
Da Cidade Velha ao bairro de Nazaré, a Catedral da Sé e a Basílica Santuário de Nossa Senhora de Nazaré preservam memórias que atravessam séculos de história, arte e religiosidade no Pará
Neste artigo
Belém pode ser lida também por meio de suas igrejas. Entre fachadas, altares, imagens, vitrais e celebrações religiosas, alguns dos principais templos da capital paraense preservam marcas de diferentes períodos da formação da cidade. A Catedral Metropolitana de Belém, conhecida como Igreja da Sé, e a Basílica Santuário de Nossa Senhora de Nazaré estão entre os espaços que melhor expressam essa relação entre arquitetura, fé, patrimônio e identidade cultural.
Embora tenham histórias diferentes, os dois templos ocupam lugares importantes na memória de Belém. A Sé está diretamente relacionada à formação da Cidade Velha e à estrutura religiosa construída durante o período colonial. A Basílica de Nazaré, por sua vez, tornou-se o principal centro da devoção a Nossa Senhora de Nazaré e está profundamente ligada à história do Círio.
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A Igreja da Sé e a formação de Belém
A história da Catedral está relacionada aos primeiros anos da ocupação portuguesa na região. Após a fundação de Belém, em 1616, foi construída uma capela dedicada a Nossa Senhora da Graça nas proximidades do Forte do Presépio.
Com o crescimento da cidade e a organização da estrutura religiosa, o templo passou por diferentes etapas de construção e transferência. A atual Catedral Metropolitana começou a ser construída no século XVIII. A pedra fundamental foi lançada em 1748.
A obra teve participação importante do arquiteto italiano Antônio José Landi, que chegou ao Pará em 1753 e se tornou um dos principais nomes da arquitetura do período colonial amazônico. Sua atuação contribuiu para a configuração arquitetônica da Catedral e de outros edifícios religiosos e civis de Belém.
A fachada e o interior da igreja apresentam características associadas ao barroco e ao neoclassicismo, revelando as transformações artísticas ocorridas durante o período.
Arte sacra e patrimônio histórico
Além da arquitetura, a Sé conserva um importante conjunto de elementos artísticos e religiosos. Pinturas, altares, esculturas, trabalhos em madeira e outros objetos ajudam a contar a história da arte sacra em Belém.
Um dos destaques é o órgão fabricado pela tradicional casa francesa Aristide Cavaillé-Coll, instalado na Catedral no século XIX. O instrumento também representa a importância da música na vida religiosa e cultural da cidade.
A Catedral integra o conjunto histórico da Cidade Velha e possui proteção patrimonial. Sua localização, próxima ao Forte do Presépio e a outros monumentos históricos, reforça a importância do espaço para a compreensão da formação urbana de Belém.
A devoção que deu origem à Basílica de Nazaré
A história da Basílica Santuário está ligada à devoção a Nossa Senhora de Nazaré e à tradição sobre o encontro da imagem da santa por Plácido José de Souza, no final do século XVIII.
Segundo a tradição, a pequena imagem foi encontrada nas proximidades do igarapé Murutucu. O episódio deu origem a uma devoção que cresceu ao longo dos anos e levou à construção de diferentes espaços destinados à veneração da santa.
A atual Basílica começou a ser construída no início do século XX. A pedra fundamental foi lançada em 1909, e a obra contou com a participação dos Padres Barnabitas, que assumiram a administração da paróquia e tiveram papel importante na expansão da devoção.
O templo recebeu forte influência da arquitetura europeia, com inspiração em modelos de basílicas italianas. Seu interior reúne mármores, mosaicos, vitrais, pinturas e outros elementos decorativos que ajudam a explicar a grandiosidade da construção.
Basílica e Círio de Nazaré
A importância cultural da Basílica está diretamente relacionada ao Círio de Nazaré. Realizado anualmente em Belém, o evento reúne milhões de pessoas e envolve procissões, promessas, manifestações culturais e diferentes práticas religiosas.
O Círio foi reconhecido pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional como Patrimônio Cultural do Brasil em 2004. Em 2013, a manifestação também recebeu da Unesco o título de Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade.
A Basílica ocupa lugar central nessa tradição. É um dos principais espaços de devoção dos participantes do Círio e abriga a imagem original de Nossa Senhora de Nazaré, tradicionalmente relacionada ao encontro atribuído a Plácido.
Em 1923, o templo recebeu do Papa Pio XI o título de Basílica Menor, reconhecimento que reforçou sua importância dentro da Igreja Católica.
Dois templos, diferentes memórias
Mais do que espaços de culto, os dois templos preservam objetos, técnicas, obras de arte, histórias e tradições transmitidas entre gerações. Suas arquiteturas também revelam a presença de influências europeias incorporadas ao longo da formação da capital paraense.
Observar essas duas igrejas é acompanhar parte da própria transformação de Belém. Entre a Cidade Velha e o bairro de Nazaré, a arquitetura religiosa revela como fé, arte, memória e cultura ajudaram a construir uma identidade que permanece viva no cotidiano da capital paraense.
Fotos: divulgação @catedraldebelem /@basilicadenazareoficial e Flavio Contente/Pará+
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