Um lançamento que convida a desacelerar
Belém recebe, no dia 27 de janeiro, às 19h, o lançamento de um livro que propõe algo cada vez mais raro no cotidiano urbano: tempo para sentir a cidade. O escritor e ativista socioambiental João Meirelles apresenta Guia-me Belém, obra publicada pela Editora Unesp que foge deliberadamente do formato convencional dos guias turísticos. O encontro acontece no Sesc Ver-o-Peso, espaço simbólico da vida cultural paraense, às margens da baía do Guajará, onde a cidade pulsa entre rios, mercados, memórias e encontros.

O livro nasce do gesto de caminhar, observar e escutar. Em vez de listas apressadas de atrações, horários e serviços, Guia-me Belém propõe uma experiência sensível: acompanhar a cidade em seus ritmos próprios, reconhecendo a paisagem como um organismo vivo, atravessado por histórias humanas e não humanas. O lançamento em Belém, mais do que um evento literário, se apresenta como um convite coletivo a revisitar a cidade com outros olhos.
Um guia que é também experiência
Ao longo de mais de uma década de convivência com Belém e seus arredores, João Meirelles construiu uma relação profunda com o território amazônico urbano. Essa vivência se traduz em um livro que se aproxima mais de uma narrativa de viagem do que de um manual informativo. As páginas percorrem bairros, ilhas, mercados, rios, praças e caminhos pouco evidentes, revelando camadas invisíveis do cotidiano belenense.
O autor propõe um deslocamento simbólico: sair da lógica do consumo rápido da cidade e adotar uma postura de presença. Belém surge como um espaço que se revela no cheiro da chuva, na conversa à sombra de uma mangueira, no som dos barcos ao amanhecer, na comida compartilhada e na relação íntima com a água. O guia não aponta apenas onde ir, mas como estar — e isso transforma a leitura em uma experiência quase sensorial.
Essa abordagem faz com que o livro dialogue tanto com moradores quanto com visitantes. Para quem vive na cidade, a obra funciona como um espelho sensível, capaz de revelar aspectos cotidianos muitas vezes naturalizados. Para quem chega de fora, oferece uma chave de leitura mais profunda, que evita exotizações e aproxima o leitor da complexidade social, cultural e ambiental de Belém.

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Direitos humanos, natureza e cidade viva
A trajetória de João Meirelles como ativista socioambiental atravessa toda a narrativa. Guia-me Belém não separa a experiência urbana das questões éticas que moldam a vida contemporânea. Ao falar da cidade, o autor fala também da floresta, das águas, das populações tradicionais, da desigualdade social e da convivência entre espécies.
O livro parte do princípio de que não há cidade sem natureza, especialmente na Amazônia. Belém é apresentada como um território de fronteira, onde o urbano e o natural se interpenetram de forma constante. Rios não são apenas paisagem, mas vias de circulação, sustento e identidade. Árvores não são ornamento, mas memória viva e infraestrutura climática. Pessoas não são figurantes, mas protagonistas de uma cidade em permanente reinvenção.
Esse olhar comprometido amplia o alcance da obra. Ao mesmo tempo em que orienta percursos, Guia-me Belém provoca reflexões sobre o direito à cidade, o direito à natureza e a necessidade de repensar modelos de desenvolvimento que ignoram a vida em suas múltiplas formas. É um livro que convida a caminhar, mas também a questionar.
Belém como destino, Belém como encontro
O lançamento no Sesc Ver-o-Peso reforça o caráter simbólico do livro. Localizado em uma das áreas mais emblemáticas da cidade, o espaço conecta cultura, memória e convivência, valores centrais da obra. O evento marca não apenas a chegada de um novo título ao público, mas o fortalecimento de uma produção literária que trata Belém como sujeito, não como cenário.
A divulgação do lançamento tem circulado pelas redes sociais, ampliando o alcance do convite para além dos círculos literários tradicionais, em plataformas como Instagram, Facebook e LinkedIn. Essa presença digital reflete o próprio espírito do livro: conectar pessoas, experiências e territórios por diferentes caminhos.
Guia-me Belém chega em um momento em que as cidades amazônicas ganham centralidade nos debates globais sobre clima, cultura e futuro urbano. Ao oferecer um olhar afetivo, crítico e profundamente enraizado no território, João Meirelles contribui para que Belém seja vista não apenas como destino, mas como experiência viva — complexa, contraditória e profundamente humana.



























