Governo do Pará amplia apoio ao artesanato e celebra Dia do Artesão com novas ações

O Epicentro da Criatividade e Identidade Paraense

O artesanato no Pará deixou de ser apenas uma expressão cultural para se consolidar como um motor robusto da economia criativa. No Dia do Artesão, celebrado nesta quinta-feira (19), o cenário em Belém reflete o sucesso de políticas públicas voltadas à verticalização da produção e à visibilidade comercial. O Espaço São José Liberto (ESJL), gerido pela Sedeme, funciona hoje como a principal vitrine dessa produção, abrigando a Casa do Artesão. Com 220 empreendedores e 16 cooperativas, o local é o destino final de peças que carregam a alma da Amazônia — das icônicas cerâmicas de Icoaraci às sofisticadas biojoias feitas com insumos da floresta.

Para famílias como a do mestre ceramista Doca Leite, a estrutura governamental representa a diferença entre a sobrevivência e a prosperidade. Com 58 anos de ofício, ele relata que a visibilidade no São José Liberto responde por até 40% de seu faturamento. Essa estratégia de colocar o artesão em contato direto com o fluxo turístico da capital, aliada ao suporte financeiro para transporte e frete em eventos nacionais, permite que a tradição familiar se mantenha viva e competitiva em um mercado globalizado.

Formação nas Usinas da Paz: O Artesanato como Resgate Social

Além da comercialização, o Governo do Pará investe pesado na base da pirâmide produtiva por meio das Usinas da Paz (UsiPaz). Nestes complexos de cidadania, o artesanato é utilizado como ferramenta de emancipação econômica. Cursos de Pintura em Tecido, Arranjos Florais e o inovador Artesanato em Fibra de Malva Amazônica estão criando uma nova geração de produtores.

Alunas como Tereza Laurentino, da UsiPaz Bengui, exemplificam o impacto direto dessas capacitações. O aprendizado técnico transforma matérias-primas simples em bolsas e acessórios de alto valor agregado, gerando renda extra imediata. Esse modelo de “aprender e empreender” fortalece a economia dos bairros e promove a inclusão social, provando que o artesanato é um dos caminhos mais curtos para o desenvolvimento sustentável nas áreas urbanas.

Ag. Pará

Bioeconomia e Tradição: Do Miriti aos Cosméticos Naturais

A força do artesanato paraense também ecoa nas vozes de quem trabalha com o miriti em Abaetetuba ou com cosméticos naturais em São Domingos do Capim. Manoel Miranda, veterano com meio século de experiência no miriti, destaca que a vitrine permanente em Belém é o que sustenta sua família há 15 anos. Ao mesmo tempo, novas frentes de bioeconomia surgem com o apoio da Emater, que orienta agricultores familiares a transformarem óleos e manteigas de sementes amazônicas em produtos de higiene e beleza artesanais.

Essa atuação da Emater em comunidades ribeirinhas e rurais é fundamental para mapear potenciais e aprimorar técnicas ancestrais. O foco é valorizar o extrativismo sustentável, garantindo que o conhecimento tradicional das comunidades se transforme em produtos competitivos que respeitem a biodiversidade. Como ressalta o secretário Paulo Bengtson, apoiar o artesanato é incentivar um empreendedorismo que alia lucro à responsabilidade ambiental, garantindo que a riqueza da Amazônia permaneça nas mãos de quem a protege.

Ag. Pará
Ag. Pará

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O Futuro da Moda Autoral e do Design Amazônico

O próximo passo para o artesanato paraense é a consolidação da moda autoral e das biojoias com design exclusivo. O São José Liberto já é referência mundial nesse segmento, unindo metais nobres a elementos naturais como sementes, escamas e madeiras reaproveitadas. Esse design estratégico atrai um público exigente que busca exclusividade e história em cada peça.

Com o fortalecimento das cooperativas e a constante qualificação técnica, o artesanato do Pará se posiciona como um produto de exportação simbólica e material. Cada souvenir de cerâmica levado por um turista ou cada joia amazônica vendida representa um pedaço da cultura do estado que viaja o mundo, gerando um ciclo virtuoso de emprego e orgulho regional. A economia criativa paraense, impulsionada pelo suporte governamental, mostra que a floresta em pé e a criatividade humana são, de fato, o maior tesouro do estado.