Para quem vive no Pará, o preço do minério de ferro não é apenas um número em uma tela de Londres ou Cingapura; é o termômetro da economia local, influenciando desde a arrecadação de impostos (como o CFEM) até o movimento no comércio de Parauapebas, Canaã dos Carajás e Marabá.

O ano de 2025 foi marcado por uma volatilidade extrema. O preço da tonelada começou o ano com otimismo, despencou para US$ 93 no segundo trimestre e encerrou o ciclo em torno de US$ 107. Entenda como os choques globais conectaram as minas paraenses ao restante do mundo.
O “Choque de Abril” e o Medo Global
Em abril de 2025, o anúncio das tarifas americanas conhecidas como “Liberation Day” (taxa de 10% sobre importações) enviou uma onda de choque pelos mercados. O medo de uma recessão global fez o preço do minério derreter para US$ 99.
A conexão com o Pará: No Porto de Itaqui (MA), por onde escoa o minério de Carajás via Estrada de Ferro Carajás (EFC), o clima foi de cautela. No entanto, a guerra na Ucrânia continuou restringindo a oferta russa de ferro, o que acabou abrindo espaço para que o minério paraense — considerado um dos melhores do mundo — preenchesse lacunas na Europa, servindo como um “porto seguro” para as siderúrgicas internacionais.
China em Transformação: O Triunfo da Alta Pureza
A China continua sendo nosso maior cliente, mas suas necessidades mudaram drasticamente em 2025. A crise no setor imobiliário chinês diminuiu a fome por aço de construção comum, mas um novo fator jogou a favor do Pará: a transição tecnológica.
As siderúrgicas chinesas estão trocando os altos-fornos tradicionais por Fornos Elétricos a Arco (EAF) para reduzir emissões de carbono. Esse processo exige menos minério bruto e muito mais minério de altíssima pureza.
- A vantagem de Carajás: Enquanto o minério padrão sofreu com a baixa demanda, o minério do Pará (com teor de ferro acima de 65%) tornou-se o mais cobiçado do mercado, pois permite uma produção de aço mais “verde” e eficiente. Isso ajudou a sustentar os preços e a garantir que o Pará continuasse competitivo mesmo em um ano difícil.
O Gigante da Guiné e a Nova Concorrência
O final de 2025 marcou um momento histórico: o primeiro embarque da mina de Simandou, na Guiné. Esse é o primeiro concorrente real à altura de Carajás em termos de qualidade e volume.
A entrada desse novo “player” gigante gerou pressão sobre os preços a longo prazo. Para o Pará, isso significa que a era de “domínio absoluto” da alta qualidade está sendo desafiada. As mineradoras que atuam no estado tiveram que acelerar investimentos em logística e tecnologia para garantir que o ferro paraense continue chegando ao mercado com custos competitivos diante da nova oferta africana.
Clima Favorável e Oferta Robusta no Pará
Apesar das incertezas globais, o “fator físico” no Pará foi positivo em 2025. Diferente de anos anteriores marcados por chuvas intensas que prejudicaram a produção, o estado desfrutou de condições climáticas favoráveis.
- Performance das Minas: As minas do Complexo de Carajás e de S11D operaram com alta eficiência.
- Resultado: O volume de exportações foi robusto, o que ajudou a compensar os momentos de preços baixos no meio do ano. Quando o preço se recuperou para US$ 107 em dezembro, o Pará estava com o estoque pronto para aproveitar a alta.






















