O Despertar da Rota do Ouro Negro Paraense
O Pará, consolidado como o maior produtor de cacau do Brasil, inicia 2026 com um cronograma ambicioso para fortalecer sua presença no mercado global. O pontapé inicial será o Chocolat Amazônia – Festival Internacional do Chocolate e do Cacau, que ocorre entre os dias 23 e 26 de abril, no Hangar Convenções e Feiras da Amazônia, em Belém. Financiado pelo Fundo de Apoio à Cacauicultura do Estado do Pará (Funcacau), o evento não é apenas uma feira de sabores, mas uma plataforma estratégica de bioeconomia que conecta a produção sustentável da floresta ao consumidor final.
A edição deste ano promete uma reestruturação visual e técnica para receber as caravanas de mais de 500 produtores vindos de diversas regiões de integração. Paralelamente, a feira Flor Pará trará a exuberância das plantas nativas, criando um ambiente de negócios que une dois dos setores mais vibrantes do agronegócio paraense. De acordo com a Sedap, o objetivo é superar recordes anteriores de público e de volume de negócios, consolidando o estado como o epicentro da inovação cacaueira na América Latina.
Da Transamazônica para a Argentina: Expansão de Mercados
Uma das grandes novidades anunciadas pelo Conselho Gestor do Funcacau é a internacionalização direta do produtor. Em junho de 2026, o Pará terá uma comitiva oficial no festival do cacau de Buenos Aires, na Argentina. A escolha do país vizinho é puramente estratégica: a Argentina é atualmente o maior comprador das amêndoas de cacau produzidas no Brasil. O intercâmbio visa colocar o cacauicultor paraense frente a frente com os compradores internacionais, permitindo uma negociação direta e o reconhecimento da qualidade superior do produto cultivado sob a sombra da floresta amazônica.
Enquanto a comitiva se prepara para o exterior, o interior do estado também ferve com programações regionais. Municípios que formam o cinturão produtivo da Rodovia Transamazônica, como Anapu, Brasil Novo e Medicilândia, receberão aportes para eventos locais. Essas feiras são vitais para o compartilhamento de tecnologias de cultivo e processamento, garantindo que o pequeno produtor tenha acesso às mesmas ferramentas de inovação que os grandes players do mercado.

Altamira e o Fenômeno Chocolat Xingu
Se Belém é a vitrine, Altamira é o coração pulsante da produção. Entre os dias 18 e 21 de junho, o município sediará o Chocolat Xingu, evento que detém o título de maior público de festivais de chocolate no Brasil. A gratuidade do acesso, garantida pelo financiamento do Funcacau, é um dos pilares para a popularização do evento, permitindo que a população local se orgulhe e consuma o que produz com excelência.
O engenheiro agrônomo Ivaldo Santana, coordenador do Procacau, enfatiza que o prestígio a esses municípios é um reconhecimento à produtividade recorde que o Pará vem apresentando. A integração entre técnicos, palestrantes internacionais e cacauicultores locais durante o festival em Altamira cria um ambiente de aprendizado acelerado, essencial para manter a competitividade do cacau paraense diante de desafios climáticos e exigências de certificações sustentáveis cada vez mais rigorosas.

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Inovação e Surpresas no Hangar
O coordenador do Procacau garantiu que a experiência do visitante no Hangar será completamente renovada em 2026. Desde a entrada, o público será impactado por uma nova cenografia que exalta a identidade amazônica. A programação técnica está sendo desenhada para atender às demandas específicas dos produtores, focando em temas como beneficiamento de amêndoas raras, verticalização da produção e novos modelos de cooperativismo.
A união do cacau com a floricultura na Flor Pará não é apenas estética. Ela representa a diversificação de renda para as famílias rurais e a promoção de um modelo de desenvolvimento que respeita a floresta em pé. Com a participação de palestrantes de outros países e a presença maciça de produtores locais, os festivais deste primeiro semestre no Pará reafirmam que o chocolate da Amazônia é, acima de tudo, um produto de alto valor agregado que carrega em si a história, a cultura e a ciência da nossa região.


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