Muita gente em Belém tem o costume de terminar aquele cafezinho da manhã e jogar o que sobrou no filtro direto no vaso da samambaia ou da jiboia que fica na sala. Parece o adubo perfeito, afinal, é natural e rico em nutrientes. No entanto, o que pouca gente sabe é que jogar a borra úmida e fresca diretamente sobre a terra pode virar um verdadeiro banquete para fungos e bactérias que apodrecem as raízes. Em vez de ajudar a planta a crescer, você pode estar criando uma camada impermeável que impede a entrada de oxigênio e água, sufocando o vegetal aos poucos.
A borra de café é sim um excelente componente para o jardim, mas ela precisa ser preparada. Ela contém nitrogênio, fósforo e potássio, o famoso trio NPK que as plantas tanto amam. Mas esses nutrientes não estão prontamente disponíveis. Para que a planta consiga “comer” esse adubo, ele precisa passar por um processo de decomposição. Quando você joga o pó molhado, ele tende a mofar antes de virar adubo, o que atrai mosquinhas indesejadas para dentro de casa e pode causar doenças fúngicas graves nas suas folhas.
Outro mito muito comum aqui no Pará é acreditar que o café vai deixar a terra extremamente ácida de imediato. Na verdade, a maior parte da acidez do café fica na bebida que a gente toma. A borra que sobra tem um pH quase neutro ou levemente ácido, o que não prejudica a maioria das espécies. O problema real é a cafeína que resta no pó. A cafeína é um alelopático natural, ou seja, uma substância que as plantas usam para impedir que outras plantas cresçam ao redor delas. Se você exagerar na dose, a borra pode inibir o crescimento das raízes das suas mudinhas novas.
Para não errar mais e aproveitar todos os benefícios desse resíduo orgânico, o ideal é seguir alguns passos simples de preparação. O segredo está na paciência e na mistura correta com outros elementos da terra.
Secagem obrigatória: Nunca use a borra molhada. Espalhe o pó em um jornal ou bandeja e deixe secar bem ao sol até que vire um pó soltinho.
Mistura na terra: Não faça uma camada de café por cima do vaso. Misture o pó seco diretamente na terra, na proporção de uma parte de café para dez partes de terra.
Compostagem: O melhor uso da borra é na composteira. Ela ajuda a acelerar o processo e fornece a energia necessária para as minhocas trabalharem.
Controle de pragas: O cheiro forte do café seco ajuda a espantar algumas formigas e lesmas que detestam o contato com a textura do grão moído.
As plantas que mais se beneficiam desse tipo de adubação são aquelas que gostam de matéria orgânica e solo levemente mais poroso, como as hortênsias, rosas e até mesmo alguns tipos de ervas aromáticas que cultivamos no quintal. Se você tem uma horta com tomate ou pimentão, a borra de café misturada à terra ajuda a manter a umidade por mais tempo, o que é fundamental no nosso clima quente de Belém, onde o solo seca muito rápido durante a tarde.
Dica Extra Se você não tem composteira, faça um adubo líquido potente misturando duas colheres de sopa de borra de café seca em um litro de água. Deixe descansar por 24 horas, coe e use essa água para regar suas plantas uma vez por semana. Isso garante uma absorção mais rápida dos nutrientes sem o risco de criar mofo na superfície do vaso.
Agora que você já sabe o segredo para não errar mais, que tal começar a guardar sua borra de café do jeito certo hoje mesmo e compartilhar essa dica com aquela amiga que também ama cuidar do jardim?

