
Artista baiana concorre com Verve na categoria Melhor Álbum de Jazz Latino/Jazz e fecha trilogia autoral iniciada em 2017.
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Uma sanfona, uma tuba, uma bateria e uma voz estão no centro de uma das presenças brasileiras no Grammy Latino 2026. A baiana Lívia Mattos foi indicada com o álbum Verve na categoria Melhor Álbum de Jazz Latino/Jazz, em uma disputa que reúne cinco trabalhos e coloca seu projeto autoral diante de artistas de diferentes trajetórias internacionais.
A indicação foi anunciada em setembro de 2026. Lívia é a única brasileira, a única mulher e a única acordeonista entre os concorrentes da categoria. Ela disputa o reconhecimento com Caracas Trio, Alex Conde, Gonzalo Rubalcaba e Miguel Zenón Quartet.
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Um disco construído para escapar das gavetas
Verve não nasceu com a intenção de caber em uma definição única. O álbum reúne composição, improvisação, canto e experimentação eletrônica para ampliar o papel tradicionalmente associado ao acordeom. A formação principal é compacta, mas o resultado busca uma dimensão maior por meio de pedais, efeitos e recursos de estúdio.
“Verve é resultado de muitos anos de desenvolvimento de linguagem do meu trabalho autoral. E a busca é justamente por levar o acordeom e as referências de onde venho e por onde cruzo para além do óbvio, borrando as margens das definições, sobretudo pra um instrumento tão emblematizado como o acordeom”, afirmou Lívia.
A artista também relaciona sua aproximação com o jazz à liberdade criativa oferecida pelo gênero. Para ela, a categoria representa justamente a possibilidade de atravessar fronteiras musicais sem abandonar as referências brasileiras e os caminhos percorridos em outros países.
Terceiro álbum fecha ciclo iniciado em 2017
Lançado em 2025 pelo selo YB Music, Verve encerra a primeira trilogia autoral de Lívia Mattos. O caminho começou com Vinha da Ida, de 2017, e continuou com Apneia, lançado em 2022. Os três discos acompanham uma pesquisa que combina música instrumental e canção, dois campos que a artista mantém em diálogo.
O trio formado por Lívia, Jefferson Babu, na tuba, e Rafael dos Santos, na bateria, aparece como a base do trabalho desenvolvido ao longo dos anos. A produção é de Alê Siqueira, que também trabalhou em Vinha da Ida, com codireção musical de Paulim Sartori.
“Esse álbum fecha a trilogia dos meus três primeiros, consolidando esse lugar híbrido entre o instrumental e a canção”, resume a artista.
Participações ampliam o mapa sonoro
As colaborações de Verve reforçam a proposta de deslocamento presente no disco. A cantora e musicista indiana Varijashree Venugopal participa da faixa Caucaia. Já a senegalesa Senny Camara contribui com kora e voz em Ndoukahakro.
O repertório também inclui Mundo Verde Esperança, de Hermeto Pascoal, e Como Se Fosse o Mar, parceria inédita de Lívia com Ivan Lins e Thais Nicodemo. A seleção combina referências brasileiras com encontros internacionais, sem transformar o álbum em uma simples coleção de participações.
Segundo a Latin Recording Academy, Lívia Mattos concorre ao Grammy Latino 2026 com Verve na categoria Melhor Álbum de Jazz Latino/Jazz, em anúncio divulgado em setembro de 2026.
Da Bahia para palcos de vários continentes
Nascida em Salvador, Lívia é acordeonista, cantora, compositora, artista circense e socióloga. Além dos três álbuns autorais, sua trajetória inclui oito anos como integrante da banda de Chico César, participação como solista convidada da Orquestra Sinfônica da Bahia e colaborações com nomes como Rosa Passos, Badi Assad, Vanessa da Mata, Ceumar, Johnny Hooker e Alessandra Leão.
O currículo internacional inclui apresentações no Womex, na Espanha, no Akkordeon Festival Wien, na Áustria, no Accordions Around the World, nos Estados Unidos, no Macau International Parade, na China, no FMM Sines, em Portugal, e no MASA, na Costa do Marfim.
Em 2026, a circulação do trio passou por Áustria, Senegal, Peru, Polônia, Bélgica e Alemanha, além de apresentações no Brasil. Em maio, Lívia esteve em Dakar para o Stereo Africa Festival e no Saint Louis Jazz Festival. No mesmo mês, participou de um show de Susana Baca no Gran Teatro Nacional, em Lima. Em julho, levou Verve a festivais e palcos da Polônia, Bélgica, Alemanha e Áustria.
O que a indicação representa para o público brasileiro
Para quem acompanha a música brasileira no Pará e na Grande Belém, a indicação oferece uma porta de entrada para uma produção que trata o acordeom sem restringi-lo ao papel de acompanhamento ou a um gênero específico. O disco pode ser ouvido de forma integral pela internet, permitindo que o público conheça a obra antes da premiação e acompanhe uma artista brasileira que circula por circuitos de jazz, música autoral e criação experimental.
A presença de Lívia também amplia a visibilidade de uma formação pouco comum no circuito de grandes premiações. Ao lado de tuba, bateria, voz e equipamentos eletrônicos, a sanfona deixa de ser apenas uma marca regional e passa a funcionar como elemento de composição, textura e improvisação.
A indicação, portanto, não se limita ao reconhecimento de um álbum. Ela registra o momento em que uma pesquisa iniciada há quase uma década alcança uma das principais vitrines da música latino-americana, sem abandonar a combinação de referências que define o trabalho da artista.
Ouça o álbum e assista aos videoclipes
Uma nova turnê internacional está prevista para novembro de 2026, com apresentações programadas na Dinamarca, Suíça, Suécia, Itália e Portugal.
Com informações da Latin Recording Academy.
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