A corda do Círio de Nazaré 2026 passou por uma vistoria detalhada neste sábado, 26 de setembro, em Belém. O procedimento faz parte das etapas de preparação para as duas principais procissões da quadra nazarena, a Trasladação e o Círio, quando milhares de promesseiros acompanham a imagem de Nossa Senhora de Nazaré pelas ruas da capital paraense.
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A revisão ocorreu no Colégio Santa Catarina de Sena, no bairro de Nazaré, com a participação de integrantes da Diretoria da Festa de Nazaré e da Guarda de Nazaré. Antes da vistoria, o material estava na Estação Padre Luciano Brambilla, no estacionamento da Basílica Santuário de Nazaré, onde permaneceu após chegar de Castanhal.
Durante o procedimento, foram verificados os pontos considerados essenciais para a segurança da estrutura, entre eles nós, argolas e conexões com as estações metálicas utilizadas ao longo da corda.
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800 metros passam por conferência
A corda produzida para as procissões de 2026 possui 800 metros de comprimento e 60 milímetros de diâmetro. O material é dividido em duas partes de 400 metros, sendo uma destinada à Trasladação e outra utilizada na procissão principal do Círio.
Durante a vistoria, toda a extensão foi novamente medida. As equipes também observaram os pontos submetidos a maior esforço durante o percurso.
A atenção especial aos nós e às argolas ocorre porque essas estruturas fazem parte do sistema que mantém a corda conectada às estações utilizadas durante as romarias.
A revisão é realizada antes das procissões justamente para identificar possíveis necessidades de ajustes e garantir melhores condições para a utilização pelos promesseiros.
Corda produzida no Pará
Pelo quarto ano consecutivo, a corda do Círio é produzida integralmente no Pará pela Companhia Têxtil de Castanhal.
A fabricação utiliza fibras de malva amazônica, matéria-prima ligada à agricultura familiar e cultivada em diferentes municípios paraenses.
A produção da corda em território paraense começou em 2023. Até então, o material utilizado nas procissões era produzido em Santa Catarina e confeccionado com sisal.
Com a mudança, a malva passou a ser utilizada como principal matéria-prima, trazendo também para a cadeia produtiva um dos elementos naturais encontrados na região amazônica.
Para a edição de 2026, o desenvolvimento da corda envolveu meses de planejamento e fabricação, além da participação de trabalhadores responsáveis pelas diferentes etapas do processo.
Assim, um dos símbolos mais conhecidos do Círio passou a representar também o trabalho de agricultores e profissionais paraenses.
Exposição aproxima devotos do símbolo
Depois da vistoria, os dois trechos da corda seguem destinos diferentes antes das grandes romarias de outubro.
A parte destinada à Trasladação permanece na Estação Padre Luciano Brambilla. Já o trecho preparado para o Círio segue para exposição na Estação das Docas.
A iniciativa permite que moradores, turistas e devotos tenham a oportunidade de observar de perto um elemento que, durante as procissões, fica cercado por milhares de pessoas.
Para muitos promesseiros, a corda representa sacrifício, agradecimento e proximidade com Nossa Senhora de Nazaré. Alguns caminham durante horas segurando ou acompanhando o símbolo como forma de cumprimento de promessas.
Tradição atravessa gerações
A presença da corda no Círio está ligada à história da própria procissão.
No século XIX, o material foi utilizado para ajudar na condução da berlinda após dificuldades enfrentadas durante o percurso. O que inicialmente surgiu como uma solução prática acabou se transformando em uma das expressões mais marcantes da devoção nazarena.
Em 1885, a corda passou a integrar oficialmente a procissão.
Desde então, sua estrutura sofreu adaptações e mudanças voltadas especialmente à organização e à segurança, mas o significado religioso permaneceu.
Preparativos entram na reta final
A vistoria realizada em Belém marca mais uma etapa da preparação para o Círio 2026.
Da fabricação em Castanhal à chegada à capital, passando pela revisão técnica e exposição ao público, a trajetória da corda antecipa o clima de fé que toma conta de Belém durante a quadra nazarena.
Quando finalmente chegar às ruas, o símbolo voltará a reunir milhares de mãos e histórias de pessoas que caminham por devoção, promessa ou agradecimento, reforçando uma tradição que atravessa gerações e permanece profundamente ligada à identidade cultural e religiosa do Pará.
Fotos:Rosa Pinto ASCOM/DFN
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