a partir de 1894, quando o zoólogo suíço Emílio Goeldi assumiu sua direção. Nesse período, o antigo Museu Paraense passou por uma reforma que o aproximou do modelo de centro de pesquisa dedicado à história natural e à etnografia amazônica.

Foi também durante a gestão de Goeldi, entre 1894 e 1907, que a instituição ampliou suas coleções, estruturou uma equipe especializada e criou o Boletim do Museu Paraense. A publicação está entre os primeiros periódicos científicos do país. Pesquisadores como Jacques Huber, Adolf Ducke e Emília Snethlage contribuíram para formar uma base de conhecimento produzida na própria Amazônia, em vez de depender apenas de expedições estrangeiras que levavam amostras e observações para instituições da Europa e da América do Norte.

Um acervo que sustenta políticas públicas

A dimensão atual do Museu não está apenas na idade da instituição. Em 2025, foram publicados 224 artigos científicos, livros e capítulos de livros. As coleções receberam 7,9 mil novos itens e 53 espécies foram descobertas e incorporadas aos acervos biológicos, de acordo com os dados da última avaliação de desempenho do MPEG.

As pesquisas também alimentam decisões que afetam o planejamento do território amazônico. Informações produzidas pelas equipes do Museu são utilizadas em ações relacionadas ao Zoneamento Ecológico-Econômico, à organização de unidades de conservação, a diagnósticos de impacto ambiental e à elaboração de listas de espécies ameaçadas.

Museu Goeldi completa 160 anos, abre Parque de graça, reúne acervo de 4,5 milhões e leva concerto ao Theatro da Paz
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A instituição mantém bases em diferentes áreas estratégicas. O Parque Zoobotânico foi criado em 1895, unindo pesquisa, educação científica e convivência com a população de Belém. Em 1979, o Museu ampliou sua estrutura com o Campus de Pesquisa, no bairro da Terra Firme. Em 1993, criou a Estação Científica Ferreira Penna, na Floresta Nacional de Caxiuanã, onde são realizados estudos de acompanhamento socioambiental de longo prazo.

Conhecimento produzido com participação dos povos amazônicos

Uma das mudanças na trajetória institucional foi a ampliação do diálogo com povos indígenas, quilombolas e comunidades ribeirinhas. Segundo registros de pesquisadores do MPEG, essas parcerias passaram a reconhecer os conhecimentos tradicionais como parte fundamental da documentação, da gestão de acervos e da construção de pesquisas sobre a região.

Na área de ciências humanas, trabalhos realizados com povos indígenas ampliaram estudos de etnografia, linguística e arqueologia. Em alguns casos, as investigações também respondem a demandas apresentadas pelas próprias comunidades, aproximando a produção acadêmica de questões relacionadas à memória, ao território e à preservação de modos de vida.

A formação de novos pesquisadores é outro eixo dessa atuação. O Museu mantém programas de pós-graduação em parceria com universidades e instituições de pesquisa da Amazônia e possui, de forma autônoma, o Programa de Pós-Graduação em Biodiversidade e Evolução e o Programa de Pós-Graduação em Diversidade Sociocultural. A formação começa ainda na infância por meio de iniciativas como o Clube do Pesquisador Mirim.

O aniversário continua no Theatro da Paz

Depois das atividades no Parque, a celebração terá uma segunda etapa em 15 de outubro, com um concerto da Amazônia Jazz Band no Theatro da Paz. A ação conta com parceria da Embaixada da Suíça no Brasil, que desenvolve projetos colaborativos com o Museu Goeldi. Os detalhes da apresentação estão em preparação e serão divulgados pela instituição.

Para o diretor do MPEG, Nilson Gabas Júnior, a marca dos 160 anos representa o trabalho acumulado por pesquisadores, técnicos, servidores, colaboradores e parceiros. “Aos 160 anos, nosso compromisso não é apenas celebrar o caminho percorrido. É reconhecer aqueles que o construíram e assegurar que esse patrimônio científico e cultural continue produzindo conhecimento, formando pessoas e contribuindo para a compreensão, o futuro e o desenvolvimento da Amazônia”.

A programação de 6 de outubro será realizada excepcionalmente em uma terça-feira, dia em que o Parque costuma permanecer fechado para manutenção. A entrada será gratuita, e as atividades com limite de participantes dependerão da ordem de chegada. O Museu Goeldi deve divulgar posteriormente as informações complementares sobre o concerto de 15 de outubro.

Com informações de Museu Paraense Emílio Goeldi.

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